sexta-feira, 16 de maio de 2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

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13 de maio de 2008 | ZERO HORA

Seminário

Troca de farpas no Fronteiras do Pensamento

Gerald Thomas e Fernando Arrabal palestraram em Porto Alegre

A segunda mesa do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem 2008, realizada ontem, tinha como tema central o teatro. Mas os excêntricos e performáticos palestrantes fizeram mais do que falar sobre a sua arte.

O dramaturgo espanhol Fernando Arrabal e o teatrólogo brasileiro Gerald Thomas relataram experiências pessoais e demonstraram suas visões muito particulares do mundo. O segundo saiu do palco abruptamente e acabou vaiado pelo público do Salão de Atos da UFRGS.

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14/05/2008 - 08h05

Arrabal e Thomas trocam farpas em evento no RS

EDUARDO SIMÕES
da Folha de S.Paulo, em Porto Alegre

As palestras de Fernando Arrabal e Gerald Thomas, anteontem à noite, no evento Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre, frustraram a platéia. O dramaturgo espanhol Arrabal, por excesso; o diretor e também dramaturgo Thomas, por falta. Após mais de uma hora de fala, em que chegou a fazer o público rir com "causos" de personalidades com quem conviveu, como Pablo Picasso, Arrabal deixou o palco do Salão de Atos da UFRGS sem dar um ponto final à palestra.
Já Thomas apresentou trechos de alguns de seus espetáculos em vídeo e, afirmando que não tinha discurso pronto, propôs responder perguntas do público. Saiu meia hora depois.

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GERALD THOMAS, O MATEMÁTICO

Juremir Machado da Silva - Correio do Povo

A província estava precisando de um choque cultural. Fernando Arrabal, escritor espanhol, nascido na África e radicado em Paris, e Gerald Thomas protagonizaram o barraco mais previsível do milênio. No primeiro encontro em Porto Alegre, num jantar, já brigaram por razões políticas. Thomas apóia Obama nos Estados Unidos. Arrabal aproveitou para desancar os americanos e pelo jeito meteu republicanos e democratas num mesmo saco. O brasileiro indignou-se e encontrou um meio de sugerir que o espanhol teria alguma simpatia franquista. Fechou o pau. Arrabal teve boa parte da família, inclusive o pai, condenada à morte pelo ditador Francisco Franco. Na falta de outros argumentos, jogou um livro com sua história em cima do histérico e sempre efervescente dramaturgo pós-moderno. Parece que Thomas devolveu a obra da mesma forma. Fernando Arrabal levantou-se e foi embora para o hotel.
Antes da briga com Thomas, porém, Arrabal praticou um ato iconoclasta da maior envergadura, algo quase impensável para um gaúcho, um gesto digno de um ex-surrealista, de um 'transcendente sátrapa do Colégio de Patafísica', uma enormidade capaz de provocar pânico: cochilou diante de dona Eva Sopher, a eterna dama do Theatro São Pedro. Eu não estava lá. Teria dado metade da minha vida para assistir a uma performance tão radical e dadaísta. Não encontro outro termo para qualificar essa situação inusitada. Nada como um estrangeiro para ignorar os nossos ídolos e produzir o absurdo que revigora. O verdadeiro motivo da briga entre Arrabal e Thomas foi simples: Arrabal nunca tinha ouvido falar em Thomas, cujo ego, sabidamente inflacionado, não suportou a desfeita. No entender de Thomas, no entanto, a razão foi outra: Arrabal teria ficado com ciúme da sua relação privilegiada com Samuel Beckett. Um duelo de vedetes.
A palestra de Fernando Arrabal no ciclo Fronteiras do Pensamento foi um sucesso. Gerald Thomas abandonou o jogo na metade e saiu vaiado. Fui me despedir de Arrabal na segunda-feira e perguntei-lhe sobre o ocorrido. Riu. Estava feliz. Ria de si mesmo e de Thomas, a quem só se referia como o matemático, pois dele nunca havia ouvido falar no mundo do teatro. Thomas teria dito a Arrabal que participara como assistente na montagem de uma peça de Beckett, na Inglaterra, em 1971. O espanhol fez as contas e concluiu que, na época, Thomas tinha 17 anos. Daí essa sua afirmação retumbante: 'Esse matemático é cretino e mentiroso. Na Inglaterra, sendo menor de idade, ele nunca poderia fazer esse trabalho'. Numa entrevista dada em 2007, que pode ser encontrada na Internet, Thomas declarou: 'Minha vida inteira é uma mentira'. Arrabal acha que percebeu isso em cinco minutos. Ao saber que Thomas abandonara a própria palestra na metade, Fernando Arrabal deu mais uma pancada: 'É um plagiário. Quis me imitar. Eu saí batendo a porta numa noite, ele fez o mesmo na noite seguinte. Só que ninguém me vaiou'.
Parece que tudo é mesmo relativo. O jornalista da Folha de S. Paulo, que costuma legitimar o delírio de Thomas, viu tudo ligeiramente invertido: 'Arrabal deixou o palco do Salão de Atos da Ufrgs sem dar um ponto final à palestra. (...) Já Thomas apresentou trechos de alguns de seus espetáculos em vídeo e, afirmando que não tinha discurso pronto, propôs responder perguntas do público. Saiu meia hora depois'. A platéia sabe que foi exatamente o contrário.

Assim, faceiro, para Recife ele rumou

e até agora ninguém o encontrou

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Circo da Notícia


Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa

CASO ISABELLA
Aquilo que o povo quer e a Justiça

Certa vez, quando era presidente da Câmara Federal, o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) disse uma frase histórica: algo como "aquilo que o povo quer esta Casa acaba querendo". Pouco depois, a opinião pública se voltava contra ele – injustamente, aliás. E, diante do clamor popular, expresso pela imprensa, Ibsen foi cassado.

Uma decisão judicial, agora, parafraseia a expressão de Ibsen: é preciso prender o casal acusado do assassínio da menina Isabella, entre outros motivos, por causa do clamor popular. Clamor esse que, sabemos, é muito influenciado pelos meios de comunicação e pela ânsia de autoridades que querem aparecer na TV.

Aceitemos, para argumentar, que o casal seja efetivamente culpado (e os indícios até agora conhecidos apontam mesmo para essa direção). Os advogados de defesa terão, no comportamento das autoridades e dos meios de comunicação, fortes aliados. Que isenção terá uma delegada que, ao deparar pela primeira vez com o casal, desatou a gritar "assassinos"? Alugar até banheiros químicos com dinheiro público para as pessoas que iriam à repartição de polícia exigir o linchamento do casal não indicará uma posição adotada, antes de qualquer investigação? E o sangue no carro, havia, não havia? Ou não se sabe – afinal, foram tantas entrevistas!

Como pôde alguém entrar com uma câmera numa área restrita, guardada pela polícia, para gravar o acusado no momento em que "tocava piano" (tomavam-lhe as impressões digitais) e passar a imagem para a imprensa? Quem providenciou um carro de polícia com vidros claros, para que os presos pudessem ser filmados e fotografados enquanto eram transportados para a cadeia? E, principalmente, por que devem os acusados ficar presos se assassinos confessos e condenados aguardam o julgamento dos recursos em liberdade?

Há jornalistas que consideram Gêngis Khan um esquerdista enrustido dizendo que é assim mesmo, que não há mal nenhum em expor acusados a multidões que proclamam seu desejo de linchá-los. Efetivamente, em casos como esse, em que não apenas uma menina foi morta, mas em que as suspeitas recaem em quem deveria protegê-la, o ritual da Justiça é irritante. Mas é essencial – e, embora os meios de comunicação tenham contribuído para o clima de linchamento, a maioria absoluta concorda com isso – para que possamos continuar vivendo em sociedade.

Oração
Quem for contra o direito de defesa deve rezar todos os dias para não precisar dele.

O ataque ao ídolo
Ronaldo Gorducho se transformou em alvo preferencial da artilharia da imprensa. Até aí, tudo bem: quando as notícias sobre ele eram favoráveis, quando saía com belas mulheres, quando as Ronaldinhas posavam nuas, nunca se queixou dos repórteres. Não pode queixar-se agora. Mas há limites: gravar uma entrevista feita em outra emissora e encaixar novas perguntas, de maneira a tornar comprometedoras as respostas do ídolo, isso não dá para aceitar. Pense em alguma pergunta simples, algo como "você acredita que poderá voltar a treinar nesta semana", a que ele respondeu "não". E troque a pergunta: "Você gosta de mulher?"

Pois foi o que fizeram.

