
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
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domingo, 17 de maio de 2009
A pá de cal
domingo, 18 de janeiro de 2009
Prestando contas

Na sexta-feira passada, a Rede Globo exibiu o último capítulo da minissérie Maysa – Quando Fala o Coração. Biografia romanceada da cantora carioca Maysa (1936-1977), ela obteve a excelente média de audiência de 29 pontos – mas foi também uma vitória pessoal de seu idealizador, o diretor Jayme Monjardim. Filho de Maysa com o industrial André Matarazzo, Monjardim nasceu em maio de 1956 na cidade de São Paulo. No ano seguinte, seus pais se separaram. Com a morte de Matarazzo, em 1964, Maysa colocou Jayme num colégio interno na Espanha. A decisão deixou profundas marcas no filho. Jayme se sentiu rejeitado e passou anos sem falar com a mãe. Ele e Maysa se reconciliaram em 1975, dois anos antes da morte da cantora. No fim dos anos 70, ele ingressou no mundo artístico. De seu currículo constam sucessos de audiência como Pantanal, na extinta Rede Manchete, e O Clone, na Rede Globo. Cinco anos atrás, fez sua estreia no cinema com o filme Olga, que teve mais de 3 milhões de espectadores. Monjardim falou com a reportagem de VEJA em sua casa no Rio de Janeiro.
Depois da morte de seu pai, sua mãe o deixou num internato na Espanha. O senhor ficou lá dos 7 aos 17 anos. Qual foi o peso dessa experiência? Em quase dez anos, minha mãe nunca me visitou e me mandou apenas duas cartas. Nas vezes em que saí do colégio para encontrá-la, fui incorporado à equipe que a acompanhava em seus shows. Fiquei noites intermináveis sentado em banquinhos, esperando o fim de uma apresentação. Ou então trancado num quarto de hotel. Lembro de dizerem: "Fechem a porta para o Jayminho não fugir". Foi um período terrível, de muita angústia.
Sua mãe chegou a lhe explicar a razão de um afastamento tão prolongado? No fim da vida de minha mãe, toquei nesse assunto. Ela não soube responder. Disse que já não lembrava o motivo de me deixar na Espanha, longe da família e do Brasil. Ela mesma, quando criança, foi para um colégio interno – mas por apenas dois anos. Gosto de pensar que entre as motivações, fossem quais fossem, houve algumas positivas. Minha mãe queria que eu tivesse uma cultura europeia para, quem sabe, assumir a administração dos negócios deixados por meu pai. Suponho que também quis, de alguma forma, me preservar de seus próprios problemas – com álcool, por exemplo.
O senhor chegou a odiar sua mãe? Ódio é uma palavra forte demais. Houve um período na infância em que o sentimento dominante foi de rejeição. Eu me perguntava cotidianamente o que havia feito de errado para ser esquecido tão longe, num colégio interno em outro país. Depois veio a revolta. A gota d’água se deu em 1970, quando voltei ao Brasil – e ela não foi me buscar no aeroporto. Fui para a casa dela e tivemos uma briga homérica. Tempos depois, fui morar em São Paulo com os meus tios. Nosso afastamento parecia irremediável. Mas então, cerca de dois anos antes de sua morte, fui visitá-la em sua casa em Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, e criamos um novo laço.
O que aconteceu nesse reencontro? Eu estava partindo para uma viagem quando senti o impulso de visitar minha mãe. De repente, eu me dei conta de que ela tinha se tornado uma mulher muito solitária – e eu nem sequer falava com ela. Tivemos uma linda conversa e segui viagem. Quando voltei, retomei o contato. Em um ano e meio, recuperamos dezoito anos de estranhamento. Viajamos juntos, rimos e sofremos juntos. A partir daquele encontro, eu passei a defender minha mãe na imprensa e briguei com inúmeras pessoas que insistiam em lhe oferecer bebida.
