segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Capítulo XXXII - Olhos de ressaca




Tudo era matéria às curiosidades de Capitu. Caso houve, porém, no qual não sei se aprendeu ou ensinou, ou se fez ambas as cousas, como eu. É o que contarei no outro capítulo. Neste direi somente que, passados alguns dias do ajuste com o agregado, fui ver a minha amiga; eram dez horas da manhã. Dona Fortunata, que estava no quintal, nem esperou que eu lhe perguntasse pela filha.
--Está na sala penteando o cabelo, disse-me; vá devagarzinho para lhe pregar um susto.

Fui devagar, mas ou o pé ou o espelho traiu-me. Este pode ser que não fosse; era um espelhinho de pataca (perdoai a barateza), comprado a um mascate italiano, moldura tosca, argolinha de latão, pendente da parede, entre as duas janelas. Se não foi ele, foi o pé. Um ou outro, a verdade é que, apenas entrei na sala, pente, cabelos, toda ela voou pelos ares, e só lhe ouvi esta pergunta:

-- Há alguma cousa?

-- Não há nada, respondi; vim ver você antes que o padre Cabral chegue para a licção. Como passou a noite?

-- Eu bem. José Dias ainda não falou?

-- Parece que não.

-- Mas então quando fala?

-- Disse-me que hoje ou amanhã pretende tocar no assumpto; não vai logo de pancada, falará assim por alto e por longe, um toque. Depois, entrará em matéria. Quer primeiro ver se mamãe tem a resolução feita...

-- Que tem, tem, interrompeu Capitu. E se não fosse preciso alguém para vencer já, e de todo, não se lhe falaria. Eu já nem sei se José Dias poderá influir tanto; acho que fará tudo, se sentir que você realmente não quer ser padre, mas poderá alcançar...? Ele é atendido; se, porém...É um inferno isto! Você teime com ele, Bentinho.

-- Teimo; hoje mesmo ele há de falar.

-- Você jura?

-- Juro. Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, «olhos de cigana oblíqua e dissimulada.» Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exacta e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastámos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bemaventurados do céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafectos augmentará as dores aos condemnados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitou, mas então com as mãos, e disse-lhe, -- para dizer alguma cousa, -- que era capaz de os pentear, se quisesse.

-- Você?

-- Eu mesmo.

-- Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim.

-- Se embaraçar, você desembaraça depois.

-- Vamos ver.

domingo, 7 de dezembro de 2008

A estratégica estratégia do secretário de assuntos estratégicos estrategicamente ociosos


A CRUZ DO IPEA

Elio Gaspari

Durante o mandarinato do professor Roberto Mangabeira no ministério-do-sei-lá-o-quê, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, fechou seu Centro Internacional de Pobreza. Financiado pela ONU, ele foi uma referência mundial para estudos sociais e funcionava desde 2004. Chegou a ter 19 funcionários.
O doutor pretende criar um centro de estudos de relações internacionais. Talvez para ter um lugar onde possa falar inglês.
O Ipea busca espaço para a instalação de 25 pessoas em Belém, onde pretende abrir uma representação. É provável que faça coisa parecida em Natal.
Atualmente, o instituto funciona apenas em Brasília, com uma pequena filial no Rio, onde foi fundado.

Em Belém, para fiscalizar a floresta

e em Natal, para cuidar do mar

E agora, José?


Autor dos discursos de Obama é flagrado em pose embaraçosa com boneco de Hillary

O Globo

Autor dos elogiados discursos do presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama, o jovem Jon Favreau, de 27 anos, viu-se em uma situação delicada na última quinta-feira, quando fotos de uma festa recente, em que ele aparece dançando com um boneco de papelão em tamanho real da senadora e futura secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram no ar por cerca de duas horas na rede social Facebook. Nas imagens, reproduzidas pelo jornal "Washington Post", Favreau aparece com uma das mãos no seio da imagem da senadora, enquanto um amigo coloca uma garrafa de cerveja em sua boca.

As fotos foram rapidamente tiradas do ar, assim como todas as outras de Favreau na comunidade, exceto aquela que ilustra o seu perfil. Questionado sobre as imagens, o jovem que vem sendo apontado como futuro diretor de discursos da Casa Branca, preferiu não comentar o assunto. Um membro da equipe de transição informou que Favreau apresentou um pedido de desculpas à senadora.

