

na alegria


na tristeza










na rua

na fazenda
e numa casinha de sapê
Nota dez para o poeta Ferreira Gullar |
Sou como o vento: roubei (Nei Duclós in Olhos de Lata)
MINHA GENTE, estou a cada dia mais perplexo com a performance do nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não que ele tenha mudado essencialmente; nada disso, ele se comporta assim desde o primeiro dia de governo: não desce do palanque. Ele não se comporta como chefe de Estado. Fala sempre em termos pessoais, ou louvando-se a si mesmo sem qualquer constrangimento ou acusando alguém, seja a imprensa, seja a oposição, sejam as classes ricas, sejam os países ricos. Estão todos contra os pobres, menos ele que, felizmente, assumiu o governo do Brasil para salvá-los, após quatro séculos de implacável perseguição. Do Descobrimento até 2003, ninguém sabe como o Brasil conseguiu sobreviver, crescer, chegar a ser a oitava economia do mundo, sem o Lula! Só pode ter sido por milagre ou qualquer outro fator inexplicável. Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo que deve ter provocado sesquipedal azia no presidente, se é que um assessor mais letrado o soletrou para Sua Excelência. ****** Grande idéia Janistraquis considerou a idéia a coisa mais inteligente do mundo em todos os tempos, porém observou: “Considerado, o que impediria os são-paulinos de cercar o estádio e esperar o final do jogo para o pau quebrar nas imediações?”. É mesmo, nisso o tal promotor não pensou. ****** ????????????????? “Considerado, não seria ‘Centro de Interrogatório’?”. É, ficaria mais apropriado, creio. ****** Ivo viu a bunda “Que imagens são essas que o deputado mineiro Miguel Martini (PHS) viu? Isso ele não disse. Segundo Janistraquis, ó professor, as escolas deveriam simplesmente ensinar a meninada a ler e escrever, não importa se o material escolar se refira àquele Ivo que viu a uva ou a dona Raimunda que mostrou a bunda...” ****** Cueca e lingerie A revista Brasília em Dia da semana de 14 a 20 de fevereiro publica uma notícia na seção Empresas & Negócios (p. 33) sobre a terceira edição em Brasília, no próximo dia 17, do 'Dia Nacional da Roupa de Baixo' (The Brazilian Underwear Day), inspirado em evento similar que se realiza em agosto em Nova York, na Times Square desde 2003 . Trata-se de um desfile de moda destinado a valorizar a roupa de baixo feminina. Os modelos brasilienses vão desfilar pela cidade vestindo apenas cueca e lingerie, diz o texto. O redator da matéria deve ser português e não entende nada de roupas íntimas das mulheres. Só em Portugal é que as calcinhas femininas também são chamadas de cuecas, aqui exclusivamente roupa masculina. E lingerie é o termo francês para toda a roupa de baixo usada pelas mulheres. A peça superior é o sutiã, antigamente chamada de porta-seios. Janistraquis acha que o redator também não entende de mulher. ****** Inhaca, bodum Vitor Belfort quer melhor de três com Fedor. Fedor, considerado, não é aquele cheirinho catinguento; trata-se de Fedor Emilianenko, brutamontes russo que vai lutar com o brasileiro. ****** Consumo pessoal É claro que todos os leitores inteligentes deram boas gargalhadas e Truda legendou a sua: "Dá pra imaginar a gritaria da base de apoio se, no lugar de FH, estivesse a palavra Lula, né não?" ****** Otimismo é isso “Considerado, há anos não ganhávamos de 4 a 1 do Flamengo!!!” Observei que se tratava do Flamengo do Piauí, mas ele nem se tocou: “Flamengo é sempre Flamengo, como diz o hino deles; ganhamos de goleada e ponto final!” ****** Licitação Brasileira ****** Sem vaselina... Saiu originalmente, caro amigo, no site www.claudiohumberto.com.br, em 23/jan/2009. Janistraquis acusou o golpe: "Pois é, considerado, e esta foi sem vaselina, hein?" Sem vaselina nem KY. ****** Nei Duclós ****** Decisão ****** O ano da reforma -- Em casos como AUTOESTIMA o hífen