"Havia duas Maysas. A primeira era alegre, amorosa e descontraída. A segunda era a Maysa que bebia e ficava agressiva. Alcoólatras perdem a razão e tomam atitudes para as quais você não está preparado – por exemplo, pular de um carro em movimento" |
O senhor viu sua mãe alcoolizada?Infelizmente, sim. Nada é mais desagradável do que ver seu pai ou sua mãe tendo uma crise de alcoolismo. Eles perdem a razão e às vezes tomam atitudes para as quais você não está preparado – por exemplo, pular de um carro em movimento. Até hoje me lembro em detalhes de alguns desses momentos terríveis. Os cheiros, os sons estão marcados a fogo na minha cabeça. Havia duas Maysas. A primeira era uma pessoa alegre, amorosa e descontraída. A segunda era a Maysa que bebia e ficava agressiva e temperamental.
Há um momento da infância que o senhor relembre com carinho?A melhor lembrança que tenho é de quando ela cantava para mim. Eu estava ali, sentado na coxia de um teatro, e de repente minha mãe saía do palco e cantava A Noite do Meu Bem olhando para mim. Ela me encarava de tal maneira que eu ficava numa confusão de sentimentos. Muito emocionado – a tal ponto que, às vezes, chegava a sentir medo.
É verdade que sua iniciação sexual ocorreu com a ajuda de sua mãe? A escola em que estudei era extremamente rigorosa. Era simpática ao ditador espanhol Franco e os professores nos batiam por qualquer motivo. Nesse ambiente repressor, era difícil até olhar para uma mulher. Para dar uma ideia da situação, nós íamos à loucura ao ver os joelhos das meninas que arrumavam nossos quartos e limpavam nossos sapatos antes da hora de dormir. Então, aos 13 anos, eu fiz uma das minhas visitas ao Brasil. Numa conversa, minha mãe me perguntou se eu já tinha tido alguma espécie de contato com uma mulher. Eu disse que não. Ela então me disse: "Tenho uma amiga que quer te levar para passear, conhecer os lugares bonitos do Rio". Saí com essa mulher e aconteceu. Não foi uma relação profissional. E também não foi uma atitude constrangedora por parte de minha mãe. Foi uma das boas coisas que ela fez por mim.
Sua mãe foi uma transgressora? Sim. E essa foi uma das características de sua história que me motivaram a fazer a minissérie. Maysa foi transgressora porque ousou viver com prazer e sofreu profundamente. Muitas pessoas sonham em ser como ela, mas lhes falta coragem para isso. Minha mãe falava o que pensava, nunca teve meias palavras e foi intensa em todos os sentidos. Isso é raro. Todo mundo se esconde atrás de uma máscara. Maysa, não. Nunca teve vergonha de assumir o que era e sabia que despertava nas pessoas à sua volta uma sensação de preocupação e medo.
"O escândalo é que os artistas de bossa nova mal tocam no nome da minha mãe. A maioria se refere a ela como ‘a cantora que namorou o Ronaldo Bôscoli’. Ninguém diz que foi ela quem levou João Gilberto para cantar na televisão pela primeira vez" |
Qual a importância musical de Maysa? Ela representou a transição do período das cantoras do rádio para a bossa nova. Começou como uma mulher que, ousadamente, despejava seus sentimentos na canção. Quando a bossa surgiu, aderiu ao novo gênero. O discoBarquinho, de 1961, foi um dos primeiros lançamentos de uma grande cantora a trazer compositores de bossa nova. Ela também foi a primeira artista a levar a bossa nova para os palcos internacionais. No exterior, era acompanhada pelo Tamba Trio. O escândalo é que os artistas de bossa nova mal tocam no nome da minha mãe. Somente o Roberto Menescal lhe dá o devido valor. A maioria se refere a ela como "a cantora que namorou o Ronaldo Bôscoli". Ninguém diz que Barquinho teve uma repercussão maior do que a de qualquer outro disco de bossa nova lançado naquele momento, muito menos que foi ela quem levou João Gilberto para cantar na televisão pela primeira vez. Minha mãe foi injustiçada.
A série transmite a ideia de que o grande amor de Maysa foi seu pai, André Matarazzo. Foi isso mesmo? Não tenho dúvida de que ela morreu apaixonada pelo meu pai. Ela estabelece isso muito bem em seu diário. No dia em que conheceu meu pai, escreveu: "Hoje eu encontrei o homem da minha vida". Minha mãe era obcecada pela ideia de ser muito feliz, de se relacionar com um homem que a aceitasse como ela era. E se sentiu muito frustrada em não poder realizar essa ideia com o André. Durante muitos anos, procurou em outros homens uma relação de amor como ela encontrara com meu pai. Para mim, ela morreu amando meu pai. E o Manoel Carlos, que escreveu a minissérie, também acha isso.