A lenda vive
No domingo, Dia das Mães, o Diário do Grande ABC, maior jornal regional do país, completou 50 anos. A festa se realizou na antevéspera, com a presença de dois dos quatro fundadores do jornal: Mauri Dotto, que continua na empresa, e Fausto Polesi, rijo e brilhante nos seus mais de 70 anos. Fausto Polesi fez um discurso emocionante, lembrando o ABC paulista na época em que o jornal foi fundado e sua trajetória de crescimento. Só faltou um toque para que a homenagem fosse completa: levar ao palco o filho de Fausto, também jornalista brilhante, ótimo repórter e editor, com carreira não só no Diário do Grande ABC mas também nos grandes jornais nacionais. Faltaram os aplausos a Alexandre Polesi.

Alô, pauteiros
Neste mês e no próximo haverá em São Paulo dois grandes eventos, daqueles que atraem gente de todo o país e que se medem em milhões de participantes: a Marcha para Jesus, dentro de pouco mais de uma semana, e a Parada Gay. Ainda dá tempo de medir os locais em que se realizarão os eventos e calcular, cientificamente, o número de participantes. É preciso evitar aquela coisa ridícula de dizer "tantas pessoas, segundo os organizadores, ou tantas, segundo a Polícia Militar". A informação deve ser precisa, e o investimento vale a pena: os dois eventos se realizam em diversos países e os de São Paulo são os maiores do mundo.

Silêncio ensurdecedor
O Correio Braziliense do dia 5 publicou uma notícia interessantíssima: dos 17 senadores que recebem ajuda de custo de R$ 3.800 mensais para cobrir despesas com moradia, quatro, cujos nomes são citados na matéria, têm excelentes residências, em excelentes endereços da capital federal. Dois outros, cujos nomes são também citados, têm imóveis residenciais em Brasília, mas preferem morar em propriedades alugadas, embolsando assim a ajuda de custo.

A reportagem foi ótima – e não houve repercussão nenhuma. Jornais, revistas, internet, rádio, TV, todos passaram por cima do tema. Por que tanto silêncio?

Como...
De um grande jornal: Estuprador de Basset é "condenado" a pagar multa de R$ 150.

Aspas se usam, normalmente, em duas ocasiões: para indicar que a frase é transcrita sem mudanças, ou para indicar que determinado termo não tem o sentido que lhe é habitual. No caso, o cavalheiro que estuprou o cachorro foi condenado. Por que as aspas em "condenado", então?

...é mesmo?
De um currículo recheado de experiências, ações estratégicas, termos em inglês, multinacionais, títulos e cargos de direção: "(...) atualmente lessionando (...)"

"Lessionando" deve ser a mesma coisa que "dar lissões".

E eu com isso?
Lessionemos, pois. Um velho jornalista dizia que, quando não sabia se a palavra era com um ou dois "esses", botava logo três, para parecer que era erro de datilografia. Mas no caso não serve. Talvez um "leçionando", com cedilha, ou, melhor ainda, "lescionando", dê mais a impressão de erro de digitação.

Mas, enquanto discutimos a Última Flor do Lácio, cada vez mais inculta e menos bela, a vida continua rolando. Veja só: Kate Moss sai de aula de ioga e encontra seu motorista dormindo no carro.

E há outras notícias sem as quais o jornalismo desapareceria (como encher o espaço de tantas páginas de celebridades?)

1. Filha de George W. Bush não convida namorado da prima, que é filho de Ralph Lauren, para seu casamento
2. Xanddy faz escova progressiva
3. Grávida, Lavínia Vlasak caminha na praia
4. Mulher Moranguinho faz aula de pole dance
5. Lily Allen vai às compras com sutiã de fora
6. Sem aplique, Amy Winehouse é flagrada com queda de cabelos

Do jeito que a moça se dedica aos secos e molhados, alguma coisa tinha mesmo de cair. Ainda bem que são só os cabelos.

O grande título
Apenas três concorrentes (provavelmente, nesta semana o colunista estava menos atento do que de costume):

1. Cientistas flagram "assédio sexual" de foca a pingüim
Não podia dar certo: um mamífero com jeitão de peixe se interessando por uma ave com o jeitão do deputado Michel Temer usando smoking.

2. KLB fará ´impossível` por papagaios
Este é um problema da internet: o título fica pela metade e o redator nem percebe.

E o grande vencedor:
3. Suíça amolece para garantir batata frita em jogos de futebol

Certamente deve querer dizer alguma coisa.

terça-feira, 13 de maio de 2008

O milagre da marmitada


Cartão - Presidência compra 595 marmitas no Pará

De Andreza Matais - Folha de S.Paulo

A Presidência usou cartão corporativo para comprar 595 marmitas e o mesmo número de refrigerantes durante uma viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Pará, em fevereiro de 2004, na qual 40 auxiliares de apoio acompanharam a comitiva, que passou cerca de quatro horas no Estado e chegou após o almoço. A despesa foi classificada como "sigilosa" e está sob análise da CPI dos Cartões e entre documentos requisitados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para auditoria.

A compra foi feita no restaurante Sinhá Norte Comércio e Representação, que vende comida popular, por um dos ecônomos (servidor que cuida dos gastos) que serve ao presidente, Clever Pereira Fialho. O custo foi de R$ 3.808. Cada marmita custou R$ 5 e os refrigerantes, R$ 1,40, segundo a nota fiscal 1.142, a que a Folha teve acesso.

e o milagre da casa própria


Mulher do Paulinho da Força Sindical compra casa à vista no litoral paulista

Da Folha de S.Paulo

Colocado sob suspeita na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, por supostamente se beneficiar de desvio de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), 52, o Paulinho, há mais de um mês freqüenta uma nova casa em Bertioga, no litoral sul de São Paulo, registrada em nome de sua filha, Daniele Costa da Silva.
O imóvel foi comprado pela mulher de Paulinho, Elza de Fátima Costa Pereira, 48, tesoureira do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. Ela informou, por meio do advogado Antônio Rosella, ter pago R$ 220 mil pelo imóvel, com um cheque seu de R$ 160 mil e o restante em dinheiro. Segundo o advogado, a parte em dinheiro foi paga “por conveniência” e o imóvel foi registrado em nome da filha por se tratar de “uma dependente”.
Elza declarou em 2006 ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, quando se candidatou, e perdeu, a senadora paulista pelo PDT, um patrimônio de R$ 441 mil, sendo R$ 130 mil em “aplicações financeiras” na Caixa Econômica Federal e o restante equivalente a 50% de dois imóveis. Se fosse mantido intocado na poupança, o valor em dinheiro guardado por Elza na CEF seria hoje de R$ 149 mil -cerca de 67% do valor que ela desembolsou pela nova casa em Bertioga.
Em 2006, Paulinho declarou-se mais pobre que a mulher, com um patrimônio total de R$ 163,1 mil.

Bye, Hillary?


Este «obrigada» pode significar «adeus»?

Do Público.PT - agora pela manhã

Um vídeo de agradecimento de Hillary Clinton aos seus apoiantes gerou especulações de que a senadora estará prestes a anunciar a sua desistência. No vídeo, colocado no canal oficial no YouTube, Hillary Clinton apenas agradece aos seus apoiantes e nunca se refere a uma possível vitória contra Obama nem à hipótese de vir a ser Presidente dos Estados Unidos. Num tom calmo, Clinton pede o apoio para as primárias na Virgínia Ocidental, Kentucky e Oregon mas nada diz sobre as eleições seguintes, em Porto Rico, Dakota do Sul e Montana.

O panorama do jornalismo investigativo



Quatro visões internacionais sobre o jornalismo investigativo


Todos os participantes do III Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo puderam testemunhar, em encontro especial na noite de sexta-feira (09/05), quatro panoramas internacionais sobre o jornalismo investigativo. Rosental Calmon Alves, do Knight Center para Jornalismo nas Américas no Texas; Américo Martins, da BBC de Londres; José María Irujo, do El País; e Lise Olsen, do Houston Chronicle participaram do debate.
EUA I
Rosental fez uma breve explanação, enfocando sua área de estudo: o jornalismo digital. Mostrou um aspecto negativo, a crise sem precedentes no mercado americano, com grande queda de vendagens devido à internet, e outro positivo, o computador como instrumento de reportagem.
"O jornalismo americano não pode perder sua característica de buscar aquilo que os poderosos querem que ninguém saiba", afirmou. Como exemplo, citou a Pro Publica – agência de jornalismo investigativo que oferece, gratuitamente, conteúdo a publicações –, e a reação de grandes jornais. "Há quatro anos, o New York Times, que é o jornal menos afetado pela crise, abriria mão. Hoje, na própria matéria sobre a Pro Publica, eles disseram que considerariam o material".

