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quarta-feira, 23 de março de 2011

Na boca do túnel o livro Ensinar comunicação, com o texto Redação jornalística como laboratório da psicodelia pedagointelectiva






Ensinar comunicação
Desafios pedagógicos no ensino de jornalismo e publicidade: a experiência do Ielusc (2000-2009)

Jacques Mick e Samuel Pantoja Lima (org.)

domingo, 8 de março de 2009

O assunto em pauta por aqui


Actualidade

O festival de asneiras do "Magalhães"

Há frases mal construídas, outras que começam na segunda pessoa do singular e continuam na terceira (tratam o leitor por tu e por você), expressões absurdas e frases que simplesmente não fazem sentido.

Filipe Santos Costa

Ortografia, sintaxe e gramática - nas instruções dos jogos do computador portátil Magalhães nada resiste às inovações do "magalhanês". Há palavras repetidamente mal escritas, outras inventadas, verbos mal conjugados, vírgulas semeadas onde calha, acentos que aparecem onde não devem e não estão onde deviam.

Há frases mal construídas, outras que começam na segunda pessoa do singular e continuam na terceira (tratam o leitor por tu e por você), expressões absurdas e frases que simplesmente não fazem sentido. Nalguns casos, as instruções que deviam ajudar a utilizar os jogos complicam de tal maneira que não há quem perceba o que está em causa.

Lê-se e não se acredita. "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde", lê-se nas instruções do processador de texto - isso mesmo: "gravar-lo e continuar-lo". "Dirije o guindaste e copía o modelo", explicam as intruções de um puzzle - assim: "dirije" com "j" e "copía" com acento no "i". "Quando acabas-te, carrega no botão OK" - "acabas-te", em vez de "acabaste".

Tudo isto se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem no computador Magalhães, conforme descobriu o deputado José Paulo Carvalho, depois de navegar na área lúdica do computador.

Ontem, depois de ter sido confrontado pelo Expresso com a existência de mais de 80 erros destes no portátil que já foi distribuído a 200 mil crianças, o Ministério da Educação informou que vai pedir a todas as escolas que retirem esse software dos computadores dos seus alunos. E vai ser solicitado à JP Sá Couto, empresa fabricante do Magalhães, que não inclua esses jogos nos computadores que ainda vai produzir.

