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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uat iz dis?


Maior vilão da TV Digital é a falta de conhecimento sobre seus benefícios

Redação - InfoMoney

SÃO PAULO - "Se você, que é jornalista, está me fazendo todas essas perguntas, imagine o resto dos brasileiros". A colocação do vice-presidente do Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre), Móris Arditi, explica o maior desafio enfrentado pela TV Digital, hoje, no Brasil: falta de conhecimento.

Segundo Arditi, ainda existem muitas dúvidas e as pessoas não entendem as vantagens da TV Digital. Até por isso, um dos desafios para atrair mais usuários é a divulgação dos seus benefícios através da mídia.

Treinamento
Mas não basta que o usuário esclareça suas questões. Outros desafios citados pelo vice-presidente é o treinamento de lojistas, instaladores e também de antenistas.

Afinal, mais informados, os lojistas vão conhecer a tecnologia e estarão amparados para esclarecer as dúvidas dos consumidores.

Já os instaladores e antenistas precisam conhecer a TV Digital, para instalar corretamente o produto e, assim, proporcionar uma boa recepção.

Arditi ainda explica que a antena necessária para recepção do sinal, já que os canais digitais são UHF, não requer sofisticação, e sim equipamento correto, por isso a necessidade de conhecer a tecnologia.

Expansão de cobertura
Além de espalhar informações e treinar adequadamente o pessoal do ramo, ainda existem outros desafios que a TV Digital deve enfrentar para conquistar mais usuários.

Para alcançar mais pessoas e mais cidades, é preciso que se expanda a cobertura nacional. Segundo o executivo, até o fim de 2008 serão 20 milhões de pessoas com potencial para ter a TV digital, um montante que representa o dobro da população do Chile e só 10% da do Brasil.

Arditi explica que, embora as adoções digitais estejam adiantadas em relação ao calendário, esse é um fenômeno gradativo, pois as emissoras precisam de dinheiro para realizar a troca de sistema e ainda faltam incentivos, principalmente para as pequenas empresas.

Interatividade
Outro atrativo para os consumidores aderirem à TV Digital é a prometida interatividade, que ainda não foi implantada no País. De acordo com o Arditi, a expectativa é que a comercialização inicie em meados de 2009.

Ele explica que a Ginga - tecnologia da interatividade - já está toda especificada (salvo pequenas discussões, como se terá parte Java desde o início ou não, mas que não atrasam a implementação) e, agora, passa por fase de implantação e testes.

Assim, com o início da interatividade, já existirá a possibilidade de realizar transações financeiras, como consulta ao saldo e doc, só dependendo de as instituições financeiras (bancos e operadoras de cartão) proporcionarem o serviço aos clientes, bem como que o usuário adquira aplicativo específico.

Expansão internacional
Arditi ainda destaca que a divulgação do sistema de TV Digital deve ser feito para países vizinhos, a fim de que eles adotem a tecnologia usada no Brasil.

Primeiro, porque essa adoção levaria a indústria brasileira a exportar os equipamentos necessários para recepção e distribuição do sinal. Segundo, que, quanto maior o campo de cobertura, melhor, já que os moradores das fronteiras seriam beneficiados.

Televisores digitais
Assim, entre informação, treino de vendedores e instaladores, expansão nacional e internacional e a interatividade, a TV Digital ainda tem alguns bons desafios a enfrentar e alcançar todo o Brasil.

Entretanto, Arditi destaca que esta é uma tecnologia nova, ainda cara, penosa e lenta, mas que, com o tempo, isso vai mudar. Assim como o celular e o aparelho DVD tiveram dificuldades e preços altos no princípio, futuramente a TV Digital será acessível tanto financeiramente quanto localmente.

A tendência é que os televisores venham com set-top box embutido. "No futuro, os televisores serão digitais, como todos hoje são coloridos e não se encontra mais o preto e branco", avalia o vice-presidente.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Histórias reais da era das convergências tecnológicas II


A versão tecnoumana do nascimento do computador pessoal

Por Álvaro Larangeira

Todo dia ele fazia tudo sempre igual. Acordava a contragosto às 6h, tomava o café descafeinado, deglutia uma fatia de pão pós-transgênico e findava o desjejum com a laranjada sem laranja. Retirava-se da mesa e partia para as leituras. Ulisses nos primeiros 60 minutos e Heidegger e Heráclito na hora seguinte. O restante do horário de estudos, uma hora e meia, reservava ao grego e alemão. Para ler nos originais, justificava.

Todo dia Divininho fazia tudo sempre igual a uma criança comum, se levada em consideração a idade: seis anos. Isso até aquela data, 12 de outubro. Neste dia, despertou perto da uma, sem haver como o tirar da cama antes, menosprezou o brequefeste e fez pouco caso das obras completas dos autores sobreditos e do livro do James Joyce, no qual empacara na duomilésima nona página havia 12 meses.