Reino Unido
Américo iniciou sua palestra com uma máxima: a Inglaterra tem a melhor – "Financial Times, Economist e The Guardian" – e a pior imprensa do mundo – "o sensacionalista; não dá nem mais pra chamar de tablóide porque o Guardian e o Independent são tablóides, mas pagam por informação e achincalham pessoas em nome da investigação".
Sobre jornalismo investigativo, Américo disse que os ingleses têm a característica de fazer investigação em todas as mídias. "O Today Program, na BBC rádio, pauta toda a mídia. Eles são mestres em investigação na TV. O Panorama, da BBC, colocou um repórter para investigar racismo na polícia britânica por seis meses. Ele fez o curso de policial, e chegou a servir. Essa reportagem teve um ano e meio de preparação", contou.
Fora da BBC, Américo citou o Channel 4, que levou o último Bafta de current affairs, e muitas produtoras que realizam jornalismo investigativo, um mercado atuante no Reino Unidos. "A questão agora é a cobertura de terrorismo. É uma obsessão da mídia mundial, e há poucas fontes. E terrorismo não é um 'crime normal', não há interesse da polícia que isso seja difundido", comentou.

Espanha
Irujo fez o painel mais pessimista. "São poucos os jornalistas especializados em investigação, não mais que uma dúzia, e todos na mídia impressa. As empresas não investem porque não há rentabilidade. Vivemos uma avalanche de jornalismo declaratório. A investigação é um pássaro raro", lamentou.
O governo espanhol tem feito coletivas sem perguntas, o que demonstra um cenário político desfavorável à investigação. Os repórteres pouco se dedicam devido à falta de estrutura e incentivo, procedimentos de rotina e acomodação. "E não há nada mais patético do que jornalista acomodado".
O espanhol fez questão de ressaltar a ética em investigação jornalística: "Não podemos grampear telefones. Não podemos invadir propriedades. Não podemos aceitar dossiês preparados por outras pessoas. Sou contra o uso de câmeras ocultas. Não podemos cometer nenhum delito que torne o jornalismo ilegítimo e perverso".
Américo Martins comentou depois concordando com a fala de Irujo, mas não sendo totalmente contra câmeras ocultas. "O que a BBC faz é se perguntar se aquilo tem como ser feito de outra forma. No caso do repórter que investigava os policiais, não havia. E ele conseguiu imagens sensacionais. Acabou preso, mas a justiça o liberou porque considerou que o interesse público estava acima", observou.
Irujo se mostrou meio desencantado com a internet. "Ela pode acabar com o jornalismo investigativo. Mas eu ainda acho que vai sobreviver, e encontrar seu espaço", apostou.

EUA II
Lise Olsen, que também integra o Investigative Reporters and Editors (IRE), foi na direção contrária. Ela mostrou exemplos de sites que fazem e contribuem para o jornalismo investigativo. Um especial do Arizona Daily Star registra todas as pessoas que morrem tentando atravessar a fronteira entre Estados Unidos e México, com foto e perfil, criando um banco de dados sobre a região.
Citando uma experiência colaborativa, mostrou um especial feito no Houston Chronicle sobre a qualidade do ar na cidade, em que aparelhos de medição foram distribuídos aos leitores que completavam as informações em um site. "A internet foi uma sócia da investigação. Há bancos de dados, mapas de análises sociais e o trabalho com blogs".
Felicitando a Abraji pelo congresso, e ressaltando que o Brasil tem que ter um trabalho de liderança no jornalismo investigativo na América Latina, ela ressaltou que, há 15 anos, somente três países tinham uma lei de acesso às informações públicas. Hoje são 60.

Bolsas para investigação jornalística


Abertas as inscrições para as Bolsas Avina de Investigação Jornalística

Já estão abertas as inscrições para a segunda edição das Bolsas AVINA de Investigação Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável, projeto da Fundação AVINA que tem como objetivo cooperar com os meios de comunicação e os profissionais da imprensa para a produção de investigações sobre temas relevantes na busca de modelos sustentáveis de desenvolvimento na América Latina.
São 6 categorias e temas:

Categoria: EQUIDADE / Tema: Inclusão Social

Categoria: GOVERNABILIDADE DEMOCRÁTICA / Tema: Transparência

Categoria: GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS / Tema: Mudança Climática

Categoria: DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL/ Tema: Negócios Inclusivos

Categoria: AMÉRICA LATINA / Tema: Integração

Categoria: ARTE E SOCIEDADE / Tema: Educação (*)
(*) Em aliança com Daros Latinamerica (Daros Latinamerica é uma coleção de arte contemporânea com sede em Zurique, Suíça, que está implementando o projeto "Casa Daros" no Rio de Janeiro, uma plataforma de difusão e apreciação das artes contemporâneas em geral e da América Latina em particular, tendo como focos principais a arte, a educação e a comunicação).
Os valores para cada bolsa, por tipo de meio, são:6 mil dólares para TV e 4 mil dólares para jornais, revistas, internet, rádio e agências de imprensa. O total dos incentivos financeiros é de 250 mil dólares. Esperamos oferecer mais de 50 bolsas!

Quem pode se inscrever para uma bolsa?

Serão elegíveis as propostas apresentadas por repórteres, repórteres gráficos, jornalistas freelance, editores, chefes de redação ou editores executivos. Serão aceitos trabalhos de jornalistas que trabalhem ou colaborem com empresas de meios informativos e agências de notícias latino-americanas ou estrangeiras. Em todos os casos, a proposta deve ter como foco geográfico a América Latina.

Como se inscrever?

A informação relacionada às condições e procedimentos se encontra no website da AVINA: http://www.avina.net/. O encerramento das inscrições ocorrerá no dia 1° de julho (terça-feira). Não deixe sua inscrição para última hora, pois o formulário de inscrição exige algum tempo para seu preenchimento!

AVINA e Organizações apoiadoras

Bolsas AVINA de Investigação Jornalística conta com o apoio da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), Asociación de Periodistas Europeos (APE), Foro de Periodismo Argentino (Fopea), Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), Communication Initiative Latin America (CILA), Alianza de Comunicadores para el Desarrollo Sostenible (ComPlus), Reporters d´Espoirs e Knight Center for Journalism in the Americas.

AVINA tem como missão associar-se com líderes da sociedade civil e do empresariado em suas iniciativas para o desenvolvimento sustentável na América Latina.
Para mais informações, escreva para: becas@avina.net

Curso do Estadão 2008


O programa do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado é voltado prioritariamente para os aspectos práticos da profissão.



Podem se inscrever para o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado jornalistas formados até dois anos antes de sua realização ou alunos do último ano ou semestre das escolas de jornalismo de todo o Brasil.


O Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado, criado em 1990 por decisão conjunta das diretorias de O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Agência Estado e Rádio Eldorado, é reconhecido como Extensão Universitária em Jornalismo pela Faculdade de Comunicações da Universidade de Navarra (Espanha).

CLIQUE AQUI PARA FAZER SUA INSCRIÇÃO - 10 de maio a 01 de julho

Prova de seleção - 03 de agosto

Divulgação dos 60 pré-classificados - 17 de agosto

Entrevistas - 19, 20 e 21 de agosto

Divulgação dos 30 selecionados para o curso - 24 de agosto

Curso de 01 de setembro a 05 de dezembro

segunda-feira, 12 de maio de 2008

domingo, 11 de maio de 2008

LSD dominical no Estadão


Um maravilhoso Dia das Mães, Rosamaria


Velhas frases


Conheça 68 das frases mais marcantes de maio de 68

Do G1

Uma das principais marcas dos protestos de estudantes e operários na França, em 1968, foram os slogans escritos nos muros e cartazes espalhados por Paris, das faculdades de Sorbonne, Nanterre e Belas Artes aos arredores do Teatro Odéon e dos Boulevards Saint-Michel e Saint-Germain.