Favreau não foi o primeiro membro de campanha cuja atuação na internet tenha causado problemas para os democratas. Em março, Soren Dayton, da equipe de John McCain, encaminhou um vídeo anti-Obama do YouTube para seu Twitter particular, o que levou a seu afastamento da campanha. E em 2007, dois blogueiros contratados pelo ex-senador John Edwards, da Carolina do Norte, acabaram demitidos depois que textos escritos em seus blogs antes da contratação causaram polêmica.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Uma revista acadêmica para a graduação


Revista Anagrama – Revista Interdisciplinar da Graduação
Ano 2 - Edição 2– Dezembro de 2008/Fevereiro de 2009
Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo, CEP: 05508-900
anagrama@usp.br

http://www.usp.br/anagrama/index.htm

Editorial

Tal como Muniz Sodré coloca, a midiatização é uma nova forma de bios –
relacionada com a classificação aristotélica das formas da vida –, uma nova tecnologia de
sociabilidade. Assim, há um avanço, para o pesquisador, das Ciências da Comunicação
como uma forma de problematização das “mutações culturais da sociedade
contemporânea” e das tensões entre o comunitário e o societário.
Assim, o “pensar a mídia” se torna cada vez mais independente de um pensamento
social generalista que acredita que a Comunicação Social é um mero instrumento, um
objeto de pesquisa entre outros. Portanto, além de buscarmos epistemologias, precisamos
incentivar os graduandos a terem o interesse pela investigação acadêmica. Dessa forma, a
revista Anagrama acredita estar fazendo a sua parte ao publicar 16 interessantes textos em
7 campos da Comunicação Social, produzidos por graduandos de diversas instituições
brasileiras.

No campo das interfaces políticas da Comunicação Social, publicamos quatro
artigos de grande interesse. Em A Interpretação do Gigante: jornalismo e política em
“Veja”, as autoras – Aline Vogt, Camilla Milder, Franciele Fonseca e Caroline Casali –
discutem a relação entre a política e o jornalismo da revista Veja através do discurso dessa
mídia impressa sobre o caso Renan Calheiros. A análise demonstra, em geral, que a revista,
ao tratar de política, apresenta um discurso marcado pela subjetividade, evocada pelo uso
de adjetivações e autoreferências.

Já em Primavera dos Jornais: imprensa e revoluções de 1848, Rafael Duarte
Oliveira Venancio nos apresenta um breve resumo histórico das Revoluções de 1848,
dando destaque à participação da imprensa na luta revolucionária, abordando os
movimentos revoltosos ocorridos na França, Estados Alemães, Sicília & Estados Italianos,
Áustria, Hungria e Brasil.

Cassandra Reis, Maiqui Freistrecker, Juliana Campos Chaves e Vanessa Reis, no
artigo Blogs de Política do “O Globo Online”: o desenvolvimento da pauta jornalística,
discutem como os blogs de política do jornal O Globo Online são pautados e como eles
pautam o portal. Os principais fatores observados foram: independência editorial dos
assuntos publicados, linguagem, periodicidade e qualidade das informações.
Para encerrar, na resenha de nossa edição, Eliza Bachega Casadei versa sobre o
livro Pages From the Past, de Carolyn Kitch, no texto intitulado O Passado nas Páginas
das Revistas Norte-americanas: a invenção das identidades a partir da evocação dos laços
comunais. Para a autora do livro em questão, as revistas publicadas nos Estados Unidos
fornecem uma visão unificada e patriótica do passado nacional, contribuindo, com isso,
para a criação e afirmação da identidade estadunidense.

No campo dos Estudos de Teatro, apresentamos também quatro artigos. Guilherme
Dearo, em O Teatro Político de Gianfrancesco Guarnieri sob a Censura, mostra as
particularidades das interdições perante um discurso teatral crítico e politizado, tal aquele
praticado pelo dramaturgo em questão.

Já Carolina Oms, com Nelson Rodrigues e a Censura Teatral, mostra a questão da
censura moral no âmbito das peças de Teatro. A autora lembra que Nelson Rodrigues foi
sistematicamente censurado, seja nos jornais, nas peças, nos livros ou nas novelas.
Em A Sexualidade Vigiada, Carolina Rossetti de Toledo procura entender a lógica
da atuação da censura teatral sobre as questões da sexualidade. Para isso, a autora utiliza os
processos de censura, contidos no Arquivo Miroel Silveira, de O Irresistível Roberto e Me
Leva Meu Bem, peças de autoria de Joracy Camargo.

Para finalizar, Marina Fumie Yamaoka, com o artigo Heranças de Alfredo
Mesquita, Bases de Jorge Andrade, busca demonstrar de que forma o trabalho de Alfredo
Mesquita; as fundações da Escola de Artes Dramáticas, do Teatro de Arena e do Teatro
Brasileiro de Comédia; e sua atuação como autor, professor, tradutor e diretor
influenciaram o trabalho como dramaturgo de Jorge Andrade.

No campo das interfaces literárias da Comunicação Social, a Revista Anagrama
publica três artigos. O artigo Entre a Ficção e a História: um passeio pelas cidades com
Ítalo Calvino e Marco Polo – de autoria de Tatiane Aparecida da Silva Severino e Wania
Aparecida Guedes da Silva – verifica como se configura a reapropriação temática e
estrutural de Il milione (1298), de Marco Polo, realizada por Ítalo Calvino em Le cittá
invisibili (1972).

