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sábado, 1 de agosto de 2009

A justiça da Casa da Mãe Joana Sarney


Desembargador Dácio Vieira; sua mulher Angela; a mulher de Agaciel, Sanzia; José Sarney; Agaciel Maia; e o senador Renan Calheiros no casamento da filha de Agaciel. (Foto: Reprodução)

De: Leandro Cólon e Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo

Ex-consultor jurídico do Senado, o desembargador Dácio Vieira, que concedeu a liminar a favor de Fernando Sarney [e de censura ao jornal O Estado de S. Paulo] é do convívio social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia.
Foi um dos convidados presentes ao luxuoso casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, em 10 de junho, em Brasília. Na mesma data, o Estado revelou a existência de atos secretos na Casa..
O presidente José Sarney (PMDB-AP) foi padrinho do casamento. Ele, o desembargador e Agaciel aparecem juntos numa foto na festa de Mayanna publicada em uma coluna social do Jornal de Brasília em 13 de junho. As mulheres de Agaciel, Sânzia Maia, e de Dácio Vieira, Ângela, também estão na foto.
Em 12 de fevereiro, Sarney já havia comparecido à posse de Dácio Vieira na presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Poix, poix


23 Fevereiro 2009 - 00h30

Estatística: Perfil do assassino aponta para homem que mata durante a noite

Estrangeiros matam em Portugal

Homem, 31 a 40 anos, mata com tiro de pistola um conhecido no meio da rua, na sequência de uma discussão entre as 20h00 e a meia-noite. Do sexo à idade do homicida, passando pela arma que utiliza, o tipo de relação que tem com a vítima e o local, a motivação e até a hora do crime, todas as características acima descritas encaixam no perfil da pessoa que assassina em Portugal.

Num estudo a que o CM teve acesso, feito com base numa amostra de 132 homicídios ocorridos na área da Polícia Judiciária de Lisboa, entre os anos de 2000 e 2004, constata-se também que 40,5 por cento são cometidos por cidadãos estrangeiros.

Estes cinco anos representam o último período em que foi possível extrair toda a informação – uma vez que são 132 casos, em que os homicidas foram condenados. As características do assassino estão já perfeitamente identificadas, em homicídios cometidos na área a sul das Caldas da Rainha até Évora, com excepção da zona de Setúbal. E constata-se no estudo que este pretende a partir desta amostra dar uma noção da realidade nacional, a de que apenas 59,5% dos homicidas são portugueses. Os outros são turistas ou imigrantes, legalizados ou não.

Este estudo conclui que a maioria dos homicidas são homens (92,6%); têm entre 31 e 40 anos (38%); matam os conhecidos (32%); na sequência de discussões pontuais, muitas delas potenciadas por consumo de álcool (37%); na via pública (54,6%); à noite (41,4%); e com arma de fogo (41,7%).

QUEM MATA EM PORTUGAL E PORQUÊ

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: MARIA DAS DORES MANDOU MATAR MARIDO

Em Janeiro de 2007 mandou matar o marido, em Lisboa, para herdar seguro de vida e as contas bancárias

MOTIVO SEXUAL: ANTÓNIO COSTA ASSASSINOU TRÊS JOVENS

Face à recusa de três raparigas de Santa Comba Dão em ter relações sexuais, matou-as, em 2006

MOTIVO SEXUAL: PADRE FREDERICO ASSASSINOU UM ADOLESCENTE

Nos anos 90, o padre Frederico foi condenado por homicídio e abuso sexual de um menor na Madeira

CARLOS POIARES, ESPECIALISTA EM PSICOLOGIA CRIMINAL: 'NINGUÉM ESTÁ A SALVO'

Correio da Manhã – Como interpreta os números revelados por este estudo?

C.P. – Deixa-me muito preocupado. A criminalidade está a mudar em Portugal e tende a ficar mais organizada.

– Que consequências é que podem surgir?

– Em primeiro lugar, a sensação de que ninguém está a salvo e, claro, o aumento de vítimas.

– O que pode ser feito?

– Não menosprezar os efeitos desta realidade. Temos de perceber quem entra em Portugal e com que objectivo. Mas o que me parece mais importante é saber que ajudas é que recebem no nosso país. Alguém de cá está a facilitar-lhes a vida.