Irreverentes e provocadoras, de forte teor surrealista, as mensagens eram dirigidas não só ao poder, aos patrões e à polícia -mas também aos próprios estudantes e às instituições da esquerda tradicional. Confira abaixo 68 desses slogans:
"Abaixo a sociedade de consumo."
"Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo."
"A ação não deve ser uma reação, mas uma criação."
"O agressor não é aquele que se revolta, mas aquele que reprime."
"Amem-se uns aos outros."
"O álcool mata. Tomem LSD."
"A anarquia sou eu."
"As armas da crítica passam pela crítica das armas."
"Parem o mundo, eu quero descer."
"A arte está morta. Nem Godard poderá impedir."
"A arte está morta, liberemos nossa vida cotidiana."
"Antes de escrever, aprenda a pensar."
"A barricada fecha a rua, mas abre a via."
"Ceder um pouco é capitular muito."
"Corram camaradas, o velho mundo está atrás de vocês."
"A cultura é a inversão da vida."
"10 horas de prazer já."
"Proibido não colar cartazes."
"Abaixo do calçamento, está a praia."
"A economia está ferida, pois que morra!"
"A emancipação do homem será total ou não será."
"O estado é cada um de nós."
"A humanidade só será feliz quando o último capitalista for enforcado com as tripas do último esquerdista."
"A imaginação toma o poder."
"A insolência é a nova arma revolucionária."
"É proibido proibir."
"Eu tinha alguma coisa a dizer, mas não sei mais o quê."
"Eu gozo."
"Eu participo. Tu participas. Ele participa. Nós participamos. Vós participais. Eles lucram."
"Os jovens fazem amor, os velhos fazem gestos obscenos."
"A liberdade do outro estende a minha ao infinito."
"A mercadoria é o ópio do povo."
"As paredes têm ouvidos. Seus ouvidos têm paredes."
"Não mudem de empregadores, mudem o emprego da vida."
"Nós somos todos judeus alemães."
"A novidade é revolucionária, a verdade, também."
"Fim da liberdade aos inimigos da liberdade."
"O patrão precisa de ti, tu não precisas do patrão."
"Professores, vocês nos fazem envelhecer."
"Quanto mais eu faço amor, mais tenho vontade de fazer a revolução. Quanto mais faço a revolução, mais tenho vontade de fazer amor."
"A poesia está na rua."
"A política se dá na rua."
"Os sindicatos são uns bordéis."
"O sonho é realidade."
"Só a verdade é revolucionária."
"Sejam realistas, exijam o impossível."
"Tudo é Dadá."
"Trabalhador: você tem 25 anos, mas seu sindicato é de outro século."
"Abolição da sociedade de classes."
"Abram as janelas do seu coração."
"A arte está morta, não consumamos o seu cadáver."
"Não nos prendamos ao espetáculo da contestação, mas passemos à contestação do espetáculo."
"Autogestão da vida cotidiana"
"A felicidade é uma ideia nova."
"Teremos um bom mestre desde que cada um seja o seu."
"Camaradas, o amor também se faz na Faculdade de Ciências."
"Ainda não acabou!"
"Consuma mais, viva menos."
"O discurso é contra-revolucionário."
"Escrevam por toda a parte!"
"Abraça o teu amor sem largar a tua arma."
"Enraiveçam-se!"
"Ser rico é se contentar com a pobreza?"
"Um homem não é estupido ou inteligente: ele é livre ou não é."
"Adoro escrever nas paredes."
"Decretado o estado de felicidade permanente."
"Milionários de todos os países, unam-se, o vento está mudando."
"Não tomem o elevador, tomem o poder."

Novas interpretações



Segredos no paraíso -

Enviado por Vitor Hugo Soares - Blog do Noblat

Foram suspensas ontem (sexta), pela Marinha e Aeronáutica, as operações de buscas pelo avião Cessna desaparecido na semana passada, quando fazia o percurso entre Salvador e Ilhéus e sobrevoava a costa sul da Bahia. A bordo do bimotor de uma empresa de táxi-aéreo, dois tripulantes locais, quatro empresários britânicos e muitos segredos, submersos no pedaço de paraíso no Atlântico cuja orla abriga alguns dos mais exclusivos empreendimentos turísticos e imobiliários do País.

Familiares dos ingleses agradeceram às autoridades, em nota sintética, pelos esforços na procura dos desaparecidos, que seguem agora a cargo da PM e voluntários na região. Os empresários foram identificados como AlanKempson, Ricky Every, Nigel Hodges e Sean Woodhall, este último, presidente da World Wide Destinations (WWD), cujo projeto de maior visibilidade no Brasil é o "Barra Nova Pearl Eco-Nature Resort", entre Ilhéus e Itacaré. Busca mais refinada na Internet, porém, conduz a revelações surpreendentes sobre viagens e transações de Woodhall antes do acidente.

As primeiras suspeitas sobre a movimentação do empresário britânico por paraísos turísticos da Espanha, Caribe e América do Sul foram levantadas em março de 2006, quando o jornal "El Mundo" publicou reportagem sobre achamada "Operação Malaya". O tradicional diário de Madri teve acesso a um informe detalhado depois da detenção, por ordem judicial, de 28 pessoas acusadas de envolvimento no "Escândalo de Marbella" - rumoroso caso de desvio de verbas públicas e suborno de autoridade que abalou a cidade consagrada como um dos mais sonhados destinos de férias e badalação de gente rica e celebridades do mundo inteiro até pouco tempo.

A Unidade Central de Inteligência da Polícia (UCI) e o Serviço Executivoda Comissão de Prevenção da Lavagem de Capitais (Sepblac), encarregados de investigar um dos maiores escândalos na Europa naquele ano, entraram em campo com vontade. Mas ainda tentam descobrir onde estão as centenas de milhões de euros conseguidos por alguns dos principais imputados pelo juiz Miguel Angel Torres neste assalto aos cofres públicos, entre eles Carlos Sanchez, Juan Antonio Roca e Andrés Lietor, peixes grandes espanhóis fisgados no caso.

Anexo de um informe do Sepblac, em poder do "El Mundo", falava de "outras pessoas" envolvidas nas tenebrosas transações e traçava o caminho percorrido na época pela maior parte do dinheiro, que em grande parte ia parar em "lavanderias" de edens turísticos da República Dominicana. Sepblac indicou que a sociedade anônima "Punta Perla Caribbean Ltda", por exemplo, remeteu mais de 11 milhões de dólares à empresa "Paraíso Tropical", controlada diretamente por Carlos Sanchez e seus sócios espanhóis.

A partir daí, as suspeitas apontam também na direção do empresário britânico que consta da lista dos desaparecidos no desastre da semana passada na Bahia. O informe da polícia espanhola destaca que Sean Woodhall é também diretor na sociedade "Paraíso Tropical". O empresário inglês passou a ser considerado o "eslabon necessário" (elo necessário) entre os investidores espanhóis e os projetos dominicanos.

As investigações citadas na reportagem de "El Mundo", depois aprofundadas em jornais dominicanos, denunciam ainda o empresário britânico como beneficiário dos fundos remetidos pela "Sungolf Desarollo Inmobiliário", outra das sociedades que participam do projeto Punta Perla no paraíso caribenho. O site noticioso dominicano, Clave Digital, acrescenta: em seu país, a Inglaterra, o empresário foi acusado e julgado por envolvimento em uma fraude escandalosa no ramo de venda de automóveis. Woodhall teria admitido a sua responsabilidade e foi sentenciado a 18 meses de prisão. Cumprida a pena, mudou-se para a Espanha, e ingressou em negócios ligados ao setor imobiliário.

Ultimamente a WWD, presidida por Woodhall, tocava importante empreendimento turístico-imobiliário no Sul da Bahia: o "Barra Nova PearlEco-nature Resort". Complexo de luxo, com investimentos avaliados na casa dos R$ 500 milhões, o complexo "Barra Nova Pearl" prevê a construção de um hotel de luxo, um condomínio de 1,3 mil apartamentos e um seletíssimo campo de golfe.

Tudo isso em "bela área da Bahia, de clima político seguro, praias deslumbrantes, habitat tropical, comida exótica, cultura colorida e vibrantes localidades, perfeitas como destino", segundo exalta o site da empresa. Na fase de pré-lançamento, um apartamento de dois quartos no Resort estaria sendo anunciado por imobiliárias inglesas por 67 mil libras esterlinas e por americanas ao preço de 130 mil dólares, segundo o jornal Correio da Bahia em informação creditada à Agência Estado (AE).

"Histórias como esta vão longe de carro ou avião, se pegam boa estrada ou céu de brigadeiro", diria certamente se vivo estivesse o grande cronista baiano Raimundo Reis. No caso de Sean Woodhall, a viagem foi interrompida tragicamente na costa sul baiana. Na nota em que agradecem os esforços de buscas aos desaparecidos no desastre do bimotor, familiares dos empresários ingleses pedem à imprensa que "continue e respeitar nossa privacidade neste momento difícil". Seguem os segredos no paraíso tropical da Bahia.

* Vitor Hugo Soares é jornalista. http://E-mail:vitors.h@ig.com.br/

Novos tempos


Novas inteligências


sábado, 10 de maio de 2008

SBPJor 2008



Chamada de Trabalhos

VI Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo

Tema: “A construção do campo do jornalismo no Brasil”

São Bernardo do Campo, 19 a 21 de novembro de 2008

Promoção: SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo) - http://www.sbpjor.ufsc.br/

Realização: UMESP (Universidade Metodista de São Paulo)

1. Modalidades de apresentação:
Os trabalhos poderão ser encaminhados na forma de Comunicações Individuais ou de Comunicações Coordenadas.
2. Comunicações Individuais: O autor deve encaminhar o texto completo, que deve conter entre 20 mil e 35 mil caracteres (com espaço), já inclusas as referências bibliográficas. São obrigatórios os seguintes itens: título, resumo de até 10 linhas, 5 palavras-chave, resumo do currículo do autor em até 3 linhas (incluindo suavinculação institucional). O texto deve ser redigido em fonte Times New Roman, corpo 12, entrelinhamento 1,5. Citações recuadas devem ser redigidas em corpo 10, espaço simples.