cai. Mas a sua é que não pode cair. -- Em algumas palavras, o acento desaparece, como em FEIURA. Aliás, poderia desaparecer a palavra toda. -- O acento também cai em IDEIA, só que dela a gente precisa. E muito! -- O trema sumiu em todas as palavras, como em INCONSEQUÊNCIA, que também poderia sumir do mapa; assim, a gente ia viver com mais TRANQUILIDADE. -- Mas nem tudo vai mudar. ABRAÇO continua igual. E quanto mais apertado, melhor. AMIZADE ainda é com "Z", como VIZINHO, FUTEBOLZINHO, BARZINHO. -- Expressões como "EU TE AMO" , continuam precisando de ponto. Se for de exclamação, é PAIXÃO, que continua com "X", como ABACAXI, que, gostando ou não, a gente ainda vai ter alguns pra descascar. -- SOLITÁRIO ainda tem acento, como SOLIDÁRIO, que muda só uma letra, mas faz enorme diferença. -- CONSCIÊNCIA ainda é com SC, como SANTA CATARINA, que precisa tocar a VIDA para a frente. -- E por falar em VIDA, essa muda o tempo todo e é por isso que emociona tanto!!! ****** Cobras, cobrões Janistraquis, que sempre mostrou o pau depois de matar a cobra, não acreditou; para ele, a menor cobra do mundo, e venenosa, ainda atende pelo nome de ACM Neto, agora corregedor da Câmara. ****** Ah!, quello paese... Ignoro o motivo pelo qual Janistraquis se lembrou da cena; certamente porque é inesquecível. ****** Errei, sim! Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com. (*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”. |
Recebi uma carta-desabafo da governadora Yeda Crusius e vou, confiando na tolerância da remetente, cometer a inconfidência de publicá-la: não achei justo que os leitores fossem privados dessas reflexões da nossa governante:
“Querido Paulo Sant’Ana. Bom dia!
E que lindo dia, o primeiro sem horário de verão deste ano.
Amo o horário de verão, o dia mais longo, a noite mais curta, o calor.
Amo tanta coisa...
Acordei com a garganta meio ‘pegada’, o corpo me indicando que ainda não consegui ‘pegar leve’.
Esta será uma mensagem para eu não adiar mais o que queria: te contar coisas escrevendo à mão, como é do meu tempo, o tempo do respeito, do selo na carta, do envelope chegando pelas mãos do carteiro, tão aguardado envelope, tão especial mensagem, tão pessoal ‘tua letra’, às vezes com um pingo de perfume lá em cima, na data, ou mesmo uma folha de alguma árvore ou flor da estação... Pessoal, como é esta mensagem, entenda.
Não tenho conseguido esse tempo. Então não vou mais adiar.
Como você tem acompanhado, não me permitem esse tempo.
Quando me perguntam ‘como você aguenta’ respondo de dentro do coração. Pois quando tomei em 2005 a decisão de buscar governar o Rio Grande foi porque havia:
uma ideia
um projeto
um grupo de pessoas afinadas
um Estado
um povo
uma política
uma boa política no tempo das tão más políticas.
A ideia continua viva, muito viva. O grupo de pessoas desafinou, desmanchou, quem sabe pelo tamanho do empreendimento e a dedicação absolutamente total e integral que exigia o projeto. Como você tanto acompanha, o projeto tem cara sim, é bonito, coletivo, construtivo, respeitoso, doador. O Estado é o nosso, esse Rio Grande que não se definiu logo ao nascer, se platino, se brasileiro, diferente. O povo é esse povo que amo, meio caudilha que sou, e a quem pude somar filhos e netos, infelizmente esses que terão que ver os cartazes dantescos de sua vó pregados em cada tapume onde fiquem pessoas paradas esperando ônibus. Como tiveram que ver meus filhos nos tempos da faculdade porque a mãe decidiu ir para a tribuna fazer política como ‘uma ingênua tucana’ que queria fazer a política da igualdade (a da bandeira, a do gênero) em Porto Alegre. Nos cartazes pregados nas paredes internas da UFRGS estava a foto e ‘traidora do povo’. Eles, meus filhos, se foram em agosto de 1996, viver em outras terras sem essa cultura que crescia por aqui, e que tanto prejudicou o Rio Grande.
