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terça-feira, 31 de março de 2009

Desmissmiolada


Sem noção, Miss Universo acha Guantánamo 'suuuper divertido'

Portal Terra

GUANTÁNAMO - Dayana Mendoza, atual Miss Universo, e Crystal Stewart, Miss Estados Unidos 2009, visitaram as tropas americanas na base militar da baía de Guantánamo, no último dia 20, segundo o jornal The New York Times. A viagem pela ilha durou cinco dias e a Miss Universo publicou em seu blog que Guantánamo é "suuuuper divertido".

"Esta semana, Guantánamo!!! Foi uma experiência incrível... Todos os rapazes do Exército foram surpreendentes com a gente. Visitamos os acampamentos dos detidos e vimos os presídios, o lugar onde eles tomam banho, como eles se divertem vendo filmes, tendo aulas de arte, livros. Foi muito interessante. Pegamos uma carona com os Mariners para conhecer a divisa com Cuba, onde eles nos contaram um pouco da história do lugar", escreveu.

"Eu não queria sair, era um lugar relaxante, tão calmo e bonito", falou sobre uma das praias que conheceu.

A base de Guantánamo é o local onde tropas americanas mantêm presos acusados de terrorismo. Há várias acusações de tortura contra os prisioneiros do local.

Dayana foi eleita Miss Universo em 13 de julho de 2008, e recebeu a coroa no Vietnã. Ela tem 22 anos e foi Miss Venezuela em 2007.

10:24 - 31/03/2009

Esta é a arte em Guantánamo, miss Dayana

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Nós triunfamos


NÃO ERAM SAPATOS GASTOS, ERAM HISTÓRIA

Elio Gaspari

Naquela esplanada onde já houve um mercado de escravos, o movimento de quem chegava para a festa da posse de Barack Obama começou quando ainda era noite e a temperatura estava a 7 graus negativos, suficiente para congelar a água das garrafinhas. Nada havia para fazer senão esperar várias horas. Mas aquela gente esperou séculos.
Desta vez, no chão, a festa era deles, extensiva a quem fosse capaz de gritar 'Obama' com um sorriso no rosto. Para Rodrick Moore, funcionário da Universidade da Carolina do Sul, foram oito horas de volante. Para Eivind Petersen, diplomata norueguês, enrolado num cobertor azul, foram oito horas de voo. Fernando Souza, de Salvador, enrolado na bandeira brasileira, esperava o fim da cerimônia para voar de volta.
Tanya Moore, estudante de Ciências do laboratório no Ohio, tinha outra conta. Às 8h da manhã, quando o sol já aparecera, ela informou:
'Faltam quatro horas para George Bush ir embora'. Repetiria o lance, com absoluta felicidade: 'Faltam 45 minutos'. Não havia lugar melhor para a contagem regressiva de Bush.
Empossado na Presidência, Barack Obama fechou gloriosamente um ciclo da história americana que começou bem antes do nascimento do companheiro, quando uma vendedora chamada Rosa Parks entrou num ônibus, sentou no assento destinado aos brancos e não quis se levantar. Não há apenas um negro na Casa Branca, até porque o pastor Thomas Robb, diretor da Ku Klux Klan, já informou que ele 'é só metade preto'.
Os negros americanos liquidaram a fatura. O presidente é negro. O procurador-geral também, bem como a embaixadora nas Nações Unidas. O trisavô de Michelle Obama foi escravo numa plantação de arroz. Os netos da geração que marchou (ou não) nos anos 60 tornaram-se parte da elite americana. Susan Rice, a embaixadora na ONU, é sobrinha-neta de Vernon Jordan, que em 1961 era um jovem advogado e escoltou a primeira estudante negra admitida por ordem judicial na Universidade da Georgia.
A meia hora de caminhada da escadaria onde Obama tomou posse, está guardado um par de mocassins com os saltos tipo anabela quase completamente comidos. Durante dez anos, aqueles sapatos ficaram em algum canto da casa de uma professorinha negra de 25 anos, mulher de um militante que tomara 125 cadeias por conta das encrencas de Martin Luther King. Eram a um só tempo coisa velha e memorável. Um dia veio-lhe a ideia de oferecer os mocassins ao Museu de História americana. E lá estão eles, com a informação: 'Estes foram os sapatos que Juanita Williams usou na Marcha de Selma'.
Em março de 1965, Barack Obama ainda não completara 4 anos, viviam em Selma (Alabama) 15 mil negros, mas só 156 deles podiam votar. Uma primeira marcha andou seis quarteirões e acabou-se a cacetadas. Não adiantou. Duas semanas depois, os negros marcharam por 80 quilômetros, durante cinco dias e quatro noites. Eram 300 na partida e foram 25 mil na chegada, na capital do estado.
Os sapatos de Juanita eram um pedaço da história dos Estados Unidos e ela percebeu. Depois de Selma, o presidente Lyndon Johnson pôs fim às chicanas eleitorais contra os negros e desafiou uma audiência usando o título de uma canção de protesto: 'We Shall Overcame' ('Nós Triunfaremos'.)
Estranho. Nas festas da posse de Obama evitava-se essa canção. Não precisava, pareceria provocação. Afinal, triunfamos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

E agora, José?