3. Comunicações Coordenadas: As Comunicações Coordenadas poderão ser propostas por associados plenos (doutores) da SBPJor, incluindo o mínimo de quatro e o máximo de seis trabalhos, com autores de pelo menos três diferentes instituições. O proponente deverá ser um dos autores. São obrigatórios os seguintes itens: título da Comunicação Coordenada, ementa que sintetize e justifique a proposta da Comunicação Coordenada (10 a 15 linhas), 5 palavras-chave. Todos os textos que compõem a Comunicação Coordenada deverão ser encaminhados completos, seguindo as mesmas regras estabelecidas para as Comunicações Individuais no item 2 (incluindo resumo, palavras-chave e currículo resumidodo autor).
4. Prazo e forma de encaminhamento: Os trabalhos serão recebidos de 01 de junho a 15 de julho de 2008, através do link http://www.sbpjor.ufsc.br/artigos2008 . Não haverá prorrogação de prazo. Não é necessário pagar inscrição para submeter trabalhos.

5. Cada autor só pode submeter um trabalho, em autoria única ou co-autoria. Não é permitido ao mesmo autor participar de uma Comunicação Coordenada e de uma Comunicação Individual.

6. Trabalhos de graduandos só serão aceitos em regime de co-autoria com graduados.

7. Resultados: Os resultados da seleção serão comunicados aos autores das Comunicações Individuais e aos proponentes das Comunicações Coordenadas até 31 de agosto de 2008.

8. Inclusão nos anais: Só será incluído nos anais o trabalho do autor que efetivar sua inscrição no congresso até o dia 30 de setembro de 2008.

Marcia Benetti
Diretora Científica da SBPJor

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Duelo













Dálcio Machado - Correio Popular (Campinas)

Mais oportunidades para mestres em comunicação


O Conselho de Ensino e Pesquisa da UFF aprovou quarta-feira a realização de concursos públicos nas áreas de Jornalismo Empresarial e Jornalismo de Hipermídia.
Os dois concursos são para professor assistente (com título de mestre), em regime de 40 horas, com dedicação exclusiva.
As inscrições serão abertas na reitoria da UFF, na Rua Miguel de Frias, em Icaraí. Informações no site da Universidade Federal Fluminense - www.uff.br

Fabulações do filósofo Divino Habsburgo pelos bosques da reflexão








"Exercito-me diariamente montado no lombo da vida."

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Bolsa espanhola


Bolsas para jornalistas na Espanha

Do Coletiva.Net

A Fundação Diálogos, da Espanha, recebe inscrições até 30 de junho para 20 bolsas do Programa Balboa para Jovens Jornalistas Ibero-americanos - edição 2009. Jornalistas formados, com menos de 30 anos e com um nível superior em Espanhol – comprovado por um certificado como o do Instituto Cervantes – podem concorrer à bolsa. As inscrições podem ser feitas através do site www.programabalboa.com. O programa engloba seis meses e meio, entre os meses de fevereiro e julho, para participar de 896 horas de trabalho em um meio de comunicação, empresa, instituição pública ou privada em Madri, além de 200 horas-aula. Os participantes irão ganhar a passagem, seguro-saúde e uma bolsa de mil euros cada. O programa tem o patrocínio da empresa Telefônica.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Aqui é assim

Tá ligado?


Gabriel García Márquez publicará novo livro sobre o amor

Redação Portal IMPRENSA

O escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1982, publicará antes do fim de 2008 um novo livro sobre o amor.

As informações são do jornalista Darío Arizmendi, diretor da rádio Caracol: "tive a felicidade de estar neste fim de semana no México com o escritor e posso garantir que ele está dando os últimos retoques em seu novo romance", disse o jornalista.

De acordo com Arizmendi, o livro está pronto e será lançado em agosto ou setembro. Ele afirmou que a nova obra de Márquez, de 81 anos, terá 250 páginas e será uma evidência de que está "lúcido" e plenamente produtivo em sua ampla carreira como escritor.

As informações são da AFP

Circo da notícia


JORNAIS EM CRISE
A opinião de Sua Excelência, o leitor

Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa

Em todos os comentários sobre a grande entrevista do novo ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, este colunista sentiu falta de um ponto: a queda brutal de circulação dos jornais em todo o país. Carlos Eduardo disse que, ao contrário da imprensa americana, a brasileira manteve a credibilidade, embora tenha perdido influência. Tudo bem: se a nossa imprensa manteve a credibilidade, como explicar que a circulação dos grandes jornais tenha caído a menos da metade nos na última década?

Houve época, há aproximadamente dez anos, em que a Folha de S.Paulo vendia 1,5 milhão de exemplares aos domingos. Números não tão altos, mas também estrondosos, eram proclamados pelo Globo, por O Dia. Claro, a internet ainda não competia no mercado de notícias, os sorteios e promoções daquela época não se mantiveram até hoje, surgiram os jornais gratuitos, outros meios de divulgação – até os celulares! – disputam uma fatia do bolo. Mas isto não explica como os jornais que tiravam mais de um milhão de exemplares tenham de contentar-se hoje com 400 ou 500 mil. E há outros fatores a analisar: neste período, a população cresceu, tornou-se um pouco mais rica, e o dólar, a moeda do papel e dos equipamentos, provavelmente está hoje mais barato do que naquela época.

A queda de circulação dos grandes jornais mostra que a imprensa perdeu, sim, credibilidade; perdeu boa parte de sua empatia com o público. É provável que o consumidor de notícias, exposto à Escola Base, ao Bar Bodega e a tantas outras lambanças, tenha concluído que, de tão desmentidos pelos fatos, os jornais talvez não valessem os reais gastos em sua compra. Se é para consumir emoção e ficção, por que não uma telenovela, que ainda por cima é de graça?

Já que estamos em tempos de farto noticiário econômico, vamos imaginar que uma grande empresa de qualquer setor tenha perdido algo como dois terços da venda nos últimos dez anos. Qual teria sido o comportamento de suas ações na Bolsa? E qual o conceito que atribuiríamos aos produtos que perderam mercado em tamanha proporção?

Imprensa e cinema

Nesta coluna, já falamos do clássico A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder, com Kirk Douglas, como um grande filme sobre imprensa. Há outros que um jornalista não pode deixar de ver: A Primeira Página, por exemplo, dirigida pelo mesmo Billy Wilder, com Jack Lemmon, Walter Matthau e Susan Sarandon. Ou Ausência de Malícia, dirigido por Sidney Pollack, com Paul Newman e Sally Field.

Mas um dos melhores filmes sobre jornalismo é um faroeste que só trata de jornalismo em uma única frase: é O Homem que Matou o Facínora, dirigido por John Ford, com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e Vera Miles. Sua única frase sobre jornalismo é dita, no fim do filme, pelo diretor de um obscuro jornal de uma minúscula cidade: "Quando a lenda é melhor do que o fato, imprima-se a lenda".

Uma só frase, e definitiva.

A Censura, de novo

Por que os jornais da Paraíba não podem publicar anúncios pornográficos e de serviços de sexo?

Dá uma longa discussão: ao pedir a proibição, o Ministério Público paraibano se baseou no Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 78: "revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes devem ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo". Já a defesa se baseia na Constituição Federal, que veda a censura.

Que a questão de Direito seja discutida no foro competente. Mas não se pode ignorar que crianças e adolescentes têm acesso fácil a "material impróprio ou inadequado", na TV aberta, na TV por assinatura, na internet. Sim, há a classificação dos programas conforme o horário, mas esqueceram de combinar com as crianças para que elas desliguem a TV no horário que as autoridades acham adequado. E que ninguém use o argumento de que a internet não é massificada: é, sim. E quem não tem internet tem acesso fácil a computadores, onde pode ver e ouvir hits como o "Vá Tomar", o "Tapa na Pantera" e assistir ao Pornotube.

É ruim? Se for ruim, como evitá-la? É coisa para ser discutida entre especialistas. Mas que não se puna um jornal por divulgar coisa muito mais inocente do que se vê em casa, sem pagar nada.

De novo, a Censura

A proibição da Marcha da Maconha vale alguma reflexão. A maconha é ilegal e a Marcha foi considerada apologia de ato ilegal. Certo, mas como é que os defensores do uso da maconha poderão pedir a mudança da lei?

A propósito, antes que comece a patrulha, este colunista não fuma maconha, nem cigarro, e está convencido de que ambos não prestam, além do que cheiram mal e incomodam quem está por perto. Mas há outras coisas que não prestam que não são ilegais; e há comportamentos e produtos que já foram proibidos que hoje são aceitos. Alguém se lembra do que ocorria com um rapaz quando "fazia mal à moça"? Matar "em legítima defesa da honra", lavar os chifres com sangue, já foi um comportamento aceito e livrou muito corno assassino da prisão. Não consumir carne de porco era, para a Inquisição, um forte indício de comportamento judaizante, crime terrível, a ser punido com a fogueira.

As coisas podem mudar, o comportamento pode mudar, a lei pode mudar. Se a Marcha da Maconha fizer a apologia do consumo de drogas, que sejam punidos os infratores. Mas, caso se limite a defender a mudança das leis que coíbem o consumo de maconha, por que reprimi-la?