Já Luis Nakajo, em De espelhos e de marcas: a literatura de não-ficção, analisa os
processos epistemológicos que perpassam a narrativa de não-ficção. Colocando a obra de
Tom Wolfe em perspectiva, o autor parte da enganosa metáfora de “espelho da realidade”,
articulando os conceitos de intelecto, conversação e leitura birreferencial.
Por fim, o artigo O Jornalismo Fala a Si Mesmo: padrões discursivos em livros
sobre a prática da notícia e da reportagem, de Flávia Souza de Siqueira, busca apontar
padrões discursivos em três livros de jornalistas sobre a prática da notícia e da reportagem.
Analisando os livros A prática da reportagem, de Ricardo Kotscho, A arte de fazer um
jornal diário, de Ricardo Noblat, e Repórteres, organizado por Audálio Dantas, a autora
identifica amostras de um discurso mais amplo e disciplinador, que busca estabelecer os
critérios de acesso à profissão.

No campo dos Estudos da Televisão, a Anagrama apresenta dois artigos. Luara
Krasnievicz, Pricila Aparecida Aita e Caroline Casali, com o artigo Domingo (nada)
Legal: mapeamento do sensacionalismo em programas de auditório, apresentam um
mapeamento das estratégias discursivas usadas no programa Domingo Legal. A partir da
investigação empreendida, as autoras evidenciam o uso de situações rotineiras e pessoas
comuns para criar verdadeiros espetáculos midiáticos, visando conquistar – e manter – os
telespectadores.

Por sua vez, Vanessa Costa Trindade, em “Eu aumento, mas não invento”:
interesse público x interesse do público no “TV Fama”, discute os limites entre o público e
o privado nos programas televisivos de fofocas sobre celebridades, buscando verificar as
tensões estabelecidas entre interesse público e interesse do público.

No campo dos Estudos do Rádio, a presente edição possui um artigo. Intitulado
Histórias de outros carnavais: a construção da história da música popular brasileira na
narrativa radiofônica de Almirante, o texto de Giuliana Souza de Lima busca um estudo
das séries produzidas por Almirante – Carnaval Antigo (1946) e Histórias do Nosso
Carnaval (1952). Elas sintetizam e fundem muitos dos aspectos que assinalaram o
conjunto da obra do músico, apontando tanto para os programas educativos, que aí
assumem um caráter folclorizante, como para as realizações que indicam a consolidação de
uma indústria cultural.

No campo dos Estudos do Cinema, a Anagrama também publica um artigo. Julio
César Lourenço, em Os conflitos de Carlitos frente às contradições da sociedade moderna,
discute a inadequação do personagem de Charles Chaplin ao ideário de uma sociedade
liberal fragmentada e tecnicista que nos oferece um exercício de estranhamento de nossa
própria cultura.

Para finalizar a presente edição, há um artigo no campo das interfaces lingüísticas
da Comunicação Social. Cibele Terezinha de Paula Sobral, Luciana Duarte Baraldi e
Vanessa dos Santos Marques, em Uma abordagem funcionalista no estudo do item
“ocorre que”, pretendem analisar o item “ocorre que” por meio de uma perspectiva
funcionalista do estudo da linguagem, já que essa corrente preocupa-se em verificar o
modo como a língua é utilizada por seus falantes no ato de comunicação como ferramenta
para alcançar suas intenções no momento da enunciação. Assim, as autoras buscam
identificar os estágios dos processos de gramaticalização pelos quais o presente objeto de
estudo está passando.

Esperamos que a presente edição da revista Anagrama não signifique apenas um
passo na carreira dos autores, mas sim um exercício de divulgação de pesquisas para seus
pares e para a sociedade em geral. Uma boa leitura a todos.

Os Editores


ARTIGOS

A Interpretação do Gigante: jornalismo e política em Veja
Aline Vogt, Camila Milder, Franciele Fonseca, Caroline Casali (CESNORS/UFSM)

Nelson Rodrigues e a Censura Teatral
Carolina Oms (ECA/USP)

A Sexualidade Vigiada
Carolina Rossetti de Toledo (ECA/USP)

Blogs de Política de O Globo Online: o desenvolvimento da pauta jornalística
Cassandra Reis, Maiqui Freilstrecker, Juliana Campos Chaves, Vanessa Reis (Unisinos)

Uma Abordagem Funcionalista no Estudo do Item "ocorre que"
Cibele Terezinha de Paula Sobral, Luciana Duarte Baraldi, Vanessa dos Santos Marques (FFLCH/USP)

O Jornalismo Fala a si Mesmo: padrões discursivos em livros sobre a prática da notícia e da reportagem
Flávia Souza de Siqueira (ECA/USP)

Histórias de Outros Carnavais: a construção da história da música popular brasileira na narrativa radiofônica de Almirante
Giuliana Souza de Lima (FFLCH/USP)

O Teatro Político de Gianfrancesco Guarnieri sob a Censura
Guilherme Dearo Vieira Santos (ECA/USP)

Os Conflitos de Carlitos Frente às Contradições da Sociedade Moderna
Julio César Lourenço (UEM)

Domingo (nada) Legal: mapeamento do sensacionalismo em programas de auditório
Luara Krasnievicz, Pricila Aparecida Aita, Caroline Casali (CESNORS/UFSM)