IMIGRANTES SÃO 7% DE LISBOA E VALE DO TEJO

A população imigrante na região de Lisboa e Vale do Tejo, em 2006, era de 258 mil pessoas, ou seja 7% do total de 3,6 milhões de habitantes. Na comunidade estrangeira, a esmagadora maioria residia no distrito de Lisboa, com 189 mil habitantes, dos quais 41 mil são provenientes de Cabo Verde, 28 mil do Brasil e 22 mil de Angola. Portugal contava então, segundo as estimativas do INE, com 10599095 habitantes. Segundo o último recenseamento realizado em Portugal, em 2001, viviam em Lisboa e Vale do Tejo 3,4 milhões, dos quais 213 mil pessoas eram estrangeiras (6%).

QUEM MORRE EM PORTUGAL E PORQUÊ

VIGANÇA

Aurélio Palha, Empresário abatido a tiro na rua

No Verão de 2007, um dos mais importantes empresários da noite portuense é atingido com um tiro na cabeça.

CIÚME

Maurício Levy , Assassinado com 21 facadas

O ex-director dos CTT foi vítima dos ciúmes de um amigo de longa data por causa da mulher. Esfaqueado até à morte.

RIXA

Eucride Varela, Morto com uma facada nas costas

Em Dezembro de 2008 o jovem, de 19 anos, é apanhado no meio de uma luta de bairros e acaba assassinado com uma facada nas costas.

ROUBO

Dulce Moreira, Estrangulada e degolada em casa

Ao tentar evitar um assalto dentro de uma casa, a agente imobiliária acabou por ser assassinada a sangue-frio. Ladrão roubou apenas duzentos euros.

QUEM MATA EM PORTUGAL?

SEXO DO HOMICIDA

Mulher 7,4%

Homem 92,6%

IDADE DO HOMICIDA

21 anos 9,9%

21 a 30 anos 24,8%

31 a 40 anos 38%

41 a 60 anos 22,3%

61 a 80 anos 5%

NACIONALIDADE

Português 59,5%

Estrangeiro 40,5%

RELAÇÃO VÍTIMA-AGRESSOR

Amigos 15,6%

Outro familiar 9,8%

Amorosa 25,4%

Conhecidos 32%

Desconhecidos 15,6%

Outra relação 1,6%

MOTIVAÇÃO DO CRIME

Desconhecidas 3,3%

Dívidas 4%

Crimes sexuais 4%

Rixas (grupos rivais) 5%

Tráfico de droga 5%

Discussão/agressão 37%

Roubo 15%

Violência doméstica 13%

Ciúme 8%

Vingança 5,7%

LOCAL DO CRIME

Via pública 54,6%

Domicílio (vítima e agressor vivem juntos) 18,5%

Domicílio da vítima 13,1%

Estabelecimentos comerciais 6,2%

Domicílio do agressor 3,8%

Veículo 3,8%

ARMA DO CRIME

Armas de fogo 41,7%

Armas brancas 31,1%

Vários dos anteriores 2,2%

Instrumento contundente 25%

HORA DO CRIME

Noite 41,4%

Tarde 30,9%

Madrugada 22,0%

Manhã 5,7%

FONTE: Estudos feitos com base numa amostra de 132 casos de homicídios ocorridos na dependência da PJ de Lisboa (2000/04)

Henrique Machado/M.P./J.S.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O que aquele ônibus está fazendo?




O testemunho da tragédia

Equipe do Correio do Povo testemunhou o acidente que matou duas pessoas, feriu pelo menos 15 e causou pavor e pânico no Centro de Porto Alegre