É a bola, Ronaldo

Dizia Pitigrilli, notável escritor italiano, que todo ser humano tem cinco minutos diários de imbecilidade. A diferença entre os gênios e as pessoas comuns é que, naqueles cinco minutos, os gênios nada fazem e nada falam.

Ronaldo Gorducho, o Fenômeno, foi vítima dos seus cinco minutos. Fez uma imensa besteira que certamente lhe custará caro. E só há uma maneira de levar o caso ao esquecimento: recuperar-se fisicamente, voltar bem ao futebol, fazer gols. No futebol, muita gente enfrentou escândalos, muita gente teve problemas que não viraram escândalos porque ficaram contidos dentro de seus clubes. Os jogadores de medianos para baixo freqüentemente tiveram a carreira liquidada. Os bons jogadores foram ajudados a sair da crise.

Ronaldo é um craque, é boa gente, já deu muitas alegrias à torcida. Voltando a alegrar os gramados, ninguém se lembrará sequer do nome do travesti que o denunciou.

Alckmin, o bondoso

O ex-governador Geraldo Alckmin, tucano que quer disputar a Prefeitura de São Paulo, também foi vítima dos cinco minutos: disse que eleição é um ato de amor e não haverá nenhum atrito.

Os meios de comunicação foram extremamente gentis com Alckmin e se limitaram a transcrever o que disse, sem qualquer análise. Então, vamos à análise. Em primeiro lugar, eleição não é ato de amor coisa nenhuma: é uma luta pelo poder, com o esmagamento e a destruição do adversário. Segundo, ato de amor exige atrito.

Como é...

Esta é de um grande jornal: "Bush quer gastar US$ 770 mil com crise de alimentos". Meio pouco, não é? Mas quem se der ao trabalho de ler o texto vai encontrar outro número: US$ 770 milhões.

Ainda é pouco, mas a diferença entre o titulo e o texto é de mil vezes.

...mesmo?

E esta vem direto de um tribunal:"Suposto acusado de tentar resgatar presos em Franco da Rocha (SP) obtém liberdade"

Que será um "suposto suspeito"?

E eu com isso?

Você, caro colega, fica se preocupando com o investment grade, e enquanto isso perde contato com o mundo real. Veja só:

1 - Namorada de Guga mostra o dedo

2 - Taís Araújo passeia com Preta Gil no Rio

3 - Atriz Letícia Spiller exibe novo penteado em festa, no Rio

4 - Cantora Ivete Sangalo leva seu namorado ao cinema

5 - Sem sutiã, Janet Jackson recebe prêmio em Hollywood

6 - Carolina Ferraz circula de vestidinho vermelho pelas ruas do Leblon

7 - Deborah Secco usa vestido suspeito

A propósito, que será um "vestido suspeito"?

O grande título

Muita coisa boa apareceu nos meios de comunicação, em termos de títulos notáveis. Há, por exemplo, um daqueles meio misteriosos, que provam que revisor ainda faz falta, mesmo nos maiores veículos:

** Criminosos matam um morre e ferem sete no Campo Limpo

Há um fantástico, segundo o qual quem gosta de alguma coisa gosta de alguma coisa:

** Crianças vegetarianas não torcem o nariz para legumes e verduras

Temos outro que certamente algum leitor perito no assunto poderá nos explicar:

** Padrão de locomoção de tubarões é semelhante ao de seres humanos no mercado

E um que parece imbatível, já que mistura non-sense com rima:

** Mexicanos acampam na esquina onde termina América Latina

Este lembra o falecido programa de TV Times Square. A música de abertura dizia algo como "Times Square/é uma esquina". Sérgio Porto (também conhecido pelo famoso pseudônimo Stanislaw Ponte Preta), redator do programa, talentosíssimo, culto, explicou ao diretor que Times Square, tanto em Londres como em Nova York, era uma praça, não uma esquina. Aliás, "square" quer dizer "praça". O diretor do programa, atarefado, disse-lhe para não encher o saco com besteiras. E a música durou enquanto durou o programa.

domingo, 4 de maio de 2008

Como fazer matéria nas coxas sobre Jornalismo Literário - é só entrevistar o organizador da coleção sobre Jornalismo Literário


Entrevista - Matinas Suzuki Jr.

“Jornais são para emocionar”

Jornalista que trabalhou na Folha de S. Paulo faz uma lista de motivos para as pessoas jamais deixarem de ler os jornais impressos

Matinas Suzuki Jr. trabalhou por quase duas décadas no jornal Folha de S. Paulo, do qual continua colaborador. No meio editorial, é curador da coleção Jornalismo Literário, da Companhia das Letras, que estreou com Hiroshima (2002), de John Hersey, e acabou de lançar O Livro da Vida – Os Obituários do New York Times. Ex-presidente do portal iG, foi também apresentador do programa de entrevistas Roda Viva, da tevê Cultura, por mais de três anos.

A seguir, Suzuki Jr. faz uma lista de motivos para as pessoas jamais deixarem de ler os jornais impressos.

Gazeta do Povo – Já que a internet, o rádio e a televisão dão conta das hard news, o jornalismo literário seria uma saída possível para a crise na imprensa, o motivo que pode levar as pessoas a ler ou continuar lendo jornais?

Matinas Suzuki Jr. – Eu não assumiria que os veículos eletrônicos e a internet dão conta de todo o espectro que você chama de hard news. Rádio e TV têm limitações de tempo. O noticiário via internet ainda apresenta várias falhas, sobretudo na dificuldade de navegar com uma oferta tão ampla de notícias.

Eu surfo por vários sites de notícias e de jornais diariamente. Mesmo assim, descubro nas páginas da "Folha", do "Estado" e do "Globo" coisas que eu não consegui ver na internet. Eu consigo olhar diariamente a "Folha" inteira - e isso me dá a sensação de que fiquei bem informado; eu não consigo, por exemplo, olhar o site do "New York Times" inteiro, diariamente. Para ler um jornal inteiro na internet, você, por mais paradoxal que seja, vai gastar mais tempo e mais energia, por que a internet é mais caótica, menos organizada. Portanto por mais matérias que eu leia no site do "New York Times", eu encerro a navegação com a sensação de que não consegui me informar inteiramente sobre tudo importante que há ali. Por outro lado, hoje eu posso me dar ao luxo de ler o "New York Times" diariamente, coisa que eu não podia fazer antes da internet. Essa leitura do "Times" está me tomando tempo de alguma outra ativiadade que eu exercia antes.

As pessoas estão deixando de ler jornais (se é que isso é verdade), na minha opinião, não só porque existem fontes de noticiários mais instatâneas e mais baratas hoje em dia. Elas estão deixando de ler jornais por que a vida delas, como um todo, está mudando. Elas estão deixando de ver também televisão aberta. Isso tudo ocorre por que estão mudando seus hábitos muito rapidamente. Achar que a eventual crise dos jornais é só por causa da internet e dos veículos eletrônicos e ter uma visão muito parcial do fenômeno - que vai levar a conclusões não inteiramente verdadeiras.

As pessoas não lêem os jornais apenas para se informar: elas lêem também para se emocionar, para ter um sensação que o mundo tem uma integralidade (difícil de passar pela internet), para concordar ou não com uma opinião, para se divertir, para ter assuntos comuns com os amigos e colegas de trabalho, para firmar um status, para preencher parte da sua rotina, para não se sentirem solitárias... Enfim, as razões que levam uma pessoa a assinar um jornal são muitas e amplas. É difícil que tudo isso seja substituído de uma hora para a outra. Portanto, eu acredito que ainda exista muita oportunidades para os jornais e revistas de papel. E olhe que sou fundador do primeiro jornal com DNA de internet no Brasil, o Último Segundo.

GP - De que forma você explicaria o interesse relativamente novo pelo jornalismo literário no mercado editoral brasileiro? (Lançamentos de livros e das revistas Piauí e Brasileiros são exemplos desse fenômeno.)

Eu acho que parte dos leitores mais informados e das novas gerações que estudam jornalismo estavam e estão cansados dos modelos e das fórmulas exaustivamente repetidas pelos jornais e revistas do mercado. E, no Brasil, existe um grande número de ótimos jornalistas que estavam fora das redações, justamente por não se adaptarem mais à padronização existente. Daí o interesse por um jornalismo com mais refinamento estílisco, seja por meio da leitura dos clássicos no gênero, seja pelo lançamento de novas publicações. Essas publicações mostram que o jornalismo de papel está bem vivo no Brasil. De certa maneira, elas já nasceram "maduras", com um jornalismo de qualidade superior ao que se via rotineiramente no mercado. Eu acho também que há sinais de mudanças na imprensa em geral: a "Época" tem valorizado algumas reportagens com textos mais pessoais e bem trabalhados, os obituários do William Vieira, na "Folha", também têm uma liberdade estilística que foge ao padrão de texto de agência de notícias que é a tônica do jornal.