De Espelhos e de Marcas: a literatura de não-ficção
Luis Nakajo (ECA/USP)

Heranças de Alfredo Mesquita, Bases de Jorge Andrade
Marina Fumie Yamaoka (ECA/USP)

Primavera dos Jornais: imprensa e revoluções de 1848
Rafael Duarte Oliveira Venancio (ECA/USP)

Entre a Ficção e a História: um passeio pelas cidades com Ítalo Calvino e Marco Polo
Tatiane Aparecida da Silva Severino, Wania Aparecida Guedes da Silva (FFLCH/USP)

"Eu Aumento, mas não Invento": interesse público x interesse do público no TV Fama
Vanessa Costa Trindade (UFMG)


RESENHA
O Passado nas Páginas das Revistas Norte-americanas: a invenção das identidades a partir da evocação dos laços comunais
Eliza Bachega Casadei (ECA/USP )

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A EMATETA da Yeda Cruzes no Rio Grande do Sul



Quem tem boca vai a Roma: a incrível "viagem de trabalho" dos funcionários da Emater

Do RS Urgente

No momento em que os deputados da base do governo Yeda Crusius (PSDB) comemoravam na Assembléia a aprovação do projeto criando a Secretaria da Transparência, uma nova denúncia de irregularidades envolvendo integrantes do Executivo era veiculada em uma matéria do jornalista Giovani Grizotti, na RBS TV (vídeo abaixo).



O chefe de gabinete da presidência da Emater, Luiz Antonio Machado Vial, passou quase um mês em Roma e adjacências, de 25 de outubro a 22 de novembro, com despesas pagas pelo Estado, em uma viagem que tinha como objetivo "conseguir convênios, divulgar e buscar patrocínio" para dois eventos da Emater: o Congresso Internacional de Pecuária de Corte e o Fórum O Campo Abre Caminhos. Primeiro detalhe: o congresso foi realizado dia 21 de novembro, antes mesmo da viagem terminar. “Para esses dois eventos eu não trouxe patrocínio. Isso é verdade”, admitiu Vial ao jornalista.

Sem saber que estava sendo gravado, Vial confirmou que sua esposa, Sandra Martini Vial, também esteve na Europa a serviço do governo. Sandra Martini é diretora da Escola de Saúde e irmã do ex-secretário-geral do governo Yeda, Delson Martini. Num primeiro momento, ele negou que tivessem se encontrado na Itália. Depois, admitiu que passaram um final de semana juntos.

Vial comeu muito bem em Roma. Dinheiro não faltou. A "contabilidade criativa" do governo Yeda trata bem, ao menos, alguns funcionários. Só em diárias para alimentação, o chefe de gabinete recebeu US$ 6.700,00 dólares (cerca de R$ 16 mil). Foram 578 reais por dia para saborear a cozinha romana. Também teve a hospedagem paga pelo Estado e recebeu outros US$ 1.577,00 para gastos com aluguel de carros e combustíveis. O diretor administrativo da Emater, Cilon Fialho da Silva, também viajou a Roma, mas ficou lá oito dias. As explicações dos envolvidos e do presidente da Emater, Mário Ribas Nascimento, são bastante esburacadas e envergonhadas. Ao todo, a expedição a Roma custou mais de R$ 40 mil aos cofres públicos.

A Emater, cabe lembrar, foi uma das primeiras vítimas da política de déficit zero do governo Yeda. Quatrocentos funcionários foram demitidos sob a alegação de falta de recursos. Nada como um governo transparente e com coragem para cuidar das finanças públicas.

Com a emoção entalada na goela

Circo da Notícia


JORNALISMO ECONÔMICO

Ouvir bobagens, transcrever bobagens

Por Carlos Brickmann - Observatório da Imprensa


O espaço e o tempo gastos numa notícia boba como a dos empréstimos da Petrobras no Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal são impressionantes: demonstram com clareza que os veículos de comunicação, longe de analisar criticamente o noticiário, limitam-se a transcrever declarações de um lado e de outro, sem procurar hierarquizar as informações, sem nem sequer tentar organizá-las.

Passo a passo: uma empresa não costuma acumular dinheiro no cofre, ou debaixo do colchão, ou no banco. Dinheiro assim não rende nada: apenas sofre o desgaste da inflação. A empresa monta um programa de aplicação de recursos (procurando obter bom rendimento), casado com um programa de pagamentos. Assim, quando tiver uma conta para pagar, tem uma aplicação vencendo. Muitas vezes, por diversos motivos, há descasamento entre aplicações e recebimentos; e a empresa levanta um empréstimo onde conseguir melhores condições.

Foi, visivelmente, o que aconteceu na Petrobras – que, a propósito, apresentou bons lucros no balanço. A oposição tomou conta do tema e o utilizou para críticas ao governo. É coisa irresponsável (aquilo que o presidente Lula, definindo seu estilo de fazer oposição, chamou de "bravatas"), mas pelo menos tem a justificativa de que é coisa de político. Já os meios de comunicação, em vez de explicar como funciona uma empresa, preferiram transcrever declarações de ataques e de defesa, como se publicar os dois lados de uma questão resolvesse o problema de mostrar aos leitores o que é que realmente aconteceu.