Por que o senhor aboliu o sobrenome Matarazzo? Porque quando eu comecei a trabalhar como cineasta as pessoas implicavam com o sobrenome Matarazzo. Eu ia pedir patrocínio para fazer meus filmes e tinha de ouvir as pessoas falando: "O cara é Matarazzo, não precisa de dinheiro para nada e vem se meter a fazer cinema?". Elas achavam que o patrocínio só era válido para os cineastas que tinham nascido pobres e ralavam na vida. Eu comecei a me sentir discriminado porque me chamava Matarazzo e não podia fazer cinema. Passei a assinar Jayme Monjardim porque as pessoas iam falar que, sendo filho de artista, eu podia ter mais chances.
De que maneira esses sentimentos de filho interferiram em seu trabalho ao dirigir Maysa? Quando Manoel Carlos aceitou escrever o roteiro da série, teve essa exata preocupação. Insistiu que eu teria de esquecer os vínculos pessoais, caso contrário o trabalho seria impossível. Eu sabia que era capaz de alcançar o distanciamento necessário, não apenas porque tenho 52 anos e sou um profissional maduro, mas também porque já sofri tudo o que tinha de sofrer e já expiei tudo o que havia para expiar no que diz respeito à relação com minha mãe.
Houve momentos da gravação em que o senhor deixou esse distanciamento de lado? Sim, houve alguns momentos em que fiquei emocionado. Como na cena do acidente de carro que tirou sua vida ou na cena em que a gente se despede. Mas eu tinha um compromisso com o elenco. Não podia simplesmente cancelar a gravação e dizer: "Gente, hoje não vamos gravar porque estou emocionado". Eu fazia as cenas e depois ia chorar no meu canto.
Como a minissérie vai se refletir em sua carreira? Posso dizer tranquilamente que minha trajetória se divide em a.M. e d.M. – antes e depois de Maysa. A série é muito rica em detalhes. Tive a oportunidade de me esmerar na direção de arte, de trabalhar a luz de cada cena, de usar um elenco de atores pouco conhecidos e burilar cada personagem, de editar com tempo e carinho. A minissérie foi um enorme passo à frente para mim. Além de todo o significado pessoal.
Qual sua ambição como diretor? Quero fazer filmes populares, para a massa. Em vez de ser o Antonioni, quero ser o Fellini. Em vez de ser o François Truffaut, quero ser o Steven Spielberg. E decidi que não vou mais me importar com certos preconceitos do meio artístico brasileiro. Em outros países, a classe artística reverencia quem está indo bem. Aqui, você faz um filme com mais de 3 milhões de espectadores, como foi meu caso com Olga, e seus colegas ficam com raiva. Nenhum deles liga, nem que seja para lhe dizer: "Olha, eu não gostei do filme, mas o sucesso contribui para o cinema brasileiro".
Duas mulheres com quem o senhor foi casado tiveram papel de destaque em suas novelas. Em Maysa, o senhor empregou dois filhos. Isso não é nepotismo? Anos atrás, era comum deparar com grandes diretores da Globo casados com estrelas. Era o Paulo Ubiratan casado com a Natália do Vale, o Roberto Talma casado com a Maria Zilda. Por conta disso, virou comum achar que determinada atriz tem um papel de destaque porque está casada com o diretor de novela. Nada disso. Ingra Liberato e Daniela Escobar, pessoas com quem eu tive um relacionamento e por acaso tive a felicidade de dirigir, são grandes atrizes. Não posso negar à minha mulher um trabalho que ela mereça fazer. Com Jayminho e André, que aparecem em Maysa,aconteceu a mesma coisa. O Manoel Carlos pediu para eles fazerem um teste. Na hora, eu fiquei apreensivo porque era uma exposição muito grande. Mas o Jayminho fez o teste e conquistou o papel graças a seu talento. Já dei oportunidade a tanta gente nova, por que negaria uma chance a minhas mulheres e meus filhos?