Textos e depoimento: Mirella Poyastro
Fotos: Alexandre Mendez

A tragédia com o ônibus desgovernado, ocorrida na manhã de ontem em uma das avenidas mais movimentadas do Centro de Porto Alegre, poderia ter sido muito pior se a cidade não estivesse em ritmo de férias de verão. Mesmo assim, em fração de segundos, duas pessoas morreram atropeladas e pelo menos 15 ficaram feridas. Eu já fiz coberturas envolvendo acidentes de trânsito e aéreos, inundações, estiagens, incêndios, rebeliões em penitenciárias, resgates e vários dramas do cotidiano desde 1994, quando comecei 'foca' como repórter do Correio do Povo. Mas, sem dúvida, presenciar o acidente de ontem foi a experiência mais terrível e assustadora que já vivenciei.
Agora tenho a certeza que um antigo ditado citado por meu pai é real: 'Para morrer, basta estar vivo'. Isto foi o que aconteceu com as duas vítimas, a mãe e a filha, que foram atropeladas pelo ônibus e tiveram morte instantânea. Elas estavam atravessando a rua Coronel Vicente na faixa de segurança, quando perderam suas vidas.
Foi também por segundos que eu e meus colegas de equipe, o fotógrafo Alexandre Mendez e o motorista André Luiz Diniz da Rosa, escapamos da morte. Em meio a uma reportagem, rodávamos na pista da esquerda da avenida Júlio de Castilhos, quando tudo aconteceu. 'Nossa sorte é que a gente estava em baixa velocidade, procurando um número', desabafou André Rosa, depois do ocorrido.
E foi porque estava procurando o número de um prédio que olhei para o lado direito da Júlio, quando vi, às 10h19min, um ônibus azul-claro da empresa Transcal subindo o canteiro que divide a faixa dos coletivos a, no máximo, 30 metros à frente do nosso carro. Gritei: 'O que aquele ônibus está fazendo?'. Foi o tempo que o veículo levou para cruzar as quatro faixas da avenida, esmagando tudo que tinha pela frente sem frear. No curto trajeto, o ônibus levou postes e fios de energia, um telefone público foi esmagado, placas de sinalização foram derrubadas e pessoas atropeladas em cima da faixa de segurança. O coletivo só parou quando se chocou com o edifício da esquina da Júlio com a Coronel Vicente.
'Meu Deus, que horror.' Foi o que consegui dizer. Tudo aconteceu em fração de segundos, como um filme que passa no telão do cinema. Apesar da sensação de pânico que atingiu todos dentro do carro, Mendez pulou para fora do veículo e eu saí atrás, pedindo para o André Rosa ligar para a Samu. E as expressões de pânico e terror estavam nos rostos das pessoas que, como nós, viram toda a tragédia, sem conseguir entender o que aconteceu. 'O motorista só pode ter tido um mal súbito.'
A pior imagem foi ver os corpos das duas mulheres estirados no asfalto da Coronel Vicente, ao lado do ônibus. Pedaços de cérebro no chão evidenciavam que nada mais poderia ser feito por elas. Minhas pernas tremeram. Senti um calorão. Pensei que ia desmaiar. Mas a movimentação de curiosos, retirada de feridos de dentro do ônibus, veículos buzinando (se iniciava um longo congestionamento), fizeram com que eu voltasse a agir e, literalmente, trabalhar.
Acompanhamos a iniciativa de populares em ajudar os feridos, e a chegada, nesta ordem, da Brigada Militar, EPTC, Samu e bombeiros. E, aqui, gostaria de fazer justiça aos profissionais que atuaram na ocorrência. É difícil precisar o tempo nestes casos de pânico coletivo gerado em tragédias inesperadas. Repito: segundos parecem durar uma eternidade. No entanto, tenho a impressão que do momento do choque até a chegada da BM, não se passaram nem três minutos. Quase em seguida chegaram duas equipes da EPTC. E dois minutos depois, no máximo, chegou pela contramão a primeira das três ambulâncias da Samu.
Os bombeiros chegaram em seguida. Já estavam lá quando o ônibus começou a pegar fogo. Entre a batida e o início do incêndio que causou a completa destruição do ônibus passaram-se mais de dez minutos. Foi o esforço dos bombeiros que impediu que o fogo se alastrasse para os prédios vizinhos. Até porque, exatamente do outro lado da rua, há um posto de combustíveis, de onde acompanhamos todo o trabalho de resgate e socorro.
Muitos populares ajudaram com extintores de incêndio de edifícios, estabelecimentos comerciais da redondeza e até dos carros que pararam para tentar prestar algum socorro. Infelizmente, no esforço de salvar vidas, socorrer feridos e apagar o incêndio, os corpos das duas vítimas não foram retirados do asfalto e acabaram sendo queimados junto com a lataria do coletivo, quando o fogo se propagou.