O problema, a propósito, não se limita à informação incompleta: a notícia mal dada pode ter efeitos em bolsa, e causar prejuízos a quem aplicou suas economias em ações de uma empresa com boa reputação e bons lucros.

Se é apenas para transcrever declarações de políticos da oposição e do governo, qual a diferença entre os meios de comunicação jornalísticos e as tevês oficiais?



Erro essencial

Na briga do Equador com uma construtora brasileira, na decisão do presidente Rafael Correa de levar a questão do pagamento do empréstimo que recebeu do BNDES à Câmara de Comércio Internacional de Paris pode haver exageros: as ameaças aos funcionários brasileiros da empresa, por exemplo, ou a decisão de impedi-los de deixar o país, forçando a Embaixada do Brasil em Quito a asilá-los. Mas o comportamento, se menos grosseiro e truculento, seria aceitável: o Equador decidiu recorrer aos foros internacionais competentes para contestar uma dívida que julga ilegítima. Se o presidente Rafael Correa quis ou não avisar ao presidente Lula o que é que faria, ninguém tem nada com isso: é uma decisão dele comportar-se ou não com educação e cortesia.

A imprensa brasileira, com raras exceções, ficou ao lado da construtora e do banco oficial ameaçado de calote. Só faltou declarar guerra ao Equador. E não abordou os dois temas mais interessantes da disputa: primeiro, se o empréstimo havia sido concedido aos equatorianos ou à construtora brasileira (as primeiras declarações da ministra Dilma Rousseff indicavam a segunda hipótese). Segundo, como é que o BNDES decide a quem emprestar, e se sofreu ou não pressões políticos para conceder o crédito. É fato conhecido que o Equador vive clima de instabilidade política, até com enfrentamentos militares recentes com seus vizinhos. Se pomos dinheiro nesse caldeirão, que é que esperamos?



A loja e o morto

Tudo bem, a gente entende: os grandes anunciantes pagam a conta dos meios de comunicação. Só que isso não pode servir de desculpa para que o caso do cliente, morto por um segurança de uma grande rede de lojas, desapareça do noticiário. Há muito a noticiar: por exemplo, que tipo de apoio a empresa ofereceu à família da vítima; que tipo de assistência a empresa terceirizada de segurança está dando aos parentes do ser humano que seu funcionário matou; que é que pretendem, rede de lojas e empresa de segurança, fazer de agora em diante, para que tragédias desse tipo não mais se repitam.

Este colunista, talvez por falha na leitura dos jornais, não encontrou reportagens sobre o tipo de treinamento a que são submetidos os seguranças; os testes que lhes são aplicados; o comportamento que deles se exige. Se um motorista de caminhão, para ser habilitado, tem de passar por um psicotécnico, imagina-se que uma pessoa armada tenha de passar por avaliações ainda mais detalhadas. Quais são? Ou basta saber atirar para ser contratado, e daí em diante treinar tiro ao alvo? E a rede de lojas, continua satisfeita com sua empresa de segurança? Pretende fazer mudanças nos contratos que mantém? Que tipo de mudanças?



Aí vem a patrulha

O chatíssimo patrulhamento dos meios de comunicação, com objetivos puramente partidários, tinha de dar nisso: até jornalistas experientes, que sabem perfeitamente como funciona uma redação, caíram na armadilha do fulanismo, e tentam responsabilizar um colega – que, por mais importante que seja na estrutura de uma empresa, é um empregado – por diretrizes jornalísticas que não apreciam. A bola da vez é Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da Rede Globo. E, segundo os patrulheiros, ele é também o culpado por tudo aquilo de que não gostam nas Organizações Globo, do jornal à revista Época, da rede de TV aberta ao rádio, do noticiário on-line aos canais Globosat.

Este colunista é leitor de Ali Kamel, mas não o conhece pessoalmente. Sabe que pertencia ao círculo mais próximo do grande Evandro Carlos de Andrade, o que diz muito sobre ele; e Ricardo Kotscho fala bem dele, o que também é um excelente sinal. Mas, de qualquer forma, é absurdo acreditar que uma só pessoa, além de dirigir o jornalismo da maior rede de TV do país, consiga tempo para comandar o trabalho de colegas nos mais diversos veículos de comunicação do grupo. Não deixa de ser um elogio a Ali Kamel considerá-lo capaz de tamanho feito. Mas, de qualquer forma, menos: pode-se gostar ou não de Ali Kamel sem precisar criar um personagem onipresente.



Erros da juventude

Este colunista passou muito tempo acreditando que os setores jornalísticos mais imunes ao erro eram aqueles em que os profissionais eram apaixonados pela área que cobriam. Se alguém conversasse sobre cavalos com os responsáveis pelo turfe no Estadão, o Hélio Burro e o Hélio Delegado, teria informações absolutamente precisas, à prova de erro. Consultas ao Emílio Camanzi sobre automobilismo esportivo ou ao Luís Carlos Secco sobre automóveis em geral, no Jornal da Tarde, recebiam respostas corretíssimas. O Paquinha – hoje Luiz Fernando da Silva Pinto – era um apaixonado por automobilismo e sabia muito de corridas.