O senhor se considera um bom pai? Tive uma dificuldade imensa em ser pai. Como eu poderia dar afeto e atenção se não sabia o que era isso? Jayminho e Maria, meus filhos mais velhos, sofreram muito. Não dei 20% do que um bom pai poderia dar. Eu era ausente, e me escondia atrás do trabalho. Com meu filho mais novo, André, creio que cheguei aos 80%. Espero que alcance a marca de 100% caso tenha outro filho.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Sessão da Cama

Entrevista Susana Vieira
"Ingênua, sim. Burra, não"
Uma das atrizes mais bem pagas do país conta como
o marido, Marcelo Silva, que morreu de overdose
há um mês, a traiu, roubou e até a filmou nua para chantagear
Sandra Brasil - Revista Veja
A atriz Susana Vieira, de 66 anos, casou-se três vezes e teve muitos relacionamentos. Nenhum deles foi tão traumático e expôs tanto sua intimidade quanto o último, com o ex-policial militar Marcelo Silva, que, aos 38 anos, sucumbiu a uma overdose de cocaína em dezembro passado. Bonita, sorridente e com 5 quilos a menos, Susana relata as cenas repugnantes a que foi submetida nos capítulos finais do seu casamento. A atriz conta que o ex-PM lhe surrupiou joias, dinheiro, eletrodomésticos e pretendia chantageá-la. Refeita de golpes na vida real que nem os mais criativos autores de novela foram capazes de imaginar, Susana diz que já conseguiu superar o escândalo e está pronta para amar de novo.
Seu marido, Marcelo Silva, foi preso e expulso da Polícia Militar do Rio por se drogar e espancar uma prostituta em um motel. Depois, a senhora descobriu que ele mantinha uma amante. Em seguida, Marcelo morreu de overdose ao lado dela. Qual foi o pior desses momentos?
Nunca vivi nada comparável ao primeiro grande baque, que foi o episódio do motel. Mas também nada se compara à nossa separação e à morte dele. Nem (a autora de novelas) Glória Perez seria capaz de escrever uma história como essa. Depois do escândalo do motel, perdoei o Marcelo porque jamais imaginei que ele aprontaria de novo. Mas nem o Marcelo nem aquela amante dele (a nutricionista Fernanda Cunha) eram inocentes. Só peço que não escreva o nome dessa mulher junto do de Susana Vieira, que é a vítima.
Muita gente apostou que o seu casamento terminaria depois do episódio do motel.
Eu chorava de saudade do Marcelo. Era uma mulher apaixonada. Ele era sedutor, me amava e a gente transava bem. Aliás, só soube agora que pessoas com deformidade da mente, como ele, transam muitíssimo bem. Não me nego ao amor e estou cheia dessa história de que mulher de 60 anos tem de namorar homem de 70. Sou uma estrela. Não estou nem aí para preconceitos.
As traições de Marcelo têm relação com o fato de que ele tinha quase trinta anos menos que a senhora?
Só diz isso quem se sente no direito de me julgar. Apareceram até uns psicanalistas para falar do caso da Susana Vieira, a sessentona que se casou com um jovem de 35 anos. Eles diziam que eu estava com um garoto. Por favor, quem tem 35 anos não é jovem nem garoto. Jovem é o Cauã Reymond (de 28 anos). Mais velho do que ele já é senhor. Sei o que estou dizendo. Antes de casar com o Marcelo, passei dezessete anos com o Carson Gardeazabal. Quando nós começamos, ele tinha 24 anos e eu, 43. E quer saber? Sou mais jovem em curiosidade, energia e disposição do que o Marcelo e o Carson juntos. Não fico procurando garotão em porta de universidade, mas não tenho culpa se sou desejada por jovens.
Por que a senhora resolveu se casar com Marcelo em vez de apenas namorar com ele?
Foi Marcelo quem quis casar. Pensei: por que não? Por que não me casar de noiva? Não é pecado nem crime. Eu estava apaixonada e não devia nada a ninguém. O problema era que ele tinha 35 anos e era policial militar. Aliás, o preconceito por ele ser PM era pior do que o da diferença de idade. Dias antes do casamento, soube que ele era dependente químico. Lidar com isso, com um adicto, foi uma novidade a mais para mim. Eu acreditei na reabilitação dele.
A senhora já superou a traição, a separação e a morte de Marcelo?