10h20 - Após cruzar as quatro faixas da avenida Júlio de Castilhos, atropelar e matar Magda Machado Matos, 45 anos, e a filha Daniela, 14 anos, o ônibus prefixo 24152 da empresa Transcal, linha Morada do Vale, colide no prédio localizado na esquina da Júlio com a rua Coronel Vicente











10h22 - Populares que presenciaram o acidente tentaram ajudar. O que mais se via era gente falando ao celular, pedindo socorro. O desespero de quem estava próximo da tragédia era evidente, como este rapaz que estava ao lado de Thiago Machado Matos, 20 anos, atropelado e ferido

10h23 - O cenário era chocante. Atropelado e ferido, o pai e marido de Daniela e Magda, Carlos Alberto da Silva Matos, 47 anos, constata atônito, ainda no chão, a morte dos familiares. Pedaços dos corpos estavam espalhados pelo asfalto, sem deixar dúvidas da fatalidade



10h32 - A foto registra o exato momento em que o ônibus incendeia totalmente, causando altas chamas e chamuscando as janelas e paredes dos prédios no entorno . O calor intenso foi sentido até do outro lado da rua, no posto de gasolina













10h33 - Os bombeiros chegaram um pouco antes de o incêndio começar, mas foram surpreendidos pela intensidade das chamas logo a seguir, tendo muito trabalho para combatê-las. O fogo se alastrou pelo chão e atingiu o corpo da mãe e da filha

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Circo da Notícia


JORNALISMO ECONÔMICO

Ouvir bobagens, transcrever bobagens

Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa


O espaço e o tempo gastos numa notícia boba como a dos empréstimos da Petrobras no Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal são impressionantes: demonstram com clareza que os veículos de comunicação, longe de analisar criticamente o noticiário, limitam-se a transcrever declarações de um lado e de outro, sem procurar hierarquizar as informações, sem nem sequer tentar organizá-las.

Passo a passo: uma empresa não costuma acumular dinheiro no cofre, ou debaixo do colchão, ou no banco. Dinheiro assim não rende nada: apenas sofre o desgaste da inflação. A empresa monta um programa de aplicação de recursos (procurando obter bom rendimento), casado com um programa de pagamentos. Assim, quando tiver uma conta para pagar, tem uma aplicação vencendo. Muitas vezes, por diversos motivos, há descasamento entre aplicações e recebimentos; e a empresa levanta um empréstimo onde conseguir melhores condições.

Foi, visivelmente, o que aconteceu na Petrobras – que, a propósito, apresentou bons lucros no balanço. A oposição tomou conta do tema e o utilizou para críticas ao governo. É coisa irresponsável (aquilo que o presidente Lula, definindo seu estilo de fazer oposição, chamou de "bravatas"), mas pelo menos tem a justificativa de que é coisa de político. Já os meios de comunicação, em vez de explicar como funciona uma empresa, preferiram transcrever declarações de ataques e de defesa, como se publicar os dois lados de uma questão resolvesse o problema de mostrar aos leitores o que é que realmente aconteceu.

O problema, a propósito, não se limita à informação incompleta: a notícia mal dada pode ter efeitos em bolsa, e causar prejuízos a quem aplicou suas economias em ações de uma empresa com boa reputação e bons lucros.

Se é apenas para transcrever declarações de políticos da oposição e do governo, qual a diferença entre os meios de comunicação jornalísticos e as tevês oficiais?



Erro essencial

Na briga do Equador com uma construtora brasileira, na decisão do presidente Rafael Correa de levar a questão do pagamento do empréstimo que recebeu do BNDES à Câmara de Comércio Internacional de Paris pode haver exageros: as ameaças aos funcionários brasileiros da empresa, por exemplo, ou a decisão de impedi-los de deixar o país, forçando a Embaixada do Brasil em Quito a asilá-los. Mas o comportamento, se menos grosseiro e truculento, seria aceitável: o Equador decidiu recorrer aos foros internacionais competentes para contestar uma dívida que julga ilegítima. Se o presidente Rafael Correa quis ou não avisar ao presidente Lula o que é que faria, ninguém tem nada com isso: é uma decisão dele comportar-se ou não com educação e cortesia.

A imprensa brasileira, com raras exceções, ficou ao lado da construtora e do banco oficial ameaçado de calote. Só faltou declarar guerra ao Equador. E não abordou os dois temas mais interessantes da disputa: primeiro, se o empréstimo havia sido concedido aos equatorianos ou à construtora brasileira (as primeiras declarações da ministra Dilma Rousseff indicavam a segunda hipótese). Segundo, como é que o BNDES decide a quem emprestar, e se sofreu ou não pressões políticos para conceder o crédito. É fato conhecido que o Equador vive clima de instabilidade política, até com enfrentamentos militares recentes com seus vizinhos. Se pomos dinheiro nesse caldeirão, que é que esperamos?