Mas as coisas mudaram. Já houve redator que enforcou Jesus Cristo; já houve jornalista que acreditou numa bomba étnica, capaz de distinguir sozinha os palestinos dos israelenses e, ao explodir, matar apenas os palestinos. Já houve profissionais da área de ciência que cruzaram tomates com bois. Por que não acreditar que pode haver erros incríveis em matérias sobre indústria automobilística?

Este colunista leu outro dia, num grande jornal, que a crise econômica de 1929 liquidou a maior parte das fábricas americanas de automóveis, deixando apenas três: General Motors, Ford e Chrysler. E apontou a década de 1950 como o período em que a GM superou a tradicional liderança da Ford.

Bom, errou por uns 30 anos. A Ford perdeu a liderança para a GM nos anos 20. E, se havia apenas três fábricas nos EUA desde a década de 30, quem fabricava os Nash, os Studebaker, os Hudson, os Packard, os Willys? E a Kaiser, que produziu o primeiro compacto americano, o Henry J (que no Brasil era chamado de Henry Jr.) e o Jeep da Segunda Guerra Mundial? Todos estes carros sobreviveram até pelo menos os anos 50.

E, hoje, nem é preciso ter o Secco do lado para fazer perguntas. Basta ir ao Google – só que é preciso ter a disposição de fazer alguma pesquisa na Internet.



Boa notícia

Nos tempos de Alberto Dines, o Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil tinha uma coleção monumental de grandes jornalistas, na maioria muito jovens, liderados por Murilo Felisberto (que, mais tarde, seria a alma do Jornal da Tarde). Um dos craques chamava a atenção por não se preocupar exclusivamente com leads e subleads: gostava de música, gostava de artes, gostava de literatura – e, extremamente simpático e acessível, partilhava seus conhecimentos com quem o procurasse.

Pois é: Luiz Paulo Horta, que aos poucos foi se aproximando cada vez mais da música e da literatura, acaba de tomar posse na cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. O patrono é José de Alencar; o primeiro ocupante, Machado de Assis. E certamente Luiz Paulo Horta não faria feio perto de nenhum dos dois.



A história, por favor

Um dia, a bomba: o Inca, Instituto Nacional do Câncer, divulgou nota desaconselhando o exame preventivo de câncer de próstata, aquele que inclui o toque retal. A recomendação foi recebida com grande estranheza: é consenso em todo o mundo, é consenso no Brasil, que o toque retal e a dosagem de PSA devem ser feitos periodicamente para que o câncer na próstata seja diagnosticado o mais rápido possível, dando ao tratamento maior chance de êxito.

Poucos dias depois, pressionado pela revolta dos médicos que entendem do assunto, o Inca divulga outra nota, aconselhando o toque retal e a dosagem do PSA e informando que a nota anterior não expressava o pensamento do Instituto.

Que é que terá acontecido entre uma nota e outra? Este colunista não viu a história em nenhum veículo de comunicação. Terá sido uma iniciativa isolada? No caso, de quem? Como evitar que iniciativas isoladas prejudiquem todo um programa de saúde? Ou, se não foi uma iniciativa isolada, por que a opinião do Inca terá mudado em poucos dias? Foi só para atender à reação dos médicos? No caso, por que não consultá-los antes de inventar moda?

É uma história que merece ser contada. É uma história que precisa ser contada.



Como...

Do portal informativo de um grande jornal:

"Novos dados sobre meningite será apresentada na próxima sexta-feira"

Lembrando os velhos tempos de escola, como identificar o sujeito da frase?



...é...

Também de um grande portal informativo:

"Polícia britânica vai distribuir chinelos a mulheres alcoolizadas"

Chinelos ou chineladas?



...mesmo?

De um jornal importante:

"MG: médicos de pronto-socorro paralisam por 24 horas"

Este colunista entendeu: eles entraram em greve. Mas, voltando à análise da frase, não é isso que o jornal disse, não.



E eu com isso?

A Microsoft já está preparando o substituto do Windows Vista, que se chamará Windows 7. São algumas centenas de milhões de dólares – mais outras centenas de milhões na adaptação dos programas hoje existentes, nas novas licenças, nos novos processadores especialmente preparados para a nova tecnologia. E, ao que tudo indica, o novo Windows já sairá pronto para as telas sensíveis ao toque, iguais àquelas da Globo.

Então, gastos alguns bilhões de dólares, poderemos receber com muito mais estabilidade os sinais da Internet. Nada nos roubará notícias como estas:

1. Cindy Crawford caminha para manter a forma

2. Carolina Dieckmann exibe biquíni de oncinha durante gravação

3. Atriz vira pin-up nua em ensaio fotográfico

4. Camila Rodrigues faz as unhas em shopping do Rio

5. Com cinco metros, caveira gigante tem funções de sauna

6. Filha de Zezé Di Camargo diz que nunca beijou na frente do pai

7. Naomi Campbell toma sol de calcinha em Miami

Não, caro colega: ela não estava só de calcinha. Estava de blusa, supercoberta. E a calcinha, sinceramente, deveria ter o nome de calçona: é ainda maior que a parte de baixo dos velhíssimos maiôs duas-peças.