Aqui fica uma lista (não exaustiva) das "pérolas" com que o "Magalhães" tem presenteado as nossas crianças.
* "Cada automóvel só pode mover horizontalmente ou verticalmente. Tu deves ganhar espaço para permitir ao carro vermelho de sair pelo portão à direita."
* "O Tux escondeu algumas coisas. Encontra-las na boa ordem."
* "Carrega nos elementos até pensares que encontras-te a boa resposta. (...) Nos níveis mais baixos, o Tux indica-te onde encontras-te uma boa cor marcando o elemento com um ponto preto. Podes utilizar o botão direito do rato para mudar as cores no sentido contrario."
* "Dirije o guindaste e copía o modelo."
* "Abaixo da grua, vai achar quatro setas que te permitem de mexer os elementos."
* "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha, frequentemente grelhas de 9x9 que contéem grelhas de 3x3 (chamadas 'zonas'), começando com alguns números já metidos (os 'dados'). Cada linha, coluna, e zona só pode ter uma vez um símbolo ou cifre igual." (nota: instruções para o jogo sudoku)
* "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele. Ele vai ir para ela."
* "Enfia a bola no buraco preto á direita."
* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."
* "O objectivo do jogo é de capturar mais sementes do que o adversário. (...) Se os jogadores se acordam no facto que o jogo está num ciclo sem fim, cada jogador captura as sementes do seu lado."
* "Ao princípio do jogo 4 sementes são metidas em cada casa. O jogadores movem as sementes por vês. A cada torno, um jogador escolhe uma das 6 casas que controla. (...) Se a última semente também fês um total de 2 ou 3 numa casa do adversário, as sementes também são capturadas, e assim de seguida. No entanto, se um movimento permite de capturar todas as sementes do adversário, a captura é anulada (...). Este interdito é ligado a uma ideia mais geral, os jogadores devem sempre permitir ao adversário de continuar a jogar."
* "Aceder ás actividades de descoberta." * "Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos."
* "Carrega e puxa os elementos para organizar a historia."(nota: "historia" é repetidamente escrito sem acento)
* "Saber contar básicamente." * "Move os elementos da esquerda para o bom sitio na tabela de entrada dupla."
* "Puxa e Larga as peças no bom sitio."(nota: "sitio" nunca é escrito com acento)
* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."
* "Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los (...)."
* "Carrega no chapéu para o abrires ou fechares. Debaixo do chapéu, quantas estrelas consegues ver a moverem? Conta attentamente. Carrega na zona em baixo à direita para meter a tua resposta."
* "Treina a subtracção com um jogo giro. Saber mover o rato, ler números e subtrair-los até 10 para o primeiro nível."
* "Quando acabas-te, carrega no botão OK ou na tecla Entrada."
* "Conta quantos elementos estão debaixo do chapéu mágico depois que alguns tenham saído."
* "Olha para o mágico, ele indica quantas estrelas estão debaixo do seu chapéu mágico. Depois, carrega no chapéu para o abrir. Algumas estrelas fogem. Carrega outra vês no chapéu para o fechares. Deves contar quantas ainda estão debaixo do chapéu."
* "Lê as instruções que te dão a zona em que está o número a adivinhar. Escreve o número na caixa azul em cima. Tux diz-te se o número é maior ou mais pequeno. Escreve então outro número. A distância entre o Tux e a saída à direita representa quanto longe estás do bom número. Se o Tux estiver acima ou abaixo da saída, quer dizer que o teu número é superior ou inferior ao bom número."
* "Tens a certeza que queres saír?"
* "Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos (...)"
* "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde. Podes estilizar o teu texto utilizando os botões à esquerda. Os quatro primeiros permitem a escolha do estilo da linha em que está o cursor. Os 2 outros com múltiplas escolhas permitem de escolher tipos de documentos e temas coloridos pré-definidos."
* "Envia a bola nas redes"
* "É preciso saber manipular e carregar nos botões do rato fácilmente."
* "O objectivo é só de descobrir como se podem criar desenhos bonitos com formas básicas (...)." * "O objectivo é de fabricar um forma dada com sete peças."
* "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800." (nota: explicação do tangram, um quebra-cabeças tradicional chinês)
* "Mexe as peças puxando-las. Carrega o botão direito nelas para as virar. Selecciona uma peça e roda à volta dela para a rodar. Quando a peça pedida estiver feita, o computador vai reconhecer-la (...)."
* "Reproduz na zona vazia a mesma torre que a que está na direita."
* "Reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."
* "Puxa e Larga uma peça por vês, de uma pilha a outra, para reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."
* "Move a pilha inteira para o bico direito, um disco de cada vês."(nota: as quatro últimas frases são as instruções dos jogos "Torres de Hanoi" e Torres de Hanoi simplificadas" - "Hanoi" sem acento no "o")
* "Torno dos brancos" (nota: a vez de jogar das peças brancas num jogo de xadrez)
* "Joga o joga de estratégia Oware contra o Tux."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Para repensar o ensino do jornalismo


MEC constitui Comissão para elaborar novas Diretrizes para os cursos de Jornalismo

Portal do MEC

O Ministério da Educação publicou nesta sexta-feira, 13, Portaria 203 da Secretaria de Educação Superior que constitui Comissão de Especialista em Jornalismo para revisar e elaborar as novas Diretrizes Curriculares de Jornalismo. A Comissão, presidida pelo professor Dr. José Marques de Melo, tem o prazo de 180 dias para concluir os trabalhos e submeter o documento das Diretrizes para o Conselho Nacional de Educação.

Fazem parte da Comissão os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ); Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Manuel Carlos Chaparro (USP); Sonia Virginia Moreira (UERJ), indicada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom); Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo.

Segundo a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, as diretrizes atuais abrangem toda a área de comunicação social e são pouco específicas para a formação em jornalismo, destacou que “a intenção é garantir um melhor processo formativo para o profissional do jornalismo, já que a diversidade e as peculiaridades da profissão não são hoje contempladas pelas atuais diretrizes”.