Eu fiquei. Por uma ideia. Por uma intensa necessidade de comunicação, pela vida como ela é para cada um, por fazer política, que é bom fazer quando se tem ética, responsabilidade, sem medo da mudança, de estar à frente do batalhão, porque confio em cada dia, e vivo sem ficar na janela vendo a banda passar esperando a sorte, esperando a morte... como diz a música.
No giro pelo Brasil duas coisas me deixaram feliz: primeiro com o orgulho dos outros brasileiros porque o Rio Grande saiu das manchetes nacionais negativas, e a governadora, que eles conhecem antes de ser governadora, estar sorrindo, mostrando que o Estado já paga suas contas em dia, que deu a virada na situação que contradizia com o Rio Grande histórico e presente que eles conhecem. Segundo, porque a honestidade da Yeda que eles conhecem foi provada, olhado documento por documento, rastreado cheque por cheque, a casa é limpa!
Depois, uma dificuldade que se repete pois todos me perguntaram: por que tudo isso? Por que te batem tanto, ao ponto do massacre? Dificuldade para eu responder porque não é de meu feitio falar dos outros, mesmo que mereçam. Humanidade (a da bandeira) é coletiva mas também individual. Lembro-me da tua pergunta naquele Jornal do Almoço que, com tua sensibilidade, perguntavas o que era central: por que a senhora não fala deste ou daquele secretário? E eu te respondi: “São pessoas caídas, Paulo, pessoas caídas”. E quanta coisa já se fez, quanta vida já se viveu!
Só que até este momento, mesmo com o alucinante caráter deste nosso governo, vivi o que dois filmes retratam. A arte consegue dizer em duas horas o que uma vida inteira custou para criar. Sei que não temos tempo de ver filmes, tudo hoje na vida é VT, não filme, rápido, desmanchando no ar. Então te falo deles na esperança de que você os tenha visto quando passaram nos cinemas.
O primeiro é A Letra Escarlate. A mulher de que trata o filme teve que desfilar com a marca ‘A’ de adúltera pela aldeia onde vivia, porque se casou de novo, pois havia ficado ‘viúva’ até o marido aparecer de novo da floresta, depois de praticar maldades inomináveis. Ela desfilou, chorou, perdeu, com a infinita paciência que tem a mulher para entender como o ‘homem’ da nossa civilização age quando se trata de posse, poder e sexo. Ao final, tudo se esclareceu. E ela não estava amarga, não havia feito nada que considerasse errado durante todo aquele período de provação, e viveram na mesma aldeia depois do pedido de desculpas público, da restauração, do líder da mesma.
Considero a coletiva do Dr. Mauro Renner quando provou a idoneidade da casa como o ‘The End’ do meu filme. Pude tirar o colar da Letra Escarlate. E continuar governando o Rio Grande, eleita que fui para honrar compromissos e fazer a roda virar para a frente. O povo sentiu-se aliviado, a sombra carregada da dúvida, para os que seguem a política, foi afastada. Brilhou o sol de novo, a alegria podia ser mostrada à luz do dia. Este o 2008, o ano que terminou com Déficit Zero e a honestidade provada da governadora.
O segundo filme é mais recente O Escafandro e a Borboleta. Raras vezes me permito chorar no cinema. Mas nesse filme o fiz por muitas vezes. Pois é ele que me referencia durante esse período de governo, desde a famigerada Operação Rodin aos 10 meses de governo e uma derrota inacreditável na Assembleia do projeto de restauração do Estado, por todas as razões que não interessa aqui descrever mas que tem a ver com a tua pergunta naquele Jornal do Almoço. Eu fiquei no escafandro. De certa forma, estarei nele até que possa ter o produto final por aquela terapeuta e seu método de escrever o livro ditado pelo único pedaço do homem no escafandro que se movia: o olho.
E quando estiver escrito, poderei voar como a borboleta.
Arrisco que muito não seja percebido desta longa mensagem, Paulo. Se os filmes foram vistos então sim, muito será entendido. Mas não desisto, não vou entregar prus ôme de jeito nenhum, amigo e cumpanhêro.
E para te dizer da minha admiração, da minha companhia através das tuas colunas (TV não vejo mais e rádio também não ouço, foi demais nesse período, um pouco de proteção criei), sempre, do meu amor pela vida que te inclui de modo afirmativo e de tanto tempo. Nunca dou de ombros. Só entenda o escafandro. Não me deram nenhuma folga até hoje. Esta é da decisão de escrever, é num lindo domingo, uma mensagem pessoal – entenda, não deve ser pública.