O grande título

Há um título que mais parece um teaser: um aperitivo da notícia. Ou a gente lê a notícia inteira ou não tem a menor idéia do que está acontecendo.

"Garrafa dágua confirma namoro de Madonna, diz site americano"

E um ótimo, de um press-release, especialmente adequado ao atual noticiário:

"Prêmio da Mega-Sena proporciona férias tranqüilas"

É verdade: nos últimos meses, pelo menos dois ganhadores da Mega-Sena passaram a desfrutar da tranqüilidade eterna.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Salário: R$ 8.389,60


Da Gazeta do Povo

A Agência Nacional de Águas (ANA) acaba de publicar o edital do concurso que oferece 152 vagas, todas de nível superior. São 100 oportunidades para a carreira de Especialista em Recursos Hídricos, 40 para o cargo de Analista Administrativo e outras 12 para a função de Especialista em Geoprocessamento. Nas três atividades, a remuneração oferecida corresponde a R$ 8.389,60.

As inscrições poderão ser feitas a partir das 10h desta quinta-feira, dia 4, até as 18h de 28 de dezembro. Para se candidatar, os interessados devem acessar o site da Escola de Administração Fazendária (www.esaf.fazenda.gov.br) e pagar uma taxa no valor de R$ 100.

sábado, 29 de novembro de 2008







‘Equivocidades’: quando zurra a ignorância

Moacir Japiassu (*)

Pelo medo e o terror
foi imposta a conquista
Pelo fio da espada
(Talis Andrade in O Paraíso Destruído)

‘Equivocidades’: quando zurra a ignorância
O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, vizinha ao Palácio da Liberdade, onde Aécio não sabe o que é bom pra Minas Gerais nem para si próprio, pois Camilo despachou esta, depois de pesquisar em revistas e jornais:

A propósito das mágicas feitas por Daniel Dantas em favor do tesouro pessoal, o Sebastião Nery publicou na Tribuna da Imprensa, do Hélio Fernandes, único jornalista brasileiro que não muda de opinião (é sempre contra), uma nota digna do Jornal da ImprenÇa:

Não sei qual é o terreiro do Daniel Dantas lá na nossa poderosa Bahia. Mas ele não enlouquece só a Polícia Federal, a Abin, o Ministério Público, que correm atrás de suas múltiplas, transnacionais e biliardárias estripulias. Também seus advogados já começaram a pirar. E em plena TV. No "Jornal Nacional", o posudo doutor Nélio Machado desandou: "O processo é um conjunto de equivocidades" (sic). Seriam "equívocos".

O doutor Eduardo Greenhalgh, velho advogado de Lula, José Dirceu e do crime de Santo André, e hoje lobista de Dantas, não vai falar agora:

"Só no momento opportunity" (sic). Queria dizer "oportuno".

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Talis Andrade
Leia no Blogstraquis a íntegra do poema que encima a coluna. Nas páginas de seu livro Sertões de Dentro e de Fora inspira os versos do poeta o pesadelo abrigado no testemunho de Frei Bartolomé de Las Casas.

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Nosso planeta
O considerado Mário Lúcio Marinho envia outra "frase do ano" que percorre a internet:

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

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Falta escrúpulo
O considerado Janio de Freitas escreveu na Folha de S. Paulo:

Na armação do negócio Oi/Telemar-Brasil Telecom-governo Lula, até o mínimo escrúpulo das urdiduras encobertas ou disfarçadas ficou como coisa do passado. Há mais de meio ano, está escancarada a participação do próprio Lula, com o assegurado decreto de alteração das regras impeditivas do negócio.

(...) Co-artífices da operação, o embaixador Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, e Hélio Costa, ministro das Comunicações, que foi contra o negócio começado às suas costas e, por obra de algum dos milagres comuns nessas transações, de repente tornou-se entusiasta na linha de frente.

Engulo, mas não posso digerir, o voto inútil que fiz a Lula.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que o presidente terá de engolir e, se puder, digerir.

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Título bom
De todos os títulos que anunciaram na imprensa a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, o melhor foi publicado em 21/11 na primeira página do jornal paulistano Diário do Comércio, cuja Redação é dirigida pelo considerado Moisés Rabinovici:

A Caixa não é mais Nossa

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Cheque no microondas
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo varandão debruçado sobre o Congresso e a Esplanada dos Ministérios é possível receber todos os péssimos fluidos desta democracia mais enganosa do que os cabelos louros de Marcelinho Paraíba, pois Roldão repassa mensagem de utilidade pública que percorre a internet:

Sabe aquelas máquinas de preencher cheques, aquelas que você só assina depois de preenchido automaticamente pela máquina, numa 'cortesia' do local onde você está pagando? Imagine só, os cheques podem ser apagados em fornos de microondas, sobrando apenas a sua assinatura. Em Santa Catarina ocorreu verdadeiro dilúvio de cheques adulterados em microondas. Com a tinta da máquina apagada no forno, os cheques podem ser preenchidos novamente.