A loja e o morto

Tudo bem, a gente entende: os grandes anunciantes pagam a conta dos meios de comunicação. Só que isso não pode servir de desculpa para que o caso do cliente, morto por um segurança de uma grande rede de lojas, desapareça do noticiário. Há muito a noticiar: por exemplo, que tipo de apoio a empresa ofereceu à família da vítima; que tipo de assistência a empresa terceirizada de segurança está dando aos parentes do ser humano que seu funcionário matou; que é que pretendem, rede de lojas e empresa de segurança, fazer de agora em diante, para que tragédias desse tipo não mais se repitam.

Este colunista, talvez por falha na leitura dos jornais, não encontrou reportagens sobre o tipo de treinamento a que são submetidos os seguranças; os testes que lhes são aplicados; o comportamento que deles se exige. Se um motorista de caminhão, para ser habilitado, tem de passar por um psicotécnico, imagina-se que uma pessoa armada tenha de passar por avaliações ainda mais detalhadas. Quais são? Ou basta saber atirar para ser contratado, e daí em diante treinar tiro ao alvo? E a rede de lojas, continua satisfeita com sua empresa de segurança? Pretende fazer mudanças nos contratos que mantém? Que tipo de mudanças?



Aí vem a patrulha

O chatíssimo patrulhamento dos meios de comunicação, com objetivos puramente partidários, tinha de dar nisso: até jornalistas experientes, que sabem perfeitamente como funciona uma redação, caíram na armadilha do fulanismo, e tentam responsabilizar um colega – que, por mais importante que seja na estrutura de uma empresa, é um empregado – por diretrizes jornalísticas que não apreciam. A bola da vez é Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da Rede Globo. E, segundo os patrulheiros, ele é também o culpado por tudo aquilo de que não gostam nas Organizações Globo, do jornal à revista Época, da rede de TV aberta ao rádio, do noticiário on-line aos canais Globosat.

Este colunista é leitor de Ali Kamel, mas não o conhece pessoalmente. Sabe que pertencia ao círculo mais próximo do grande Evandro Carlos de Andrade, o que diz muito sobre ele; e Ricardo Kotscho fala bem dele, o que também é um excelente sinal. Mas, de qualquer forma, é absurdo acreditar que uma só pessoa, além de dirigir o jornalismo da maior rede de TV do país, consiga tempo para comandar o trabalho de colegas nos mais diversos veículos de comunicação do grupo. Não deixa de ser um elogio a Ali Kamel considerá-lo capaz de tamanho feito. Mas, de qualquer forma, menos: pode-se gostar ou não de Ali Kamel sem precisar criar um personagem onipresente.



Erros da juventude

Este colunista passou muito tempo acreditando que os setores jornalísticos mais imunes ao erro eram aqueles em que os profissionais eram apaixonados pela área que cobriam. Se alguém conversasse sobre cavalos com os responsáveis pelo turfe no Estadão, o Hélio Burro e o Hélio Delegado, teria informações absolutamente precisas, à prova de erro. Consultas ao Emílio Camanzi sobre automobilismo esportivo ou ao Luís Carlos Secco sobre automóveis em geral, no Jornal da Tarde, recebiam respostas corretíssimas. O Paquinha – hoje Luiz Fernando da Silva Pinto – era um apaixonado por automobilismo e sabia muito de corridas.

Mas as coisas mudaram. Já houve redator que enforcou Jesus Cristo; já houve jornalista que acreditou numa bomba étnica, capaz de distinguir sozinha os palestinos dos israelenses e, ao explodir, matar apenas os palestinos. Já houve profissionais da área de ciência que cruzaram tomates com bois. Por que não acreditar que pode haver erros incríveis em matérias sobre indústria automobilística?

Este colunista leu outro dia, num grande jornal, que a crise econômica de 1929 liquidou a maior parte das fábricas americanas de automóveis, deixando apenas três: General Motors, Ford e Chrysler. E apontou a década de 1950 como o período em que a GM superou a tradicional liderança da Ford.

Bom, errou por uns 30 anos. A Ford perdeu a liderança para a GM nos anos 20. E, se havia apenas três fábricas nos EUA desde a década de 30, quem fabricava os Nash, os Studebaker, os Hudson, os Packard, os Willys? E a Kaiser, que produziu o primeiro compacto americano, o Henry J (que no Brasil era chamado de Henry Jr.) e o Jeep da Segunda Guerra Mundial? Todos estes carros sobreviveram até pelo menos os anos 50.

E, hoje, nem é preciso ter o Secco do lado para fazer perguntas. Basta ir ao Google – só que é preciso ter a disposição de fazer alguma pesquisa na Internet.