E para te presentear com o que não aconteceu, vou te remeter o Manifesto da Marca do Governo Yeda. Não é nem será público. Por isso, vai com selo. Creio que o Luciano do GAD é um dos que, como a fisioterapeuta do livro, entendeu. Mas por enquanto não há condições de mérito para eu dar esse upgrade nem ao meu governo nem ao Rio Grande que não quer ser sacudido a cada dia com uma ‘crise de governo’.
Algum dia mais adiante sim.
Um braço muito afetuoso
(ass.) Yeda Crusius, governadora do Estado”.
A SOLIDÃO DA SALA DE AULA
Juremir Machado da Silva - Correio do Povo
Prezado jornalista: meu nome é Claudete. Sou professora. Tomei conhecimento, graças a uma amiga, da carta da governadora publicada na imprensa. Confesso que chorei muito. Como é triste a solidão do poder! Eu até me lembrei de uma situação que vivi lá por outubro. Eu entrei no banheiro da escola e encontrei uma faxineira aos prantos. Tentei consolar a pobre. Ela me mostrou o contracheque dela. Comecei a chorar também. Mostrei o meu. Caímos abraçadas sobre um vaso e choramos como duas terneiras desmamadas (sou da Região da Campanha). Ficamos ali, na solidão do banheiro, sentindo cheiro de xixi e de água sanitária. Eu me sentia meio heroína de novela das 8h ou de romance do Paulo Coelho: na tampa da privada, solitárias, nós nos sentamos e choramos. Que tristeza!
Fiquei com pena da governadora. Deve ser terrível a solidão num palácio. Na sala de aula, eu também me sentia muito solitária, embora, depois da 'enturmação', tivesse mais aluno que passageiro no Surb no final da tarde. Comecei a pensar num livro maravilhoso da Clarice Lispector, 'A Hora da Estrela', e, sem refletir, fui até a biblioteca da escola pegar um exemplar. Que cabeça a minha! A escola não tem biblioteca. Saí aturdida e tropecei num gari ainda mais solitário do que eu. Era um gari especial, muito culto, que me contou, sem mais nem menos, as suas leituras. Andava lendo os 'Doze Trabalhos de Hércules'. Era fanático por um desses trabalhos, quando Hércules limpou sozinho, num dia, os currais de Áugias, que não eram limpos havia 30 anos e, com seus 3 mil bois, fediam como Copacabana depois do show dos Rolling Stones (fui de ônibus para o Rio de Janeiro). O gari se via no lugar de Hércules e tinha a sua filosofia na ponta da língua: a população se comporta como os bois de Áugias. O pobre sentia-se tão solitário na sua labuta.
Nada, bem entendido, que possa ser comparado à solidão de uma governadora no exercício do poder. A carta da governadora abriu um clarão na minha mente. Percebi o quanto tenho sido mesquinha e pessimista. Decidi mudar o curso da minha existência. Não vou ler mais autores cínicos como Michel Houellebecq. Nem a sua coluna, senhor jornalista. De agora em diante, serei construtiva e positiva. A minha solidão pode ser enorme, mas os meus ombros não precisam suportar a terrível carga da responsabilidade de um governante. Já imaginaram ter de conviver com tantos políticos hipócritas e, se o senador Jarbas Vasconcelos não estiver mentindo, com tantos peemedebistas em busca de cargos e com tantos petistas oportunistas!? Ainda bem que no Rio Grande do Sul tudo é diferente e até nossa corrupção é acidente de percurso.
Enfim, como mulher, fiquei emocionada, tocada mesmo, sensibilizada, né?, com a autenticidade da governadora. Quanto sofrimento! Quanta melancolia! Que solidão! Até parecia García Márquez, não com cem, mas dois anos de solidão que valem quase o mesmo, faltando ainda quase dois de governo, sem contar mais quatro anos de solidão se a reeleição vier. A solidão do poder é tamanha que gera dependência, e os governantes aceitam sacrificar-se por um segundo mandato, sonhando com um terceiro. Depois da carta da governadora, juro, só vou ler 'O Pequeno Príncipe' e 'Fernão Capelo Gaivota'. Afinal, 'longe é um lugar que não existe'. Só existe a solidão do poder.
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