GP - Três anos atrás, no posfácio de "Radical Chique e o Novo Jornalismo", de Tom Wolfe, o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos cita a ausência total de espaço para o jornalismo literário nos veículos brasileiros. Três das desculpas mais freqüentes para essa falta seriam: "isso não vende jornal", "o leitor não tem mais tempo para ler isso tudo" e "isso é coisa de intelectual, agora o leitor quer tudo mastigadinho". Poderia comentar essa situação? (Algo mudou? O que pensa dos leitores? E como se sente na condição de leitor?)

De certa forma, isso não é um privilégio brasileiro. A grande maioria dos textos que se incluem no que chamamos, com alguma liberdade, de jornalismo literário, foram publicadas em revistas, e em um tipo especial de revista como "New Yorker", a "Esquire" dos anos 60, a "Rolling Stone". Não há uma tradição de publicação desses textos em jornais, com raras exceções. Em 2005, por exemplo, o maior jornal de Denver, no Colorado, dedicou várias páginas para uma matéria especial do seu redator de obituários, Jim Sheeler, sobre como os "marines" recebiam os seus mortos nos combates do Iraque. Ela foi uma das premiadas pela Associação dos Jornais Americanos.

Creio que uma das maneiras de se reagir à padronização excessiva seria abrir janelas para zonas de uma maior criatividade dentro dos jornais e revistas. E alguns temas precisam de mais espaço também, para se mostrarem efetivamente. Um grande crítico de jornais, A.J.Liebling, dizia que os perfis publicados em jornais pareciam desenhos de criança: sem perspectiva, sem proporções. Assim como não se pode imaginar a grandeza épica de uma Guernica, do Picasso, reduzida a uma tela de 50 X 60 cms, bons perfis e bom jornalismo literário, para expressarem toda a sua força, precisam de mais espaço. Os editores de jornais e revistas precisam se tornar conscientes deste fato. Os melhore leitores do jornal, aqueles que ajudarão a construir a reputação dos veículos, hão de apreciar, aqui e ali, matérias mais longas, desde que bem escritas e que versem sobre assuntos de real interesse.

GP - É fato que a função de repórter está (ou continua) em baixa na imprensa brasileira? Dizem que um repórter que quer ganhar melhor precisa largar da reportagem para virar editor e, se busca realização, precisa abandonar o emprego para tentar escrever um livro-reportagem (o que, quase sempre, significa ganhar ainda pior).

Na média, editores sempre ganharam mais do que os repórteres, em qualquer publicação. O cargo de editor acarreta um acumulo de responsabilidades que não pesam sobre os ombros dos repórteres. Há uma visão distorcida sobre o papel dos editores que é preciso corrigir. Uma publlicação só de repórteres seria impossível, ainda que não se faça grande jornalismo sem grandes repórteres. Gay Talese, Tom Wolfe, Norman Mailer, Lillian Ross, Truman Capote etc., só puderam fazer as reportagens que fizeram por que encontraram a cumplicidade e o estímulo de grandes editores como William Shawn, Harold Hayes, Clay Felter.

A primeira grande reportagem do Tom Wolfe para o "new journalism", se dependesse exclusivamente dele, nem sequer seria escrita: foi graças á cobrança dos editores da "Esquire" que ele enviou um "relatório" do que havia apurado sobre os fãs de carrões na Califórnia, que a matéria finalmente saiu. Eles acharam a linguagem do relatório inovadora e propuseram algumas modificações. Nascia ali uma estrela do novo jornalismo.

É mais bonito vender a noção romântica do repórter com um herói da liberdade cerceado por editores caretas, mas ela não corresponde à verdade. Sem Bill Shawn, John Hersey não teria escrito "Hiroshima". Shawn e Harold Ross, o publisher da "New Yorker", fizeram cerca de duzentas sugestões de mudanças no texto original de Hersey. No final, Ross ainda achou que ficou faltando algumas coisas...

Para fazer um tipo de jornalismo mais pessoal, o Gay Talese saiu do "New York Times". Até nos EUA é assim. Eu não acredito que o jornalismo mais pessoal tenha como a sua principal morada os jornais de interesse geral diários. É o mesmo que querer fazer documentários nos 20 minutos de tempo no ar que tem o noticiário diário da TV. Um bom documentário precisa de cerca de 50 minutos, uma hora, no mínimo, o dobro de tempo que têm os noticiários diários. Esse tipo de jornalismo vai precisar de horários especiais. Mas eu acho também, que de quando em quando, faria bem aos jornais e revistas dessem espaço para este tipo de jornalismo.

GP - Em entrevista a Gazeta do Povo, José Hamilton Ribeiro comentou que vários amigos deixaram dos empregos para investir em livros de grandes reportagens e a maioria se frustrou. Ou porque não conseguiu sobreviver sem uma fonte de renda ou porque se chocaram com a falta de interesse (à época) de editores e leitores por obras do gênero. Hoje, quais são as opções para um repórter com talento e texto de qualidade?

Hoje se edita muito mais títulos no Brasil do que se editava há 20 anos atrás. Mesmo assim, tirando uma duas ou três, existem poucas editoras realmente saudáveis economicamente no Brasil. Acho difícil que se consiga viver de livros reportagens no Brasil, com exceção de poucos autores ou de poucos livros que conseguem vender uma quantidade maior de exemplares. Nosso mercado editorial - livros, revistas, jornais - é pequeno. Temos poucos leitores e pouco investimento publicitário nesses veículos.

Quem abraçar a profissão de jornalismo não pode ser ingênuo com relação a essas questões. Tem de saber que vai levar uma vida difícil neste país, assim como levam os professores, os médicos de saúde pública, os poetas, os pintores... Esse é o nosso país e nós temos de lutar para melhorar essa situação, mas sem visões inocentes. Passei os últimos anos da minha vida profissional tentando ajudar a viabilizar novos veículos no Brasil, pois achei que esta era uma contribuição para mudar a atual situação de muita concentração de poder em alguns grupos. Isso não é bom para o país, não é bom para a democracia. Em parte, fazer jornalismo no Brasil é procurar abrir novas opções de trabalho.

GP - Se tivesse que indicar um – e apenas um – livro de jornalismo literário para um leitor que nunca ouviu falar do assunto, que título indicaria e por quê?

"Hiroshima", de John Hersey, que é o primeiro volume da coleção Jornalismo Literário e é considerado a melhor reportagem já feita.

Um dos consensos em torno do jornalismo literário diz que "a questão factual", ou "a questão da veracidade factual" é uma das mais complicadas relacionadas ao gênero e que jamais será completamente resolvida. Qual a sua opinião a respeito dela? O jornalismo literário tende mais para o jornalismo ou para a literatura?

Para responder a essa questão, que não pode ser tratada levianamente, eu precisaria escrever um livro, pois ela é complexa e exige a exposição de várias premissas. A questão do factual é tratada com muita superficialidade. Há uma visão redutora que acha que o jornalismo literário - ou a literatura de não-ficção, como bem definem os americanos - é apenas uma questão de texto. Não é. Ele envolve muito mais do que isso e, mais importante até do que o texto, é o trabalho de apuração. O jornalismo literário EXIGE um mergulho em profundidade no tema que está sendo abordado. Ele exige pesquisa, levantamento de um número amplo e inovador de fontes, ele exige que se gaste sola de sapato, e sobretudo, ele exige CONVIVÊNCIA com o tema, amadurecimento das reflexões sobre ele e o desenvolvimento de um PONTO-DE-VISTA.

O texto inovador será consequência de todo esse processo de trabalho. Capote, talvez o mais polêmico de todos os autores do "jornalismo literário", levou seis anos para escrever "A Sangue Frio". Quem conhecia a hístória dos dois assassinos melhor do que ele? Ninguém. A história é então narrada sob o ponto-de-vista que ele desenvolveu ao longo desse tempo todo de trabalho, apuração, entrevistas, convivência com as pessoas. 90% das reportagens supostamente "verdadeiras factualmente" não tem a riqueza do processo de apuração que tem o jornalismo literário.

Gostaria de lembrar também que a checagem de fatos no jornalismo literário - princilpamente em publicações como a "New Yorker" e a "Esquire" - são talvez até mais rigorosas do que as checagens que são feitas no dia-a-dia de um grande jornal. Gay Talese chegou a entrevistar novamente os seus personagens, a pedido do departamento de checagem da "Esquire". Os checadores da "New Yorker" foram atrás dos personagens citados por Truman Capote em "A Sangue Frio". Mesmo assim, é possível que tenha escapado informações incorretas. Isso é inerente ao processo de se fazer jornalismo - veja-se os erros aos borbotões que são feitos diariamente pelo jornalismo factual. O que não se pode é acusar levianamente, sem entender e conhecer realmente todo o processo de confeção do jornalismo literário. E entender também que o jornalismo com um "ponto-de-vista" é uma das modalidades do jornalismo - e, desde que esteja embasado em fatos e em apuração extensiva, pode ser grande jornalismo.

e indicar uma seleção com 8 títulos, dos quais 7 são da editora do entrevistado


Confira uma seleção de títulos indispensáveis (todos disponíveis no Brasil) para qualquer um interessado em jornalismo.