Autor dos discursos de Obama é flagrado em pose embaraçosa com boneco de Hillary

O Globo

Autor dos elogiados discursos do presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama, o jovem Jon Favreau, de 27 anos, viu-se em uma situação delicada na última quinta-feira, quando fotos de uma festa recente, em que ele aparece dançando com um boneco de papelão em tamanho real da senadora e futura secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram no ar por cerca de duas horas na rede social Facebook. Nas imagens, reproduzidas pelo jornal "Washington Post", Favreau aparece com uma das mãos no seio da imagem da senadora, enquanto um amigo coloca uma garrafa de cerveja em sua boca.

As fotos foram rapidamente tiradas do ar, assim como todas as outras de Favreau na comunidade, exceto aquela que ilustra o seu perfil. Questionado sobre as imagens, o jovem que vem sendo apontado como futuro diretor de discursos da Casa Branca, preferiu não comentar o assunto. Um membro da equipe de transição informou que Favreau apresentou um pedido de desculpas à senadora.

Favreau não foi o primeiro membro de campanha cuja atuação na internet tenha causado problemas para os democratas. Em março, Soren Dayton, da equipe de John McCain, encaminhou um vídeo anti-Obama do YouTube para seu Twitter particular, o que levou a seu afastamento da campanha. E em 2007, dois blogueiros contratados pelo ex-senador John Edwards, da Carolina do Norte, acabaram demitidos depois que textos escritos em seus blogs antes da contratação causaram polêmica.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Xô, assombração racista!



Em 1860 ocorreu a formação dos Estados Confederados da América, principalmente por discordarem da política federal pela abolição da escravatura. O fato deflagrou a Guerra da Secessão. Compunham o estado rebelde sulista Carolina do Sul, Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Flórida, Geórgia, Lousiana, Mississipi, Tennessee, Virgínia e Texas. Quase um século e meio depois, na eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América ainda aparecem rastros do espírito racista daquele tempo. Barack Obama perdeu em nove dos 11 estados confederados, e nas duas vitórias o escore foi bem apertado: superou McCain por 0,2% na Carolina do Norte e por 2,3% na Flórida. Portanto, o trabalho do desassombramento será longo. Porém, nós podemos.

The president



Yes, Barack

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Bom cabrito berra, porque do contrário os larápios levam



Jornalista põe eleição na Flórida sob suspeita
Professor da Universidade de Chicago diz que fraudes persistem mas não serão suficientes para tirar a vitória de Obama

O Globo

Rumores insistentes de que fraudes estão acontecendo na Flórida não são apenas boatos, segundo o jornalista Greg Palast, autor do best seller "A melhor democracia que o dinheiro pode comprar", no qual ele demonstrava como votos foram fraudados na eleição de 2000, na qual George W. Bush foi eleito por uma pequeníssima margem de votos. Repórter investigativo da BBC e do jornal inglês "Observer", ele estima que 6 milhões de eleitores poderão ser impedidos de terem os votos contados por causa de fraudes na Flórida e no Colorado. "Mas a vantagem de Obama é tão grande que, até agora, isto não será suficiente para impedir sua eleição", diz Palast, que também é professor da Universidade de Chicago.

Existem rumores de fraudes, mas o senhor tem informações de que algo errado, de verdade, está acontecendo na eleição antecipada aqui da Flórida ou em algum outro estado?

GREG PALAST: Na Flórida, estão impedindo as pessoas de votar através de um sistema que eles chamam de verificação de eleitores. Nunca se fez isso antes, simplesmente porque nos Estados Unidos não existe nem carteira de identidade. Isto afeta especialmente os eleitores de primeira viagem - e dois terços deles votam em Obama. Este sistema já restringiu o direito de votar de 85 mil pessoas, quase todos negros, o que combina com uma longa história de racismo na Flórida. E, claro, lembremos que este foi o estado onde George W. Bush roubou a eleição em 2000, não deixando votar os eleitores respondendo a algum processo ou tendo algum registro policial.

Mas esta lei não mudou na Flórida?

PALAST: Mudou. Agora, como em outros estados dos EUA, podem votar os que já cumpriram pena. O problema é que só aqui o governador tem de assinar um papel autorizando-os a votar. Resultado: quase meio milhão, grande parte democrata, estão esperando esta aprovação. Lembre-se de que nos EUA é muito fácil ter ficha criminal, e isso afeta a população mais pobre, majoritariamente eleitores de Obama. Ou seja, estão fazendo todo o possível para roubar a eleição na Flórida.

Mas por que os democratas não estão entrando na Justiça eleitoral contra isso?

Porque o Partido Democrata está com medo de ser visto como um partido de negros, especialmente no ano em que têm um candidato negro.

Para o senhor, está sendo usada uma série de pequenos truques para mudar a vontade do eleitor?

PALAST: O pior é o expurgo de eleitores das listas, sob os mais variados pretextos. Esta eleição vai ser decidida em três estados: Ohio, Flórida e Colorado. No Colorado, os republicanos estão tirando um a cada cinco eleitores das listas, acusando a Accorn, por exemplo, de ter registrado eleitores fictícios. Isto não é verdade, é ridículo. Mas quando os eleitores chegam às urnas, o nome deles não está na lista, e o voto é classificado como provisório. Isto significa que precisa ser confirmado depois, e que acaba não sendo contado. Acho que a eleição vai ser roubada no Colorado e na Flórida.