A constituição dessa Comissão, aliado aos trabalhos da Comissão de Estudos das Diretrizes Curriculares de Jornalismo organizada pelo FNPJ, Fenaj e SBPJor se constitui num momento importante para a qualificação do Jornalismo, por meio da formação universitária. Há muitos anos se reivindica uma atualização e uma especificidade das diretrizes que possam auxiliar no processo de autorização, reconhecimento e revalidação dos cursos. As diretrizes atuais, por serem genéricas, prejudicam o processo de avaliação e não controlam a qualidade da formação. A Comissão constituida pela entidades do campo do jornalismo é formada pelos professores Sérgio Gadini (UEPG), Tattiana Teixeira (UFSC), Valci Zuculoto (Fenaj), Gerson Luiz Martins (FNPJ), Paulo Roberto Botão (FNPJ) e Leonel Aguiar (FNPJ).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Meu herói


Americano de 67 anos acumula 27 cursos acadêmicos, sendo 20 mestrados

Ele também fez um doutorado, três especializações e três graduações.
Atualmente, Michael Nicholson está cursando mais dois mestrados.

Do G1, em São Paulo

Michael Nicholson já fez 20 mestrados, um doutorado, três especializações e três graduações. (Foto: Reprodução/Kalamazoo Gazette)
A paixão do norte-americano Michael Nicholson, de 67 anos, é estudar. Desde 1963, ele já fez 27 cursos, sendo 20 mestrados, um doutorado, três especializações, além de três graduações, segundo reportagem do "Kalamazoo Gazette".

Nicholson começou com uma graduação em educação religiosa na William Tyndale College, em Detroit. Depois, ele fez um mestrado em teologia em Dallas.

Em sua longa vida acadêmica, entre os 27 diplomas que coleciona, Nicholson cursou dez mestrados, uma especialização e um doutorado na Universidade do Oeste de Michigan, recorde na história da instituição.

Atualmente, ele está cursando dois mestrados na Universidade Grand Valley State, em Allendale. "Ele está intrinsecamente motivado. Ele não faz alarde sobre o que está fazendo", disse o professor Tom Carey, em referência a Nicholson.

"Gosto de estudar como um meio de independência", disse. "Tenho liberdade acadêmica e posso estudar ou fazer o que eu quero", acrescentou Nicholson, que mora com sua mulher, Sharon, em Kalamazoo desde 1980.

Nicholson manteve um estacionamento na Universidade do Oeste de Michigan por 11 anos e se aproveitou de descontos oferecidos para cursar vários de seus mestrados nessa instituição. Inspirado no marido, Sharon Nicholson possui sete cursos acadêmicos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amazonologia



Amazonologia

Por Eduardo Almeida Reis - Correio Braziliense - 15/11/2008

São comuns na internet plágios, contrafações, textos atribuídos a fulano ou beltrano, quando são de sicrano ou invenção que internautas que preferem ficar anônimos. Coisa feia, esse negócio de anonimato. Coisa feia, também, a transcrição apressada de um texto, atribuindo a terceiros aquilo que escreveram de outra forma, em outro contexto.

O que acho admirável nas pérolas pescadas pelos professores no Enem é que são autênticas. É inimaginável que alguém, mesmo com o propósito de fazer graça, possa inventar aquilo. Quem é o pensador mais engraçado, mais experiente, mais culto do Brasil? Voto em Millôr Fernandes , escritor, teatrólogo, humorista, desenhista, causeur, tradutor de Shakespeare, autor de frases antológicas - profissional completo.

Pois muito bem: se pedissem ao genial Millôr que se trancasse no escritório durante um ano para produzir as pérolas transcritas abaixo, sou capaz de apostar que ele não conseguiria. Recuso-me a incluir as frases no gênero besteirol, que é coisa séria, seriíssima, pressupondo autor com humor e saber; senso de humor e ilustração do público-alvo. Vamos às pérolas.

1) "O problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias ONGs já se estalaram na floresta". 2) "A amazônia é explorada de forma piedosa". 3) "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta". 4) "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu". 5) "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta". 6) "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação". 7) "Espero que o desmatamento seja instinto". 8) "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo". 9) "A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta".

10) "Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis". 11) "Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas". 12) "Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna". 13) "Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza". 14) "A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica". 15) "A amazônia tem valor ambiental ilastimável". 16) "Explorar sem atingir árvores sedentárias". 17) "Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia". 18) "Paremos e reflitemos". 19) "A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas".