FAMA & ANONIMATO - Gay Talese, Companhia das Letras, 536 págs., R$ 62.

DENTRO DA FLORESTA - David Remnick, Companhia das Letras, 576 págs., R$ 65.

A SANGUE FRIO - Truman Capote, Companhia das Letras, 440 págis., R$ 52.

A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE DA AVENIDA PAULISTA - Joel Silveira, Companhia das Letras, 216 págs., R$ 40,50.

O SEGREDO DE JOE GOULD - Joseph Mitchell, Companhia das Letras, 160 págs., R$ 36.

HIROSHIMA - John Hersey, Companhia das Letras, 176 págs., R$ 37,50.

FILME - Lillian Ross, Companhia das Letras, 312 págs., R$ 52.

O GOSTO DA GUERRA - José Hamilton Ribeiro, Objetiva, 144 págs., R$ 26,90.

Não enrola, rapá


MADAME NATASHA

Elio Gaspari

Madame Natasha é uma combatente na defesa do idioma e decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo ao doutor Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Industriais e Segurança. Ele fez uma palestra com o seguinte tema:
'Contextualização de trajetórias de eventos internacionais sob diversas vertentes que condicionam as possibilidades do presente e instruem expectativas futuras de segurança e de estratégias de ações públicas e privadas para sua consecução.'
Natasha acredita que ele quis dizer o seguinte: 'O que vai pelo mundo'.

sábado, 3 de maio de 2008

Por acaso


No mundo da Lua

Por Sabrina Passos

Que o mundo está ficando pequeno para tanta publicidade, tudo bem, eu já tinha percebido. Agora, Times Square que se cuide. O grande próximo 'passo para a humanidade' é anunciar... na Lua. Isso mesmo, sabe aquela Lua supercheia que vela os melhores abraços, beijos e banhos de mar? Aquela mesma no topo do dia mais perfeito ou da noite mais assustadora? A Google já anunciou que o projeto Out-of-Home (OOH) inclui a tal na lista de 'mídias' potenciais. Para 2010, em parceria com a Virgin Galactic, a empresa prevê a criação de um banner high-tech do tamanho de quatro campos de futebol americano, feito de um alumínio especial que criará lentes de projeção. Freqüências eletrônicas devem ajustar cor e brilho para criar o equivalente a um slide show na superfície da Lua.

Uau.

Não perguntem detalhes. Me neguei a procurar mais informações quando li que a tal empreitada pode rolar mesmo. O diretor de uma coisa conhecida como o escritório das Nações Unidas para Relações Espaciais (UNOOSA), Rudolf Hoffman, diz que como não há intenção de construir nada na Lua, não há razão para proibir. Ele lembra que não há precedente do tipo (jurisprudência zero) para discutir o assunto. Tudo indica que pode rolar mesmo.

...

Sem fôlego para brigar com a Google - mas com muita diversão e dinheiro no bolso - a cerveja Rolling Rock anuncia que seu anúncio na Lua está mais perto do que a Google pode imaginar. Desde março, a companhia americana de Missouri espalha outdoors pelo país dizendo que vai anunciar na Lua. Eu fui conferir o website deles e perdi uma boa meia hora. A estratégia de marketing é gigantesca e envolve diretamente o diretor do departamento, Ron Stablehorn. Ele aparece em vídeos pra lá de divertidos, mostrando as tentativas frustradas de projetar a marca na Lua. Se a coisa é possível ou não (ou se vai rolar ou não) nem São Jorge sabe.

O fato é que a Rolling Rock está planejando para 20 de Abril festas pelos quatro cantos dos Estados Unidos, prometendo a grande aparição do cavalo verde no nosso satélite natural preferido. Quem for maior de 21 pode conferir aqui (http://www.moonvertising.com/default.aspx) a campanha deles. Lunática, com o perdão do adjetivo....A Rolling Rock existe desde 1939 e tem fama pelo marketing intransigente. É dela a campanha famosa por trás dos mistérios do número 33 (vale procurar pra rir). Depois de praticamente patentear o número, a cerveja criou o Rolling Rock Day. Dia 3 de Março, lógico. Lunáticos, sem perdão.

BBB+, BBB- e BBB mais ou menos


Do Diogo Mainardi

Gilberto Freyre chegou perto. Bem mais perto do que Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda. Em todas as suas obras, eles se dedicaram a interpretar o Brasil. Mais do que isso: eles se empenharam em definir o Brasil. E fracassaram. Quem finalmente realizou o feito foi a Standard & Poor’s. Seus analistas acabam de definir o Brasil como BBB-. O país cabe inteirinho nessa nota. Pode jogar fora aquela sua cópia surrada de Casa-Grande & Senzala. O debate nacional está encerrado. O Brasil é BBB-. Eu sou BBB-. Você é BBB-. Um dia, com certa dose de sorte, poderemos nos tornar BBB+.

Pelos critérios da Standard & Poor’s, o Brasil é um bom pagador. O fato de ser classificado como BBB- equivale a ter o próprio cadastro aprovado no crediário do Ponto Frio. Já dá para comprar um freezer a prazo no mercado financeiro mundial. Depois de obter o reconhecimento internacional, o Brasil foi tomado por uma onda de euforia. O assunto contaminou todos os debates. Um professor de medicina da Universidade Federal da Bahia declarou que o batuque do Olodum é um exemplo de primarismo musical. O presidente do Olodum reagiu comparando-o a Adolf Hitler, e acrescentou que o grupo, como o Brasil, tem sua "qualidade reconhecida internacionalmente". Isso significa que, numa hipotética Standard & Poor’s da música, o primarismo do Olodum estaria na categoria BBB-.

Se o risco de tomar um calote por aqui diminuiu, o risco de tomar um tiro na testa continuou igual. No mesmo dia em que os jornais comemoravam o BBB-, conferido pela Standard & Poor’s, O Globo publicou uma reportagem sobre os 18.000 cadáveres recolhidos todos os anos das ruas do estado do Rio de Janeiro. Em média, cada cadáver demora sete horas para ser recolhido pelo Corpo de Bombeiros. Esse também é um bom critério para classificar os países: o grau de naturalidade com que se relatam os horrores cotidianos. Em 23 de abril, O Globo deu a seguinte notícia, escondida numa página interna, num bloco de 7 por 7 centímetros:
"Parte do corpo de uma mulher foi queimada ontem em plena Avenida Brasil, na altura de Guadalupe. Segundo testemunhas, homens trouxeram o corpo da Favela da Eternit. A mulher teve cabeça, braços e pernas arrancados. O tronco, então, foi colocado dentro de pneus para que os bandidos ateassem fogo".

Depois disso, nada mais. A mulher esquartejada e incinerada sumiu do noticiário. Ninguém se espantou com sua morte. Ninguém tentou interpretá-la. Pode jogar fora seu Gilberto Freyre. Pode desmembrá-lo, colocá-lo dentro de pneus e atear-lhe fogo. O Brasil é ainda mais rudimentar do que ele supunha. Nosso primarismo é ainda mais bestificante. Aqui só resta um Olodum mental, um dum-dum-dum mental.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Concurso na Unipampa para mestres em comunicação


A Universidade Federal do Pampa abriu concurso público com inscrições até 19 de maio. Há 4 vagas na área da comunicação social para professor assistente (mestrado), com dedicação exclusiva: uma direcionada ao jornalismo e 3 para publicidade, embora nesta mencione também habilitação em Rádio e TV. Informações no site http://www.unipampa.edu.br/.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dia do Trabalho na redação




Informe do CNPq


Reajuste do valor das bolsas a partir de 1/6/2008

Durante a comemoração dos 57 anos do CNPq nesta quarta-feira (30/04), o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, anunciou que as bolsas de pós-graduação terão reajustes de 27% e 29% a partir de 1o. de junho deste ano. Assim, a bolsa de Mestrado passa ao valor de R$ 1.200,00 e a de Doutorado para R$ 1.800,00. Com relação à implementação anteriormente prevista, o atraso se deve à demora na aprovação do Orçamento da União. Em compensação, os aumentos a serem concedidos excedem os 20% anteriormente anunciados.

Marco Antonio Zago
Presidente do CNPq

E Porto Alegre continua


cada vez mais bela,
inteligente,
gostosa
e pulsante;

com o maior frio do país;

com a melhor cerveja do Brasil;

com o melhor cachorro-quente do planeta;

com o melhor x-búrguer da Terra;

e com a governadora cada vez mais nos e se enrolando.

Casa Fácil