Para surpresa da família, nem falou sobre a validade da hermenêutica gadameriana aplicada às vicissitudes da existência do capitalismo socialista quando em apuros ou da cientificidade do pensamento científico no cientificismo do não-ser sabe-se lá quem, como costumava proferir nos costumeiros diálogos dialéticos e dialógicos com Paul Rabbit, seu gato e único ser inteligente em condições de confabular com o menino graças às seis vidas passadas - das quais nada sabemos - e também por causa da deficiência do ensino fundamental ainda carente duma epistemologia pedagógica mais adequada aos anseios intelectivos da infância.

Bombado, ele falou. “Hoje tô bombado.” A mãe, sempre a mãe, estranhou a frase advinda daquele indivíduo com meia dúzia de anos. Terei trocado o café pelo chá de cogumelo?, questionou-se a matriz do nosso personagem, acossada pelo remorso das experiências metafísicas pretéritas. Dúvida logo dissipada, pois Divino Júnior desprezara a alimentação matinal, afora ninguém mais sorver este tipo de líquido.

Porém, ele parecia, sim, fora da casinha. Divininho emperiquitou-se com o fardão tamanho míni a ele presenteado pela Academia Brasileira de Letras Mirim, quando da assunção [ô loco!] à cadeira n° 1001 da ilibada instituição literomaníaca, e chamou sua mãe – a dele, não a sua. Hoje é o Dia das Crianças? Ãrrã, ouviu. Posso pedir qualquer presente? Em tese, sim, foi a resposta. Então quero ser um IMACSUNGHPDELLCJTX2075. Ok.

Nascia assim o primeiro computador pessoal da humanidade. Aliás, pessoalíssimo.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Histórias reais da era das convergências tecnológicas


Conseqüência presumível

Por Álvaro Larangeira

Só podia dar nisso: Patrícia estava grávida. Apenas 13 anos e embuchada – pode parecer grosseira, quiçá cruel, porém é a palavra adequada para a situação. Quem observava a menina (menina?) previra o desfecho. Aquele grude transpusera a normalidade. Tornara-se uma tara. Isso mesmo, tara. A avó, sempre mais atenta e respaldada pela inata percepção pan-óptica feminina, percebera a atração doentia da neta e até a aconselhara a largar aquela – perdoai-nos, senhor, pelo termo – coisa. “Coisa, não, vó!”, retrucava Paty. Para a mocinha, ele era solidário, cúmplice e incapaz do gosto pelas infidelidades inerentes à vida. Em resumo, o companheiro ideal.

A avó alertou a filha, e esta resolveu recorrer às conhecidas propriedades psicoterapêuticas da leitura em casos propensos à lascívia precoce. Presenteou a protoadolescente com a literatura condizente à idade. Primeiro, Alice no País das Maravilhas, Meu Pé de Laranja Lima e, já projetando a carreira artística, O Pequeno Príncipe. Nada. Em seguida, esperançosa da eficácia da filosofia no abrandamento dos espíritos inquietos, mimoseou a caçula com Crítica da Razão Pura, do Kant, e Meus Demônios, do Morin. Inútil. Sem sucesso, apelou: A Função do Orgasmo, do Reich, e Kama Sutra para Adolescentes, dalgum tarado. Nem cócegas.

Simples. Patrícia queria apenas o seu objeto do desejo e mais nada. Começara com conversinhas ao ouvidinho e intermináveis risadinhas. Depois, joguinhos. Nos últimos tempos, fotinhos e videozinhos pra lá e pra cá. Pronto, o distinto ser passou a fazer parte daquele tenro corpinho auroreal. Era manhã, tarde e noite. Inclusive madrugadas. Na escola, nas escadas e nas baladas. O tempo inteiro. Daí a desconfiança daquelas almas ligadas à salutar espiada da vida alheia. Viam-na carregá-lo tal qual um tesouro, um pote de ouro, uma – remitais novamente, ó senhor, pela comparação – bíblia.

E assim foi, até o fatídico dia.

- Mãe, estou grávida.
- De quem? – perguntou a genitora daquele cristalino bibelô, apenas por praxe.
- Não sei.

E era verdade. Patricinha, assim chamada pelas amigas patricinhas, tinha três celulares. Portanto, desconhecia quem fosse o verdadeiro pai da criança. Uma coisa, porém, era certa, e amainava a angústia da família, agregados e entornos: conforme as funções do bebê, será fácil reconhecer a paternidade. MP5, com câmera digital 7 megapixels? Papai Ericsson. Bluetooth e acesso à internet? Papai Motorola. Tudo isso e mais um pouco – alguns diamantes, por exemplo? Só pode ser filho do Goldvish. Pronto.