20) "Retirada claudestina de árvores". 21) "Temos que criar leis legais contra isso". 22) "A camada de ozonel". 23) "A amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor". 24) "A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração". 25) "A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável". 26) "Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação". 27) "Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises". 28) "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes". 29) "O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório".

30) "O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando". 31) "Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc." 32) "Convivemos com a merchendagem e a politicagem". 33) "Na cama dos deputados foram votadas muitas leis". 34) "Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia". 35) "O que vamos deixar para nossos antecedentes?" 36) "A fiscalisação tem que ser preservativa". 37) "Não podem explorar a Amazônia de maneira tão devassaladora".

Aigolonozama


Por trás da falta de palavras

Marina Silva - para o Terra Magazine - Terça, 25 de novembro de 2008, 07h21

"Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo". Esta e outras afirmações foram feitas no exame nacional do ensino médio.

São as famosas "pérolas do Enem", que circulam todo ano na internet. Sempre tenho dúvidas sobre a veracidade desses relatos, mas, desta vez, li a respeito no texto de um colunista do jornal Correio Braziliense ("Amazonologia", Eduardo Reis, 15/11/2008), que os trata como autênticos.

Se as frases por ele reproduzidas são de fato provenientes das redações do Enem sobre meio ambiente e Amazônia, estamos diante de um gravíssimo adoecimento educacional do país, que essas provas deixam mais evidente. E, o que é pior, os jovens vítimas dessa situação são ridicularizados, como se fossem uma espécie de "palhaços" trágicos da nossa incapacidade coletiva de superar um dos piores passivos nacionais, que é o da educação.

Duas situações convivem nesse universo. Uma, a dos estudantes cujas famílias têm meios para lhes dar suporte escolar e um ambiente doméstico com bom acesso à informação. Outra, a dos estudantes que remam contra a maré da pobreza, da falta de condições materiais em casa e do arremedo de escola. Estes são duplamente atingidos porque são também humilhados, como se a condição de pobreza, que os afasta dos meios para melhorar a performance escolar, significasse uma incapacidade inata.

Mas, lendo com atenção as frases, é possível fazer uma colheita de pérolas verdadeiras, de grande valor. Na verdade, seus autores revelam uma preocupação pertinente e relevante com a Amazônia, embora não tenham as palavras corretas para expressá-la. Fazem um esforço para identificar problemas ambientais reais, mas em boa parte dos casos talvez lhes faltem os jornais, o acesso à informação, a intimidade com a linguagem culta. Falta-lhes escola de qualidade.

E, no entanto, por meio de sua linguagem torta, dizem muito. No seu esforço para escrever há uma intenção e uma informação. A intenção é de proteger o meio ambiente e a Amazônia. A informação que nos chega, de forma indireta, é a de que as camadas mais pobres do país e, portanto, as que têm menos oportunidades de educação formal, conhecem a importância desse tema. Sabem que é preciso cuidar da biodiversidade, evitar os desmatamentos e queimadas.

Esses jovens, a despeito da falta de apoio, têm o mérito de ter conseguido entender a visão básica de conservação e de conceitos sócio-ambientais complexos. Se "traduzirmos" suas frases, o que está dito é: o que acontece na Amazônia tem repercussão mundial; a Amazônia é explorada de forma impiedosa; vamos nos unir para salvar o planeta; o homem destrói a floresta e isto tem que ser coibido; o desmatamento ilegal é a principal causa da devastação; o processo de extinção de animais é grave; a emissão de poluentes contribui para a destruição da floresta; há empresas que lidam com a floresta da maneira correta; as queimadas destroem os habitats da fauna; a Amazônia tem valor inestimável; devemos parar e refletir. Alguém discorda?

Também, à sua maneira, falam do corte ilegal de árvores, da necessidade de leis, da responsabilidade dos governantes, da má política, da necessidade de ações preventivas, do aumento do aquecimento global. Têm noção dos temas que importam, mas não sabem discorrer sobre eles.

Têm sensibilidade, mas o sistema de ensino não está à altura deles, de seu interesse, de seu potencial. Rir de seus erros é um contra-senso; é como se achássemos hilariante o desastre que o déficit educacional significa para o futuro do Brasil.


Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.