Foi difícil. Não chorei nem gritei, mas entrei em estado de choque. Fui parar no consultório da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva (autora do livro Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado). Precisei de quatro sessões para me recuperar das revelações que a amante dele me fez ao telefone. O stress a que ela me submeteu equivale ao de um sequestro. Perto dessa mulher, a Flora (vilã de A Favorita) é boazinha. As coisas que ouvi dela eram de uma crueldade que nenhuma novela jamais mostrou. Falou até das posições preferidas na cama – tanto as deles quanto as nossas.
A senhora trouxe a mãe de Marcelo, Regina, do subúrbio para a Barra da Tijuca. O que será dela agora?
Minha querida, ela herdou do filho uma conta bancária muito boa, fruto dos desvios de dinheiro da reforma da minha casa. Levou um Polo, que passei para o nome do Marcelo porque ele recebeu mais de 20 000 reais em multas. Além disso, a mãe dele ficou com seis malas de roupas masculinas, 47 pares de tênis e relógios. Tudo de grife. Marcelo roubou minha alma, meu sentimento e muito mais. Pedia que colocassem 2 000 reais a mais em notas de material de construção para embolsar a diferença.
"Marcelo se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Fazia close das minhas partes íntimas enquanto eu me lavava"
Marcelo a roubou?
Tirou joias, perfume importado e até um aparelho de micro-ondas que ainda estava na caixa. Marcelo pôs a culpa no caseiro. Depois, eu soube pela amante dele que o Marcelo levou o micro-ondas para esquentar comida no flat dela. Quando as joias sumiam, ele também culpava os empregados. Eu não acreditava. Achava que tinha perdido. Ele as tinha dado de presente a ela. A mulher ficou até com meu BlackBerry. Ela me contou que ia escondida aos restaurantes, ensaios de escolas de samba e outros lugares em que estávamos juntos. Eles se encontravam nos banheiros. Transaram na minha casa em Búzios enquanto eu estava na praia. E foi na minha cama.
O que mais a amante de Marcelo lhe contou?
Que ele desviou dinheiro da obra da minha casa. Era para custar
110 000 reais. Saiu pelo dobro. Se ele me dizia que um tijolo custava 12 reais, não checava. Ela sabia de tudo, até de quanto faltava para pagar o telhado. Só soube desses absurdos depois que o Marcelo morreu. Os empregados não diziam nada porque ele os ameaçava. Dizia assim: "Antes de falar alguma coisa para a Susana, lembra que sou polícia. Você some". Sabia que ele pediu à revendedora da Honda que emitisse uma nota superfaturada? Fez a mesma coisa na Volkswagen quando comprei o Polo. Felizmente, ninguém aceitou. Aquela mulher me contou que o Marcelo fez até um filme das nossas transas. Mas eu nunca achei a gravação. Se for verdade, espero que nunca apareça. Mas achei outra, a do chuveiro, no dia em que meu cofre foi arrombado.
Que filme é esse? Quem arrombou seu cofre?
Marcelo. Ele se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Ainda por cima, fazia close das minhas partes íntimas enquanto eu me lavava. Ele ia usar o filme para me chantagear. Isso eu soube pelo pessoal da praia. O cara de uma barraca contou para minha sobrinha que o Marcelo ia cobrar 500 000 reais para me dar a gravação. Achei esse filme quando meu cofre foi arrombado.
Como foi isso?
Um dia depois que a amante dele me telefonou, encontrei meu quarto revirado com o cofre aberto. Nunca dei o segredo ao Marcelo, mas, do mesmo jeito que me filmou escondido, ele me viu abrindo o cofre e decorou o número. Sumiram meus dólares, euros, reais e as joias. Resolvi esconder a moto antes que o Marcelo a levasse também. Aí, descobri no bolso da jaqueta de couro dele o filme do banho e um documento importantíssimo.
Que documento?
O nosso contrato de casamento, que diz que ele não teria nenhum direito a meus bens em caso de separação. O documento estava no cofre. Meu filho, Rodrigo, disse ao Marcelo que ele havia assaltado meu cofre. Ele respondeu: "Não fui eu. Eu estava dormindo". Ou seja, ele sabia que o cofre tinha sido arrombado. Liguei para a Globo para contar do filme. Fui à Justiça pedir a separação de corpos. Falei que corria risco de vida. Os meus empregados contaram à juíza que eram ameaçados. Aí descobri que sabiam dos desvios de dinheiro. Voltei para casa com seguranças e coloquei o Marcelo para fora. Ele disse que prejudicaria a minha carreira. Era uma referência ao filme do banheiro, que, àquela altura, estava seguro dentro do meu sutiã.