Nos últimos dois meses, uma mesma agência bancária de Florianópolis recebeu 11 cheques adulterados da mesma forma.

'O preenchimento (na máquina) é feito com toner, que é um pó; este pó é desintegrado dentro do microondas', diz o perito em falsificações Arnaldo Ferreira. Segundo ele, um cheque de R$ 27,00 emitido em Santa Catarina foi compensado dois meses depois, em Feira de Santana, na Bahia, por R$ 4,2 mil.

O perito recomenda, como precaução, evitar as tais máquinas e usar sempre a caneta para o preenchimento dos cheques.

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Incorreto
Chamadinha na capa do UOL:

Evite roubadas
Conheça cinco dicas para fugir dos caras não valem nada

Janistraquis leu, observou a falta do "que", porém observou mais ainda o tom politicamente incorreto:

"Considerado, sabemos que, pelas novas regras da sociedade, não existem pessoas 'que não valem nada'. Há uns escorregões aqui, outros ali, mas a humanidade é boa, todas as almas vão para o céu, não existem pessoas feias, gordas ou velhas e o PT é um partido ético."

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Pensando em você!
Janistraquis recebeu e encaminhou ao goleiro Fernando Henrique, do Fluminense, famoso porque se benzeu 432 vezes durante os dois tempos de uma partida, sem contar os acréscimos:

Quando Jesus morreu na cruz, Ele estava pensando em você! Se você faz parte dos 7% que O apoiam, encaminhe este e-mail com o titulo 7%.

Confie.

As coisas acontecem na hora certa.
Exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.

Isto é muito interessante! 93% das pessoas não encaminharão este e-mail.

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Duas melancias
O considerado Hugo Caldas, professor e tradutor de inglês em Recife, envia de seu escritório com vista para a praia de Boa Viagem:

A Escola Nacional de Magistratura incluiu em seu banco de sentenças despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins. A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias.

Segundo Caldas (Janistraquis concorda até com a colocação das vírgulas), o despacho do meritíssimo nos devolve um pouco de confiança na Justiça, quase perdida depois de tantas e tantas “exarações” diabólicas de contumazes ladrões-de-toga.
(Leia no Blogstraquis a íntegra do documento.)

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É dá ou dou?!?!
Em anúncio do governo, anúncio que se inventa só pra gastar o dinheiro do povo, escuta-se a voz de uma senhora a perorar:

“Sem camisinha não dá!”

Janistraquis avaliou a situação e o tom empregado na divulgação do preceito e meteu a colher:

“Considerado, creio que erraram o tempo do verbo; o certo seria, em minha modesta opinião, ‘sem camisinha não dou’; o amigo concorda?”

Concordo. É procedente.

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Justiça é isso!
A considerada Helenita Gomes, empresária em São Paulo, envia mensagem de seu retiro no Bosque da Saúde:

Vi num noticiário americano da televisão que no estado de Idaho uma adolescente de 16 anos chamada Sarah Marie Johnson matou os pais a tiros e foi condenada a duas sentenças de prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional.

Se fosse aqui neste País de Todos, a criminosa pegaria uns aninhos de cadeia e sairia, jovem, linda e solta, para reclamar na Justiça o direito à herança paterna. Logo me lembrei daquela Suzane von Richstoffen, mandante do assassinato dos pais, que foram executados a pauladas enquanto dormiam. Mas talvez os americanos estejam errados, os certos somos nós...

Pois é, dona Helenita, segundo Janistraquis o Brasil é um país onde a justiça sempre dá uma “segunda chance” aos bandidos mais perigosos. É da nossa tradição, né mesmo? Agora, uma coisa é certa: duas sentenças de prisão perpétua é tremendo exagero; uma só já estava de bom tamanho!

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Nota dez
A coluna recomenda o artigo do considerado Geneton Moraes Neto, intitulado Os jornalistas estão enterrando o jornalismo!, no qual está escrito:

(...) Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.

O texto do autor, que todos conhecemos das entrevistas no Fantástico, foi publicado no site dele (www.geneton.com.br) e transcrito aqui neste portal.

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Errei, sim!
“É DE ENLOUQUECER!!! – Revelação surpreendente do caderno Negócio e Finanças, do Jornal do Brasil: São Paulo é a 3ª cidade sueca. Janistraquis conformou-se: ‘É, considerado... eu pensava que a terceira cidade sueca fosse Malmöe, mas é São Paulo, diz o sempre bem informado JB’. Estatelou-se, pensativo, e dali a instantes tresvariou: ‘Qual será então a quarta cidade sueca? Rio, Belo Horizonte...’. É mesmo de enlouquecer!!!” (agosto de 1991)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.