Boa notícia

Nos tempos de Alberto Dines, o Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil tinha uma coleção monumental de grandes jornalistas, na maioria muito jovens, liderados por Murilo Felisberto (que, mais tarde, seria a alma do Jornal da Tarde). Um dos craques chamava a atenção por não se preocupar exclusivamente com leads e subleads: gostava de música, gostava de artes, gostava de literatura – e, extremamente simpático e acessível, partilhava seus conhecimentos com quem o procurasse.

Pois é: Luiz Paulo Horta, que aos poucos foi se aproximando cada vez mais da música e da literatura, acaba de tomar posse na cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. O patrono é José de Alencar; o primeiro ocupante, Machado de Assis. E certamente Luiz Paulo Horta não faria feio perto de nenhum dos dois.



A história, por favor

Um dia, a bomba: o Inca, Instituto Nacional do Câncer, divulgou nota desaconselhando o exame preventivo de câncer de próstata, aquele que inclui o toque retal. A recomendação foi recebida com grande estranheza: é consenso em todo o mundo, é consenso no Brasil, que o toque retal e a dosagem de PSA devem ser feitos periodicamente para que o câncer na próstata seja diagnosticado o mais rápido possível, dando ao tratamento maior chance de êxito.

Poucos dias depois, pressionado pela revolta dos médicos que entendem do assunto, o Inca divulga outra nota, aconselhando o toque retal e a dosagem do PSA e informando que a nota anterior não expressava o pensamento do Instituto.

Que é que terá acontecido entre uma nota e outra? Este colunista não viu a história em nenhum veículo de comunicação. Terá sido uma iniciativa isolada? No caso, de quem? Como evitar que iniciativas isoladas prejudiquem todo um programa de saúde? Ou, se não foi uma iniciativa isolada, por que a opinião do Inca terá mudado em poucos dias? Foi só para atender à reação dos médicos? No caso, por que não consultá-los antes de inventar moda?

É uma história que merece ser contada. É uma história que precisa ser contada.



Como...

Do portal informativo de um grande jornal:

"Novos dados sobre meningite será apresentada na próxima sexta-feira"

Lembrando os velhos tempos de escola, como identificar o sujeito da frase?



...é...

Também de um grande portal informativo:

"Polícia britânica vai distribuir chinelos a mulheres alcoolizadas"

Chinelos ou chineladas?



...mesmo?

De um jornal importante:

"MG: médicos de pronto-socorro paralisam por 24 horas"

Este colunista entendeu: eles entraram em greve. Mas, voltando à análise da frase, não é isso que o jornal disse, não.



E eu com isso?

A Microsoft já está preparando o substituto do Windows Vista, que se chamará Windows 7. São algumas centenas de milhões de dólares – mais outras centenas de milhões na adaptação dos programas hoje existentes, nas novas licenças, nos novos processadores especialmente preparados para a nova tecnologia. E, ao que tudo indica, o novo Windows já sairá pronto para as telas sensíveis ao toque, iguais àquelas da Globo.

Então, gastos alguns bilhões de dólares, poderemos receber com muito mais estabilidade os sinais da Internet. Nada nos roubará notícias como estas:

1. Cindy Crawford caminha para manter a forma

2. Carolina Dieckmann exibe biquíni de oncinha durante gravação

3. Atriz vira pin-up nua em ensaio fotográfico

4. Camila Rodrigues faz as unhas em shopping do Rio

5. Com cinco metros, caveira gigante tem funções de sauna

6. Filha de Zezé Di Camargo diz que nunca beijou na frente do pai

7. Naomi Campbell toma sol de calcinha em Miami

Não, caro colega: ela não estava só de calcinha. Estava de blusa, supercoberta. E a calcinha, sinceramente, deveria ter o nome de calçona: é ainda maior que a parte de baixo dos velhíssimos maiôs duas-peças.



O grande título

Há um título que mais parece um teaser: um aperitivo da notícia. Ou a gente lê a notícia inteira ou não tem a menor idéia do que está acontecendo.

"Garrafa dágua confirma namoro de Madonna, diz site americano"

E um ótimo, de um press-release, especialmente adequado ao atual noticiário:

"Prêmio da Mega-Sena proporciona férias tranqüilas"

É verdade: nos últimos meses, pelo menos dois ganhadores da Mega-Sena passaram a desfrutar da tranqüilidade eterna.