O que a deixou mais magoada: ser traída em público ou guardar segredo sobre os roubos?
O pior foi a traição espiritual e calculada dele. Se ninguém me contasse, eu podia estar me enganando até agora.
"Emagreci 5 quilos de nojo do que Marcelo e a amante fizeram. Só tive pena quando vi pela televisão o corpo dele no chão. Fora isso, só tive raiva, raiva e raiva"
Como, aos 66 anos, a senhora foi tão ingênua?
Ingênua e generosa. Ainda bem. O mundo não é feito de gente má, ladrões e assassinos? Sou boa. O nosso problema não era a diferença de idade, de nível social nem de formação. Quantas pessoas vieram do nada, viraram famosas e não roubaram? O desnível cultural pode ser suprido por outras qualidades. Namorei o jornalista Renato Machado (da Rede Globo) e casei com Carson, que fazia motocross. Não falava só de vinho e ostras com Renato e nem só de moto com Carson. O Marcelo me beijava muito. Imagina se eu não gostava? Eu, que sempre gostei de sexo, amor e carinho? Se ele me completava nesse departamento, não precisava falar de museu.
A senhora se dizia muito feliz. Essas descobertas apagaram as boas lembranças?
Posso ser ingênua, mas não sou burra. Uma traição de sete meses é uma covardia com uma pessoa famosa. Fui obrigada a ler um artigo de uma revista que me chamava de ridícula. Dizia que eu devia arrumar garotos apenas para transar, e não me casar com eles. Estou cheia de ouvir que velha tem de arrumar garotão só para transar. O que é isso? Se o cara trai, é ele o errado, não nós. Aliás, idade não existe para mim. Em primeiro lugar, sou uma estrela brasileira, como a Fernanda Montenegro e o Pelé. Não se pergunta em que ponto nós três deixamos de ser estrelas por causa da idade. Não somos sessentões, somos estrelas: Marília Gabriela, Elba Ramalho, todo mundo que chegou lá... Em segundo lugar, minha vida não é pautada por encontrar homem. Sempre gostarei de alguém, sempre beijarei e transarei. A gente tem o direito de amar quem quiser. Quem é que não gosta de homem bonito? Homem velho tem ex-mulher que vai encher a paciência e filho que vai chatear. Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima.
Podemos concluir que a senhora poderá aparecer em breve de namorado novo?
Podem, sim. Mas não agora. Acabei de sair de um redemoinho. Mesmo assim, já rolou paquera. Estou viva e aberta para tudo, mas ninguém nunca mais toca no meu dinheiro.
Seus colegas a classificam como competitiva e temperamental. Como eles reagiram ao seu drama?
Da melhor forma possível. A ligação mais importante que recebi e que me fez chorar foi a da (atriz) Renata Sorrah, justamente alguém que a imprensa diz ser minha desafeta. Nunca tivemos um ai. Sempre contracenamos, ela como má e eu como boa. Mas Renata estava tão sentida quanto eu. Não crio caso com ninguém. Estou na elite porque sou excelente profissional. Acha que eu seria tão respeitada na Globo se eu fosse esse mau elemento que pintam? Agora, quando contraceno com ator relapso e medíocre, chamo sua atenção, sim, e digo que lugar de estudar texto é em casa. A Carolina Dieckmann trabalha como eu. Aliás, o meu melhor trabalho foi com ela e a Renata Sorrah em Senhora do Destino.
O casamento com Marcelo será um trauma que atrapalhará seus relacionamentos futuros?
Deus me livre de trauma, filhinha. Não tenho trauma nem de pai, nem de mãe, muito menos de ex-marido, ex-bandido. Só quero esquecer que conheci Marcelo Silva. Enquanto o Marcelo estava vivo, fiquei trancada em casa com medo do que ele pudesse fazer comigo. A partir do momento em que, infelizmente, morreu, estou livre. Já sofri. Emagreci 5 quilos de nojo do que ele e a amante fizeram. Só tive pena uma vez: quando vi pela televisão o corpo dele no chão da garagem. Fora isso, só tive raiva, raiva e raiva.


